Filmes/2026

Passando aqui pra indicar 03 filmes que assisti recentemente, pra quem já assistiu a muito tempo, vale rever, pra quem não conhece, uma boa viagem…

Preciosa: Uma História de Esperança (2009)

Cartaz de “Preciosa”

O longa narra a trajetória de Precious uma jovem estudante que sonha em ser uma celebridade mas na vida real sofre as muitas dificuldades de ter um corpo com mais volume que gostaria, e por conta disso ser ridicularizada na escola, na vizinhança, e passar por tormentos inimagináveis dentro da própria casa. Nada é fácil pra ela. O mundo real é muito duro e as pessoas deste mundo movidas a crueldade não lhe favorecem… Preciosatoca em temas extremamente sensíveis (o filme é de 2009, portanto já estava antecipando assuntos que explodiriam nos anos por vir). A história em si se passa na década de 1980, e é espantosa como parece agora… Gabourey Sidibe dá vida a Precious e é impossível imaginar outra atriz fazendo a personagem. Mas o meu olhar especial vai para Mo’Nique a atriz (com letras garrafais) que faz a genitora de Precious, desde já uma das maiores e mais horripilante interpretação de uma “mamãezinha querida” que eu já assisti na tela. Assisti a cerimônia em que ela ganhou o Oscar (uma das vitórias mais justa da Academia) e o discurso que fez. A mulher é foda. O filme é majoritariamente realizado por artistas negros Lee Daniels (direção), Geoffrey Fletcher e Sapphire (roteiro), Tyler Perry e Oprah Winfrey entre os produtores. No time de elenco formado por atores e atrizes negros, pardos e latinos talentosos para minha surpresa (não reconheci em momento algum) estavam Mariah Carey e Lenny Kravitz, estrelas da música que mandaram muito bem em suas atuações!

Vale conhecer!

Gabourey Sidibe (Preciosa)

Precious…

A pior genitora da tela…

Escola alternativa

Com as colegas de classe Amina Robinson, Angelic Zambrana, Stephanie Andujar

A surpresa Mariah Carey

Mais surpresa… Lenny Kravitz

Gabourey Sidibe e Mo’Nique

Corra! (2017)

Cartaz de Corra!

Corra! me chamou atenção fins do ano passado quando vi um trailer do filme no meu Insta… Resumo básico sem spoiler… É um horror psicológico daqueles bons que eu não assistia a muito tempo… Jovem num relacionamento afetivo viaja com a namorada para conhecer seus pais… É o tipo de história que se for usar o lugar comum, da pra dizer que tem muitas “camadas”… O cineasta (Jordan Peele) criou aquela atmosfera típica de filmes dos anos 80 (aqueles filmes que nós os expectadores sabiamos que tinha um