E Deus Criou a Mulher (56)

Demorou, mas finalmente assisti esse longa que transformou Brigitte Bardot em mito, estrela, ícone do cinema e da vida de muitos/as. Era um filme que eu realmente queria conhecer, sempre tive curiosidade, e é um bom filme da forma mais redonda e positiva de se dizer. E ela realmente me encantou. Mas foi um encanto que foi acontecendo porque ela vai te ganhando aos poucos. Ela está muito jovem (21 anos na época da realização) e atua muito bem. Tem um cabelo longo-loiro-ondulado, um corpo muito bem delinhado, e é visível porquê caiu nas graças do mundo (literalmente). Ao que se consta depois de MM (Marilyn) foi a maior sexy simbol da época.

Spoilers? Vários

O Filme: Jovem (Brigitte) passeia pela tela provocando intencionalmente os homens que encontra. É assediada e flerta com eles, não faz o tipo puro-ingênuo-sexy, ao contrário, é uma jovem femme fatale que sabe o que quer e o poder que têm. É lasciva, mas realmente curte um cara que descobre que só afim de usá-la sexualmente para depois a descartar. Para evitar ser ‘devolvida’ ao orfanato, se casa com o jovem irmão do seu crush, contra a vontade de todos que a tem como fácil (é um filme dos anos 50) e é claro, teremos um pouco de drama por vir… O cunhado (ex-love) é um canalha (Christian Marquand), impossível de se ter qualquer simpatia por ele, seu irmão, o noivo amado, é um cara tímido, puro, e bem bonito, que gosta e a aceita como ela é, ele não a quer mudar e o legal é que ela vai fazer a sua parte (mesmo sendo contra a sua natureza) de ser fiel a esse homem. Ela é muito avançada, cheia de vida, de fogo, selvagem, mas aceita ficar naquela família onde a mãe (sogra) tenta enquadra-la até que o canalha que havia partido retorna e… JeanLouis Trintignant da um show. O muleke trabalha um tipo que qualquer outro ator teria dificuldade. É um casal perfeito em cena, ambos a cara dos seus personagens. Marquand está tão bem que a antipatia pegou. Curd Jürgens que não conhecia também tem presença. Roger Vadim é um cineasta que eu gosto (é o segundo longa seu que assito no ano), ele é muito elegante, visualmente nos apresenta imagens de primeira (cópia perfeita possivelmente restaurada), seus filmes tem fogo, pique (não são frios longas franceses), dirige bem, é um cineasta que me ganhou… A cena final com Juliete dançando entre lágrimas e com consciência da decepção que provocará a si e aos outros, mostra que ela tem coração, assim como seu amor…

Onde assistir? YouTube

Brigitte Bardot partiu. Qualquer leitor que já correu minimamente seus olhos pela Curtipoesia sabe que eu não faço homenagens, não por não sentir, mas por pura dificuldade minha em escrever sobre alguém que eu admiro/curto o trabalho e que acabou de nos deixar. Brigitte transcendeu. É impossível ser cinéfilo, e ser cinéfilo é ter um amor pelo cinema que se inicia muito cedo na vida, e não ter contato com o nome, a marca Bardot. Pessoalmente admiro toda e qualquer pessoa que vive ou viveu sua vida sem estar a disposição da opinião dos outros. Bardot além do cinema viveu como quis. Firme, forte, independente. Humanamente cheia de defeitos visíveis. Admirava a coragem dela de cair fora da sua arte antes de completar 40. Dizia que o fogo do cinema era muito forte, se continuasse estaria morta como outras atrizes/estrelas que não conseguiram lidar bem com suas vidas e carreiras. Preferiu deixar do que ser deixada. Colocou o Brasil na sua história pessoal. Muito antes de muitos já estava preocupada com a causa animal. Tretou feio e publicamente com outra grande estrela nos anos 90 por ela desfilar com casacos de pele autênticos, deixando bem claro que quem tem o poder de influenciar também tem responsabilidade sobre o que influencia. Sempre achei admirável o fato de uma das mulheres mais atraentes da sua época se recusar a fazer plástica. Foi até o fim com seu rosto original envelhecido naturalmente. Enes paixões. Uma vida pública que causava, como qualquer grande estrela que se preze. Assumiu que nunca teve instinto materno. O único filho que teve entregou para o pai criar. Verdadeira sempre. 2025 vai chegando ao fim, e levou muita gente interessante. Brigitte Bardot entre elas.

Assisti “E Deus Criou a Mulher” em 15/09/2021 – época do texto acima. E indico a todos. Vale conhecer.

Brigitte Bardot, nasceu em Paris no dia 28/09/1934 às 13h15 da tarde. Tem o sol ☀️ em 04°41 de ♎, a 🌚 12°02 de ♊ e o ASC a 15°23

Paulo AlFuns, autor

A Fraternidade é Vermelha (94)

Cartaz de “A Fraternidade é Vermelha

Eu já tinha assistido aos 02 primeiros filmes da Trilogia das Cores (A Liberdade é Azul, 93 e A Igualdade é Branca, 94) do cineasta Krzysztof Kieslowski. A terceira parte até ontem, não. Gostei como havia gostado dos outros. É um filme intimista. E era o que meu estado de espírito queria. O filme: Segue a estrutura dos anteriores. Isto é, a vida é unida por um fio invisível que quer você tenha consciência ou não, nos faz estar todos conectados. Estando todos ligados, o que afeta um, vai chegar ao outro. A jovem Irène Jacob mora sozinha, mantém um relacionamento com alguém que está mais voltado para sua carreira (e portanto não a prioriza), vive uma vida independente, mas com um olho nos seus, um tanto preocupada com os altos e baixos do cotidiano familiar. Seu desejo de cuidar aflora ao atropelar Rita uma dog grávida, que salva ao levar para a veterinária a tempo de ser costurada, e que por conta do acidente também vem a conhecer seu tutor (não vou chama-lo de pai bichológico porque ele não é) ao qual Rita mantém sua fidelidade canina. Temos um tema canceriano para o qual o cineasta (do signo solar do caranguejo) tem na personagem Valentine um veículo pra sua expressão natural (o tema família, lar, cuidar, filhos é de extrema importância para as pessoas desse signo) do seu sol natal. Não correspondida pelo namorado ausente e pouco afetivo, longe do lar original, vai encontrar em Rita e seu idoso (e solitário) tutor, o objeto das suas atenções afetivas. O senhor é feito pelo grande JeanLouis Trintignant, um juiz aposentado dado a atividades não lícitas, e que por ter exercido a profissão de julgar os outros “e decidir o que é verdade” como ele fala, também tem um conhecimento mais profundo da natureza e caráter humano. Enxerga a vida como ela é. Paralelo a essa história, transcorre a vida de Auguste (JeanPierre Lorit) também futuro, quiçá promissor juiz e sua parceira cujos caminhos (destino) sem ao menos saberem, estão sempre a se cruzar com a da jovem Valentine. Auguste, o apaixonado, é pai de pet e uma das cenas mais tristes se dá entre ele e seu filho peludo.

É um filme europeu emotivo, portanto, contido.

Podia ser melhor: a tela em wide em vez de cheia.

Ponto crítico: A imagem restaurada. Basicamente toda a primeira linha de cinema está sendo restaurada em 4K. Bacana. Só que ficou com uma imagem um tanto saturada (não é a palavra que queria usar, mas é a que surge) e em outros momentos está bem granulada.

Vale conhecer? Com certeza. Lembrando que o momento de assistir não vai ser quando tiver afim de ver uma comédia ou um filme de ação.

Astrológica

JeanLouis Trintignant, nascido em Piolenc, França, às 7h00 da manhã do dia 11/12/1930,com o ☀️ 19°02 ♐, a 🌚 05°18 ♍ e o ASC 28°39 ♋

Irène Jacob, nascida em Suresnes, França, no dia 15/07/1966, às 8h30 da manhã, com o ☀️ 22°22 ♋, a 🌚 14°17 ♊ e o ASC 29°08 ♌

Krzysztof Kieslowski, nascido em Varsóvia, Polônia, no dia 27/06/1941, com o ☀️ 05°21 ♋

Valentine e o Juiz

JeanLouis Trintignant

Mamy Rita

Rita e Valentine unidas

Auguste, verdadeiro pai de pet

Valentine posando para o comercial de chiclete

Paulo Al-Funs, autor

Urano em ♊

Urano entrou em Gêmeos (♊). Urano em Astrologia é o que chamamos de planeta geracional. Tal qual seus colegas Netuno e Plutão. O que significa isso? São planetas de caminhar muito lento que demoram muito tempo num mesmo signo. Planetas rápidos como Vênus ou Mercúrio demoram semanas. O astro rei, nosso ☀️ demora cerca de um mês para transitar num signo. Planetas geracionais levam simplesmente anos. E como o nome diz, tem o poder de influenciar toda uma geração de pessoas nascidas naquele período. Por isso é sempre importante esse tipo de acontecimento. É um evento celeste.

Urano em Astrologia é o planeta que rege o novo, o diferente, a originalidade, a liberdade, as mudanças rápidas e inesperadas, os rompimentos, tudo aquilo que veio pra mudar (para o bem e o não tão bem), ele inverte papéis, pode colocar o caos em cena, e anuncia uma nova ordem. Transforma jogando (às vezes literalmente) o que é velho pra longe e apresenta o que é, e será novo para o futuro. Se as mudanças que em geral ele traz (bruscas) irão ser assimiladas com tranquilidade ou não, depende de você. Da sua capacidade de se desprender do que já passou, do que já foi gasto, do já devia ter ido embora mas você por alguma razão continuou segurando e já não tem mais serventia ou validade. Pessoas muito apegadas costumam sentir mais forte o seu baque. Essa mudança que estamos apreciando nas redes atualmente em relação a crise entre os poderes é puramente já o efeito uraniano de uma situação que há muito chegou no limite e precisa ser alterada. Urano (ao lado de Netuno e Plutão) é senhor dos coletivos. Tudo o que diz respeito a grupos, organizações, ONGs, sindicatos, movimentos sociais, já estão sentindo os ventos de uma nova disposição que está no ar. Ahhh, você é uma dessas pessoas que gosta demais e está a muito tempo apegada a uma situação que gostaria que permanecesse de forma inalterada? I’m sorry!!!! Você tem poucas opções, uma delas é se preparar e se adaptar as mudanças que vem surgindo ou simplesmente assumir as vestes do ultrapassado que já cumpriu o seu papel. Você decide. No sentido pessoal é sempre muito bom (importante) saber em qual área da nossa vida a influência desse astro será sentida. É importante porque como mencionei são mudanças de caráter radical, repentinas, e que vão continuar ocorrendo durante todo o tempo que durar essa passagem no setor (casa) do mapa que ela estiver. E influenciar nos assuntos e temas por ela administrado.

Vou dar um en passant aqui pra quem saber seu ascendente poder se situar melhor.

ASC/Casa 01 – Se Urano tiver colado no seu ascendente você será o responsável direto por tudo que lhe vier acontecer fisicamente (não adianta culpar o motorista de trânsito pelo atropelamento que você sofreu por atravessar a rua de forma inesperada sem observar farol ou apressadamente. E o inverso também é valido). Dificilmente você vai estar voltada a grupos (isto é, vai querer fazer o que deseja sozinha/o). Estará mais elétrica, notoriamente mais individualista, e dando importância zero ao que falam ou pensam de você. A forma de se comunicar também passa por transformações (se são positivas ou negativas vai do mapa individual de cada um). Visualmente as mudanças são nítidas, a pessoa (independente da idade), vai apresentar um aspecto mais novo, e diferenciado. Não se assuste se a sua vózinha de 80 decidiu pintar os cabelos de rosa. Faz parte.

Casa 02 – Sua forma de se relacionar com $$$ se altera. Sua forma de investir (se for o caso), poupar, e a maneira como lida e observa as finanças. É bom o nativo se preparar para as mudanças bruscas. Tem gente que não tava ganhando nada e pode ganhar muito. E pessoas ganhando muito, que de repente começam perceber suas fontes miarem.

Casa 03 – As relações com parentesco viram de cima pra baixo. Rompimentos ou aproximações repentina com primos, irmãos, vizinhos e colegas (colega não é amigo). Entrada ou saída de cursos que podem promover melhoras na sua vida (às vezes aquele curso que você fez lá atrás e nem lembrava mais pode ser a chave que vai mudar a sua história).

Casa 04 – Aqui da mesma forma que quando está na casa 01, devemos estar mais atentos (porque o impacto do astro tende a ser maior). A casa 04 num mapa fala da nossa família, do nosso lar. E Urano nessa casa anuncia mudanças que tendem a não ter voltas. Jim Morrison vocalista do The Doors que nasceu com Urano nessa casa, um dia matou o pai numa canção, matou ambos os genitores num release da banda, e consolidou uma postura radical (anunciada pelo mapa de nascimento) que não teve mais volta. Nunca mais voltou a ter contato com eles até o fim da sua existência. É desse tipo de mudança que falo. O filho, o pai ou mãe que pode dizer tchau sem retorno. De relações (familiares) que se adaptam as novas circunstâncias que a vida vai oferecer, ou podem se alterar de tal forma que haja um rompimento que não tem mais retorno. Em alguns casos a transformação não é só no nível emocional/mental mas ocorrem mudanças de casas, lar, cidades ou até países. Novamente, positivas ou não tudo a depender do mapa de cada um.

Casa 05 – Muitas novidades nos romances. Ahhh, mas você é casado/a? Aí meu bem, quanto mais resistência pior, porque onde Urano se encontra, o foda-se está acionado. Se você tem esse astro transitando nessa casa, a uma tendência a querer experimentar tudo que é novo, e tudo que você nunca fez e jurava que não ia fazer. Pouco antes da pandemia fiz o mapa de uma jovem (hétera) e mencionei a ela que havia a tendência de se relacionar com outra mina. Surpresa e meio que em choque me disse um não, nem pensar!!!! Meses depois recebo uma mensagem com ela me confirmando que a tendência estava rolando. Urano em trânsito na sua casa 05 vai querer novidades nos flertes, nas conquistas (a fila anda, e bem rápido), na busca por prazeres, e na busca por aquilo que te traz satisfação. Os velhos hobbies podem trazer cansaço e serem descartados (por mais importantes que tenham sido até então), e passeios que a pessoa que nunca pensou em fazer podem ser incluídos na sua agenda. Dica: não se apegue ao combinado, ao contrário, curta e aproveite aquele convite que chegou sem você esperar. Aprecie as surpresas que podem surgir.

Casa 06 – Mudanças nos empregos se fazem sentir. Tava acomodado de boa, achando que ia se aposentar na firma depois de anos de labuta? Sinto em lhe informar, talvez não seja assim que as coisas vão ocorrer… Traga novidades para o trabalho, se permita inovar, não fique parado no tempo. Se atualize. Atualize o local onde você ganha o pão. Faça mudanças que você há muito sabe que precisam ser feitas. Pode ter certeza que vai ser melhor mudar por si próprio, do que deixar nas mãos dos outros as viradas que tendem a acontecer. Já ouviu falar naquele ditado básico do futebol “quem não faz (gol), toma”? No que diz respeito a saúde, cuidados renovados com o corpo serão essenciais.

Casa 07 – Outro ponto muito importante do mapa de cada um. Alguma coisa no casamento vai ter de ser feita (e de livre e espontânea vontade) pra que tudo continue fluindo bem. A própria natureza de Urano já é avessa ao tema. Urano é novidade, mudanças, parceiros/as diferenciadas/os. Ou você busca por si próprio configurar a forma como se relaciona com sua parceria ou pode chegar o momento que um dos dois pode começar a se perguntar até que ponto vale manter uma relação que não acrescenta mais nada.

Casa 08 – A casa do sexo. Mencionado mais ao alto, onde temos o astro seja natal ou em trânsito (passeando) o modo foda-se está ativado. Quem está com Urano na casa 08 é bom se desprender de velhas idéias sobre compartilhar intimidade. Se for uma pessoa casada, melhor atualizar esse lado tão importante de um relacionamento. John Densmore batera do The Doors, nascido com Urano nessa casa, conta nas suas memórias que pra salvar seu 2° casamento depois de mútuas traições, resolveram praticar com outro casal. É uma opção. Casas de swing é o que não faltam. Você é conservador nos valores? Chegou o tempo de rever seus velhos conceitos.

Casa 09 – O que acontece lá fora (outros países) pode te impactar. Pessoas de outros países podem te trazer toda uma nova forma de apreciar, entender e cultivar outras culturas. Se você mora em outro país que não o seu, mudanças repentinas também podem te encontrar. Forte possibilidade de encontrar novas formas de se ligar ao mundo espiritual através de filosofias alternativas, assim como tendência a se libertar de religiões aprisionantes cheias de regras sobre o que pode e não pode e mandar um “quem decide o que eu faço na minha vida agora sou eu, não meu líder espiritual”.

Casa 10 – Ponto delicado e muito importante também pra quem tiver com Urano circulando aqui. Mudanças na carreira. É preciso encarar de frente outras propostas. As vezes nem é preciso mudar radicalmente de profissão. Você pode mudar mesmo dentro daquilo que já faz. Vivien Leigh (que hoje completa 58 anos que deixou a Terra), nunca deixou de ser a grande atriz que foi (nasceu com Urano nessa casa) mas sempre aberta ao novo. Assinou um contrato de 07 anos na época do sistema escravagista de Hollywood que nunca cumpriu (lembrando que onde você tem esse astro você manda pra “aquele lugar” situações relacionadas com o assunto da casa onde está, nesse caso, a casa 10 fala da carreira/profissão que você exerce). Amante do teatro, se dedicou a encenar (além dos clássicos) peças de autores que fariam muitas outras atrizes a dizerem não. Foi a Blanche do Tennessee Williams (em analogia, o Nelson Rodrigues americano), em Um Bonde Chamado Desejo“, uma personagem da elite do sul americano falida, que vai morar num hotel categoria Z onde é expulsa por mal comportamento (sexual). Fez grandes personagens no teatro, transgressoras e com forte potencial pra causar no público. Isso é Urano utilizado com sabedoria. Quem está com esse astro em trânsito na casa 10 deve se ater às mudanças bruscas que podem ocorrer no seu status social e vida pública. Excesso de rebeldia pode custar sua imagem social, como qualquer estabilidade profissional, por melhor que você seja na sua área.

Casa 11 – Você vai querer participar de eventos com amigos ou pessoas que você tem um mesmo propósito no sentido de querer melhorar, reformar a vida dos outros. Não será incomum buscar uma ONG que se identifica, ou participar de grupos com tendências revolucionárias. Rupturas com seu círculos de amigos podem ocorrer (amigo não é colega). Dica: Se for entrar para um grupo, não deixe engolirem sua individualidade. Não é porque a bíblia do grupo ou movimento diz que você tem que fazer assim ou assado, que você tem que fazer.

Casa 12 – Algo que às vezes acontece quando o planeta das liberdades individuais e coletivas está centrado nesse lugar é que pessoas enrustidas (sexualmente) acabam sendo expulsas do armário. Não porque que querem. Mas acontece algum evento em que elas acabam sendo expostas. Se você se encontra nesse perfil e envolvido em algum tipo de atividade que corre esse risco, é bom ficar ligado. Perda da liberdade é uma tendência no radar também. Por enes motivos.

Urano a princípio ficará um tempo em ♊ depois retorna a Touro (♉) onde permaneceu um longo período, pra finalmente reiniciar e permanecer pelos próximos anos na mundo mental do 3° signo zodiacal.

Paulo Al-Funs

Os vivos , os mortos, o Tempo

Os mortos
caminham,
sem parar
Numa festa
alegre,
onde as visitas
os veem encontrar

Caminham
ao lado
dos entes queridos
Caminham
cheios de saudade
Que não tem
Tempo, e nem lugar

Na hora
da partida,
os visitantes
sem saber
levam seus mortos
a passear,
para rever e encontrar
seu antigo lar...

Paulo Al-Funs

Pequena Homenagem

Eu gostaria de fazer uma pequena homenagem a um homem que nada sei, e o pouco que sei me levou a escrever este post. Ênio Silveira. Gente que realiza trabalho de bastidor sempre me interessou. Sou fã de realizadores de cinema (diretores e produtores), de música (fiquei fascinado pelo André Midani quando li sua autobiografia). Esses dias atrás fiz um post sobre o romance “As Cidades da Noite” que havia lido, e duas perguntas ficaram na minha mente. Como esse livro estava aparentemente fora de catálogo (?) e como uma história tão punk havia sido publicada no Brasil da ditadura de 64 (?). Pesquisando no dr. Google, me veio em parte as respostas. A Editora Civilização Brasileira (que hoje pertence ao grupo Record) que publicou o livro, foi fundada em 1929, e até os anos 50 continha muito pouco material no seu catálogo que não fosse didático. Até a chegada nessa época do jovem (escorpiano do ano de 1925) Ênio Silveira. Um amante de livros. Entusiasta, logo aumentou significativamente o catálogo da editora trazendo títulos modernos com temas diferenciados e publicando autores brasileiros do qual era um incentivador. Acreditava realmente no poder transformador da literatura na vida das pessoas. Nos primeiros anos da década de 60 a “Civilização” já era uma potência literária. E seus problemas por conta do seu editor e suas publicações começaram a florescer. Ênio era militante e a “Civilização” se tornou o QG das mentes que não aceitavam o período trevoso que o país tinha embarcado. Nenhuma editora ou editor se opôs tão frontalmente ao regime ditatorial. Nenhuma e nenhum foram tão brutalmente perseguidos. Seus livros passaram a ser confiscados, seus autores perseguidos, e Ênio preso várias vezes com direito a ter sua própria casa invadida. Nunca abaixou a cabeça ou se curvou. Lutando contra todas as adversidades permaneceu fiel a si mesmo, inovando na divulgação dos livros (anúncio em outdoor), como na publicação da moderna literatura brasileira e gringa (não à toa As Cidades da Noitefoi publicado em 1964 um ano após seu lançamento lá fora). Um democrata, jamais deixou de lutar pelo seu (nosso) país. E algo que eu gostei de saber, ele não era desses que acreditava que livros foram feitos apenas para serem apreciados por uma pequena casta.

Em geral, as pessoas evitam ler, seja porque realmente não gostam, seja porque não se interessam em desenvolver o hábito da leitura, seja por pura preguiça mental, não importa o motivo, até aí se respeita, já que gosto é gosto, e cada um tem o seu. Mas essa onda de reprimir, querer decidir o que as pessoas podem ler, retirar livros das escolas, das bibliotecas, é o fim da picada (em qualquer lugar do mundo). Pautas identitárias progressistas e pautas conservadoras reacionárias não tem esse direito e nem essa liberdade a ser exercida em cima das pessoas. É o fim da picada conservadores querer ditar o que é moralmente aceitável para uma pessoa ler. É o fim da picada progressistas quererem boicotar um autor porque ele é (assumidamente) contra suas pautas. Nesse sentido tanto uns como outros (progressistas e conservadores) estão agindo como duas faces tirânicas da mesma moeda.

Quem não lê, mal ouve, mal fala, mal vê“. Slogan da Civilização Brasileira.

Paulo Al-Funs – autor

Pasolini

cartaz de Pasolini (2014)

A primeira vez que eu me lembro de saber da existência do Pasolini (Pier Paolo Pasolini) eu era muleke. Conheci através da leitura. Era uma coleção de livros finos na estante da biblioteca que eu frequentava. Várias biografias. Foi assim também que eu descobri que havia existido uma atriz foderastica chamada Leila Diniz. Eram ambos membros da mesma coleção biográfica. Ambas as leituras me afetaram. Ambos pela vida que viveram. O primeiro filme com a Leila fui assistir mais tarde, na extinta TV Manchete “Os Paqueras” (69). Era só uma participação, entre tantas outras atrizes, a protagonista era Irene Stefânia em parceria com Reginaldo Faria. Tanto Pasolini como Leila partiram nos anos 70, e de forma repentina. Brutal. Se o primeiro filme com a Leila rolou na adolescência, Pasolini demorou bem mais, muito mais tempo pra conhecer a sua obra. Primeiro chegou até a mim via livro. Teorema causou em mim. Que livro foda. Fiquei obsecado pra assistir ao filme também dirigido por ele. Levou uma eternidade pra que isso acontecesse. Pasolini era um cineasta abertamente gay. Italiano. Seus filmes chocavam o mundo. Eram feitos com essa intenção. A fudelancia era fator forte nas suas narrativas. E onde tem sexo, tem polêmica.

O filme (Abel Ferrara) narra os últimos momentos do cineasta na Terra. Finalizando o que viria a ser o seu último trabalho, passa o tempo discutindo com seus próximos sobre onde será a estréia, a possível reação do público, se vai ser atacado novamente, pelas pessoas, pela igreja, pela imprensa. Não fazia concessões. O que torna qualquer artista, independente da praia da sua criação, um alvo ativo. Willem Dafoe é desses atores incapazes de não fazer um trabalho bom. Você não vê ele no filme. Você assiste ao Pasolini que ele criou. Sério. Contido. Um cara de presença. Mora com a mãe e uma outra jovem da família. O filme nunca é leve, mas jamais pesado. Só ri durante uma cena, a atriz Laura Betti (Maria de Medeiros) aparece pra uma visita em sua casa após uma viagem à trabalho por terras socialistas, e compartilha com a mama do cineasta que sem dinheiro pra comprar cremes caros para pele, estava usando como anti-rugas creme pra hemorróida. Rachei o bico. Enquanto prepara o lançamento, já vai finalizando um novo livro e planejando o próximo filme. Em meio a isso, busca satisfação com rapazes de programa. As cenas finais são macabras. Mesmo pra quem como eu já sabia o que estava por vir, é um terror que não se alivia. Não acredito que estou dando spoiler porque seu fim é conhecidíssimo.

Ninetto Davoli e Riccardo Scamarcio

Maria de Medeiros (Laura Betti)

Willem Dafoe (Pasolini)

Escandalizar é um direito, se escandalizar um prazerPier Paolo Pasolini.

Willem Dafoe – 22/07/1955 🌞♋ 🌚ASC♒

Maria de Medeiros – 19/08/1965 🌞♌🌚♉ ASC♊

Ninetto Davoli – 11/10/1948 🌞♎

Pier Paolo Pasolini – 05/03/1922 🌞♓🌚♉ ASC♓

Paulo Al-Funs – autor

As Cidades da Noite

As Cidades da Noite“, 1964

Fazia anos, e anos que eu queria ler esse livro. Eu não tenho uma lista de livros pra ler no radar. Um ou outro muito pontual eu tenho vontade, mas, nada na base do “tenho que”. “As Cidades da Noitedo autor John Rechy desde que eu tomei conhecimento da sua existência num tempo muito distante eu desejei conhecer. Literatura de qualidade com narrativas de personagens de orientação gay são uma raridade no século 20. Busquei muito nos meus anos verdes, encontrei 02 que me marcaram muito Giovanni” (56) do James Baldwin e A Cidade e o Pilar” (48) do Gore Vidal. Ambos os livros fundamentais na minha existência. Em O Nome da Rosado Umberto Eco o foco não é uma história afetiva/sexual gay, ali o sexo rolou porque num ambiente (mosteiro) que muitas pessoas do mesmo sexo compartilham naturalmente isso acaba acontecendo. Sinceramente, não curti “Narciso e Goldmunddo Hermann Hesse também passado num ambiente de confinamento. Em Ciranda de Pedra” (54) clássico da nossa literatura da autora brazuca que mais me afetou Lygia Fagundes Telles, Letícia a personagem lésbica era mais uma entre as personagens interessantes do livro. O romance que foi transformado em “novela das 6” em duas épocas, até onde eu sei, nunca foi apresentado com a coragem que a sua autora mostrou a décadas passadas quando o publicou. Dificilmente a Globo faria isso, ainda mais no horário que essas novelas foram exibidas. Conrado era impotente (não conseguia trepar), sua irmã Letícia lésbica (começa feminina e depois se masculiniza), Otávia era solta e livre, mandou a virgindade às favas (sem nunca casar), e Bruna começa “santa” pra depois do casamento começar a adulterar. Virgínia que através do seu olhar transcorre a cenas, era a filhota rejeitada por ser “ilegítima”, começa perdida, sem saber o que se passa e depois como talvez diria Nelson Rodrigues vai compreendendo “a vida como ela é”. Espero que o cinema um dia faça jus ao romance, já que a TV… Todos esses livros são dos meus anos verdes, e talvez, se os relesse hoje se mostrassem (provavelmente) diferente pra mim Na casa dos 20 fui apresentado primeiramente ao filme (amei demais) Plata Quemada” (quem nunca viu corre, é um dos melhores dos anos 2000, na minha opinião) e depois fui atrás da fonte, o romance do mesmo nome (em português ficou “Dinheiro Queimado” – deviam ter permanecido com o título original) do autor Ricardo Piglia. É tão foda quanto o filme. Pra quem gosta de cinema e literatura de qualidade vai aí 02 indicações. Sugiro primeiro o filme, depois o livro. Agora, já uma pessoa antiquíssima aqui na Terra, finalmente me chega esse sonho de leitor juvenil não concretizado “As Cidades da Noite” (63) que por um tempo achei que nem existia traduzido na nossa língua. Spoiler: A edição que vou guardar comprada no maior site de sebo online da web (precisa dizer o nome?), é de 1964! O português escrito é o da época e as gírias também. Precisava ter um dicionário Ruy Castro ao lado pra me dizer o que é um cara “cheio de bossa”. Garçom é garção (na boa, fica mais legal na forma antiga). Na novela “Dancin’ Days” que estou na reta final, há gírias que até hoje permanecem e eu nem sabia que eram tão antigas tipo “sacou, estupidamente gelada” e a muito citada “transa” (tipo “ele não transou isso legal”). Transa era uma gíria da minha adolescência sempre relacionada a sexo, e não usada da forma natural como na novela ou melhor, nessa época (anos 70). Fico curioso pra saber quando ela adquiriu esse status sexual. Eu já a conheci e sempre usei nesse sentido. Não dá pra usar atualmente da forma como eles falam na novela porque algumas frases iriam ganhar outros sentido. Uma outra gíria (?) onipresente no livro é “fanchona” e ela não parece ter o sentido burocrático que os dicionários online que eu consultei anotam… Agora, agora o livro…

Spoiler Spoiler Spoiler

Jovem começa narrando sua vida, da infância onde ficou traumatizado com a perda da sua dog, a relação amorosa com a mãe, a relação complicada com o pai, a ida para o exército, tudo isso sob o sol escaldante do Texas e seu desejo de voar (conhecer o mundo, conhecer o que existe do outro lado de lá)… Solitário vai atrás do seu destino, ou talvez do que acredita ser o seu caminho, e chega na cidade grande, a inigualável Nova York. Como nos versos da canção do Belchior “sem $, amigos importantes, vindo do interior”, inicia uma odisseia sexual pelo submundo gay, e através do que vai vivenciando vamos sendo apresentados a uma sociedade, a um recorte dela que pegou muita gente (na época) de surpresa (menos é claro quem já fazia parte dela). O universo LGBTs do princípio dos anos 60 foi atirado sem nenhum amortecedor na cara da sociedade (conservadora) americana da época de forma abundante e explícita. … seu autor enfiou tudo e mais um pouco sem gel, vaselina ou qualquer outro amaciante que aliviasse aquela penetração. Ele desnuda o americano médio. E põe um fim em qualquer ilusão que uma pessoa comum poderia ter sobre relações afetivas/sexuais se darem apenas no plano ortodoxo heterosexual. Seus personagens sui generis existem, existiam e estavam ali para provar que também se movimentavam embaixo da luz solar da Terra. Sádicos, masoquistas, recalcados, presos em armários, camuflados em casamentos fracassados, perigosos uns, maldosos outros, travestidos, sonhadores, odiados, com culpa ou sem culpa, performáticos, desesperados, aviltados, perseguidos, humanos em suas glórias, tragédias, dores e vivências estão todos lá, a começar por Nova York, seguindo por Los Angeles, San Francisco, Chicago e finalizando em New Orleans. É uma comunidade gigantesca, com seus bares próprios, seus hotéis, seus cinemas, suas ruas (sim, é aquela vida refletida na música e vida do poeta musical sempre à margem Lou Reed, nas vidas obscuras da Factory do Andy Warhol, nos versos da canção L. A. Woman (The Doors) cujo refrão ‘city of night’ é uma referência ao título original do livro), suas vidas e gostos próprios, suas tragédias pessoais, sua luta pela sobrevivência num mundo completamente hostil a elas/es. Nosso herói não quer romance, quer sexo, quer prazer… a erva, as bolinhas (anfetaminas), o álcool ajudam a dar o gás, mas, mais que isso é uma busca sem fim que os move, uma busca por seus sonhos, por ser feliz, se realizar (essa coisa do americano de “chegar lá”), uma classe de pessoas (todo ou quase todo universo de LGBTs está aqui representado) que não importa o drama, a tragédia, ou comédia não está disposta a parar. E não parou. O livro foi escrito antes dos acontecimentos de Stonewall (69) um marco do movimento e que mudou tudo. Não, a vida não é perfeita, mas, cada um a vive da forma como lhe é possível. E essas personagens a viveram da forma que conseguiram.

As Cidades da Noite” tenho a impressão que não é mais impresso no Brasil (a despeito de ser um clássico mundial da literatura e um marco do seu gênero), a edição que eu comprei (1964) vou guardar pra mim. Eu cresci como leitor através de todos os livros que li de uma biblioteca municipal. Eu não tenho apego a livros provavelmente por isso. Livro é conhecimento e eu aprendi que conhecimento se passa adiante. Há mais de 20 anos eu não entro numa biblioteca pública, os livros que eu compro (do sebo virtual não citado acima), ficam um tempo comigo depois eu passo adiante. Os que permanecem é porque são realmente muito importante, como esse que demorei tanto tempo pra ler… Essa edição de páginas amareladas com tradução de Fernando Teles de Castro, desenho da capa de Eugênio Hirsch, é da Editora Civilização Brasileira, e espero sinceramente que alguma editora o relance um dia novamente no mercado. Merece.

ps: entre as folhas desse clássico estavam três bilhetes amarelados, dois com nomes e telefones cariocas (o sebo é do Rio) e um com esse recado que eu achei muito poético, compartilho aqui…

Paulo Al-Funs – autor

Acossado, 60

Cartaz de Acossado

Não tem como imaginar a revolução que deve ter sido pra quem assistiu Acossadopela primeira vez, quando foi lançado. Os livros de história cinematográfica nos falam do impacto que causou. E mudou toda a história da sétima arte colocando um novo movimento, a “Nouvelle Vague” em cena. Imagina você fazer um filme que será a referência pra quem for realizar ou desejar fazer cinema. Não é pouca coisa. Godard o pai de Acossadojunto com outros tipos talentosos, eram cinéfilos que faziam críticas de cinema pra uma revista, na real, não eram críticas no sentido clássico, faziam o que eu faço aqui, despejaram seu amor pelos filmes via palavras e dentro das suas próprias visões e gostos pessoais. Podiam ser bem cáusticos e ácidos, já que demoliram muito do cinema mais tradicional e curtiam filmes que não eram tão valorizados. E em algum momento partiram pra colocar a mão na massa e decidiram fazer seus próprios filmes. Algo inédito e que deu certo. Porque tinham talento, sabiam a história que queriam contar e principalmente como contar. A França e o EUA estão na gênese do cinema. Assim como aqui no Brasil nós acreditamos que quem é o pai da aviação é Santos Dumont, (mas lá fora os gringos acreditam que foram eles que inventaram o avião), os dois países também reinvidicam a invenção da sétima arte. Os americanos comemoraram os 100 anos do cinema numa data, e os franceses em outra. Não importa. Importa que foi criado. E é uma paixão universal. Todas as artes se concentram nele. A fotografia vem da pintura, a trilha da música, o roteiro da literatura, a interpretação (e a idolatria pelas estrelas) do teatro. A montagem (edição) é a mistura de todos esses ingredientes e tão importante quanto, porque é dela que saíra o resultado final. Um filme mal montado, é um filme com forte tendência a não ser bem sucedido (por melhor que sejam suas qualidades). Um filme bem montado favorece até um filme mal realizado (por mais triste que sejam suas precariedades). Em Acossado a montagem (o ritmo do filme) é fundamental. A montagem e a trilha caminham juntas completamente entrelaçadas.

O filme: o bandido Michel Poiccard (Jean-Paul Belmondo) em período de liberdade, comete mais um crime, é identificado e passa as próximas horas buscando se safar. Paralelo a isso está enfeitiçado por uma jovem americana (Jean Seberg) que deseja conquistar (para além das noites que dormiram juntos). É um tipo sexualizado, que claro, como qualquer tipo assim, vai formar com sua parceira um casal sexualizado, mas, onde o afeto se faz presente. Bandido romântico? Bom, todo ser humano é passível de paixão… E Poiccard é o típico cara do “pega, mas, não se apega” em relação a suas conquistas. Mas seu coração se encantou por Patrícia. E com ela deseja escapar. Quem não se apaixonaria por Jean Seberg? Eu fiquei impactado por ela no primeiro filme que eu a vi ainda na minha adolescência, “Bom Dia, Tristeza“, de 58, do cineasta Otto Preminger (e a Cecile é muito mais interessante do que a Patrícia). Poiccard é muito descarado, atrevido e ousado. Caiu na perfeição para o ariano Belmondo representar. É sexy, nunca bonito (gosto pessoal não se discute). Magro sarado. E mostra bem seu abdômen. Sim, tem seu charme. Tem alguma coisa nele do “vida loka” do jazz Chet Baker. Queria falar mais, mas, é spoilear… Spoiler… Logo no início, há uma cena que seria impensável num filme hollywoodiano – em plena avenida parisiense, na luz da manhã, mete o dedo no peito de Patrícia e pergunta “porquê você não usa sutiã?”. Em outra cena mais ousada, levanta a sua saia e toma uma bofetada. Quando ele pergunta porque ela o agrediu por estar querendo ver suas pernas, ela responde “não era minhas pernas que você queria ver”. Para um filme lançado a mais de 60 anos, era ousadia em estado bruto essas cenas. Há frases ótimas, e demolidoras (o roteiro também é do Godard) que podem chocar alguns ouvidos sensíveis, uma galera boníssima, verdadeiros/as corações de ouro exalando virtudes que sobrevoam nas redes, grupos e algumas colunas de jornais (que alívio saber que o Criador colocou na Terra gente tão distinta pra orientar aos incautos mortais). Enfim, vale conhecer… A restauração é compatível com o olhar humano e se mantém cinematográfica. Que alívio, a 4k não a tocou.

Seberg e Belmondo

Jean Seberg

Michel e Patrícia

Patrícia e Michel

Jean-Paul Belmondo

Acossado

Jean Seberg – 13/11/1938 🌞♏ 🌚♌ ASC♎

Jean-Paul Belmondo– 09/04/1933 🌞♈ 🌚♎ ASC♊

Jean-Luc Godard – 03/12/1930 🌞♐ 🌚♉ ASC♎

ps: repare como ♎ é presente nos 03 – diretor e protagonistas. Pessoas que nascem com a 🌚 (lua) em Libra são comedidas nas suas emoções. É fundamental que haja harmonia nas suas relações, no seu dia-a-dia para que possam viver com tranquilidade (Belmondo). ASC ♎ apresenta pessoas educadas, refinadas, conhecidas pelo seu bom gosto, e que ganham os outros pelo seu charme e boa conversa (Seberg e Godard).

ps2: Godard é o cineasta citado por Renato Russo na música “Eduardo e Mônica” “… o Eduardo sugeriu uma lanchonete, mas a Mônica queria ver o filme do Godard…”.

Paulo Al-Funs – autor

The Delta

Cartaz de “The Delta”, 1996

Um filme bem básico, bem realizado. Tem cara de filme de diretor novato, meio cru, mas funcional. Simples, mas bem realizado. A fotografia é granulada, o que o deixa mais com cara de cinema, do que alguns filmes que eu assisti recentemente restaurados em 4K. É o segundo filme no ano que eu assisto desse cineasta (Ira Sachs) independente.

O filme: Jovem divide sua rotina, entre uma ficante, as baladas com seus amigos, e a caça por sexo em points frequentados por outros caras gays nas madrugas, no sigilo, e em lugares que ele não frequentaria normalmente. Encontra um tipo com tendência dúbias que não quer só sexo… A cidade onde moram parece ser pequena, e curioso, parece haver uma colônia de vietnamitas. Em resumo é isso, mas, o que o torna interessante é mostrar um recorte da realidade de um rapaz gay no armário e num cenário em que muitos como ele possivelmente podem se identificar. Quem nunca caçou em noites escuras, em lugares ermos e distantes, e se envolveu com algum tipo que o alerta de perigo gritava e mesmo assim, fechava os olhos e deixava se levar? Quem nunca? Tem haver só com o universo LGBTs? Não creio. Sexo per si só oferece riscos independente da orientação sexual de quem o faz… O coração acelera a mil e torna tudo mais quente… (e falo claro das minhas próprias vivências na idade do protagonista, tempo do cio…)

The Delta

The Delta

Shayne Gray 07/04/1972 🌞 ♈

Ira Sachs 21/11/1965 🌞♏ 🌚♏ ASC ♉

Paulo Al-Funs – autor

Dancin’ Days – a saga segue…

Os capítulos são divididos em blocos de 30 – então é nessa ordem que paro para escrever – os capítulos são curtos e nem sempre os cortes fazem sentido, no início eu achava que devia ter alguma enrolação com a edição, mas felizmente a uma página sobre a Globoplay na web que avisa que há partes que não puderam ser salvas por conta do mal estado das fitas originais, o que encurtou os capítulos – mas a edição é ótima e em nada atrapalha o segmento da história. Só que infelizmente vai haver passagens perdidas que nunca vamos conhecer. Julia Matos (Sônia Braga) voltou de viagem e se transformou numa personalidade atraente e fascinante da sociedade carioca. Às custas das ilusões que alimentou na cachola do muito querido Ubirajara (uma das muitas interpretações de primeira grandeza de Ary Fontoura), que acreditando que pode amar por dois, decide bancar seu sonho de ter Julia como esposa (no caso aqui só uma fantasia de namorada). Julia é uma anti-heroina nata. Seus defeitos saltam aos olhos. Assim como suas qualidades. É leal e amiga. Rancorosa e vingativa também. Dona de uma forte personalidade, nunca faz média e não deita pra ninguém. Ubirajara um pai de pet que é impossível não gostar. O que gera um certo ranço pela forma como ela o instrumentiza na sua escalada social cuja essência é de se vingar. Execrada pela filha Marisa (Glória Pires) aviltada pela irmã Yolanda (Joana Fomm), e incapaz de se ligar numa relação afetiva com Caca (Antônio Fagundes), é uma outra pessoa na casca. Interiormente continua a mesma que se mostrou desde o início. O tal do Caca… em algum momento vai dar um tapa no visual. A transformação ocorre quando finalmente corta o cordão umbilical com a mãe falecida que o conduziu a carreira de diplomata. Fagundes com 29 anos aparenta estar na casa dos 30. Incapaz de ter um relacionamento fofo com Julia (dois perturbados não se bicam) vai levando com a barriga seu noivado com Inês (Sura Berditchevsky) desde sempre uma personagem que eu curto (inteligente, esperta, autêntica, independente) mas que sendo tão segura de si, acaba não percebendo o que tá largado na própria cara. Confia no gato e não se liga que é do ser humano ter diversidade afetiva. No ponto que eu estou ela já tomou uma rasteira na sua auto confiança e o choque já deu pra ela dilatar as pupilas. Assertiva nas opiniões que envolvem a vida e relacionamento da mãe Áurea (Yara Amaral) não aproveita seus conhecimentos (teóricos) sobre relações afetivas em relação a si própria. Como se diz, é raro, mas acontece muito. Falando em Yara Amaral não me recordo de uma atriz de nossas telinhas e telonas tão italiana. Ela é muito intensa, e senhora de águas profundas. A sua Áurea é um mergulho em emoções muito intensas que ela vai trazendo a superfície ora aos trancos e barrancos ora com uma intensa delicadeza, suas cenas na boate que frequenta a tarde com um homem pra lá de casado mas que tal o peixe que não enxerga a água na qual vive, ela não vê, e a sugestão sexual dos toques das mãos de ambos é de uma sutilidade afrontosa. Yara Amaral é da mesma cepa das grandes italianas, se estivesse ainda entre nós, talvez tivesse atingido o topo de uma Anna Magnani, um ícone de uma dimensão tão grande que quando partiu provocou uma comoção nacional no seu país. Não, não morro de amores pela Áurea, mas a arte da sua intérprete é aula pra qualquer aspirante a sua profissão. Alberico do grande Mário Lago sofre de delírios de grandeza com picos de desejos inconfessos pelo fracasso. Tem idéias boas. Mas que mal geridas terminam em abortos que mal ultrapassam 22 semanas. Sua ideia em andamento de ter uma agência de frota de táxis lembra um pouco ou muito o modelo de Uber atual. Há de se dar crédito também a atriz Lourdes Mayer que faz sua esposa. Ela conseguiu um tom pra personagem que faz de dona Esther uma simpatia. É a personagem que mais contracena com a Marlene, personagem com muita personalidade feita pela querida Chica Xavier, que infelizmente tem poucas cenas, mas sendo uma atriz de presença tão marcante, jamais passa despercebida. Carminha (Pepita Rodríguez) é um sonho de tão gente fina que é. Amante de viúvo enrolado e chantageado para assim permanecer (Cláudio Corrêa e Castro) tem a vida que inúmeras outras pessoas muito gente boa tem: vive se fodendo por conta de querer ajudar/salvar os outros. Um pouco do individualismo da sua amiga Julia iria lhe fazer muito bem. Falando em Julia não tem como não falar de Marisa… Que figurinha egoísta. É um desfile de tudo que uma pessoa pode ter e ser de desagradável. No momento a inveja que está sentindo da sua amiga Vera Lucia (Lídia Brondi) a está dominando. Possuída pelo desejo de ser modelo fotográfico como Verinha que conseguiu por meios próprios (beleza/carisma) não consegue se conformar com o não que recebeu pra ter sua imagem cristalizada em foto de revista. É desagradável e tem a quem puxar. Ainda não aceita a mãe solo que a deixou aos cuidados da tia ao ser presa. Antes que eu me esqueça, adorei a cena em que Julia ao falar sobre a filha com Caca e ser perguntada sobre o pai da jovem, com uma sinceridade elogiável diz que não sabe quem é. Esse ‘não sabe’ no sentido de diversidade mesmo. Tinha 17 anos quando foi mãe. E quem já foi jovem sabe como as coisas podem ser bem intensas e bem vividas nessa fase. Contínuo fã da personagem Alzira da atriz Gracinda Freire e da própria atriz. É uma figura. Funcionária pública quer uma perna cabeluda (masculina) pra chamar de sua. Torço pra que encontre uma e tenha um final feliz. Hélio personagem de Reginaldo Faria vem mostrando que ser descolado depende muito de com quem se está. Depois de passar a novela flanando se envolveu com Verinha bem mais jovem que ele e o ciúme (nome da insegurança afetiva nas mulheres e sexual nos homens) vem lhe tirando a paz, a tranquilidade e o sono. Impossível não comentar: como Lauro Corona (Beto) era bonito. E trabalha bem! Gal Costa veio em festa na casa de Julia e cantou. Que loucura! A Gal era muito informal. Era outra persona. Lembrou algumas colegas da minha adolescência, no jeito e na aparência, todas maconheiras. Falando nisso, a Julia tem um spray no seu ap chamado anti-caretice, que pra bom entendor, não é necessário dois pingos nos iiss… Tem gente que curte incenso, da uma amenizada também no odor indescritível… Gal cantou, Mada (Neusa Borges) também, e mandou bem… Se o ap da Julia (quem é o ator gato que faz seu mordomo Roberto?) virou o point dos loucos, descolados (e endinheirados), o da Yolanda repousa na solidão. Após se separar do querido Horácio (José Lewgoy), tentar uma união com Hélio e ver seu sonho de unir o útil (dinheiro) ao encantador (amor) fracassar, começa a caçar homens endinheirados que a possam querer… Incrível, ela não desceu, ela despencou mesmo… Adorei o comentário da sua melhor amiga, a socialite Bibi (Mira Palheta) “Yolanda passou a não ser mais convidada pra jantares, porque se separou, e quando uma mulher se separa, as outras mulheres podem se sentir ameaçadas.” Resumiu bem (foi mais ou menos com essas palavras). Mas deixou claro porque divorciadas nessa época eram sempre coladas em adjetivos poucos simpáticos. Gosto muito da atriz Cleyde Blota (Emília) que voz que essa mulher tem. É puro mel. Muito agradável. Sua personagem muito bacana é sócia da Solange (Jacqueline Laurence) que se transformou na primeira atriz (e espero que a última) que morreu enquanto eu assisto a novela. Meio esquisito isso. Emília é a mãe do Raulzinho (Eduardo Tornaghi) que foi fazer a vida como médico num lugar distante e voltou (e foi de novo) muito gato. Vou finalizar comentando sobre a entrada do (Arthur) Mauro Mendonça. Que ator de presença! É um ator que frequenta nossas salas a décadas, sempre assim, mas que eu não conhecia nenhum trabalho dele na TV dessa época. Dona Flor e seus Dois Maridos” (1976) é um clássico do cinema e do meu coração de cinéfilo. Ele é um dos maridos. Mas ver ele em cena depois de tanto tempo e nesse clássico das telinhas está sendo muito top. Concordo plenamente com o que o Arthur fala pra Julia sobre ela ficar com o Caca e serem felizes para sempre: “não vai dar certo”. Dancin’ Days não é perfeita, mas, é uma novela foda, que todo mundo que curte acompanhar uma boa história, bem contada, dirigida e interpretada com um elenco tão gigante, devia conhecer. Ou rever.

Paulo Al-Funs, autor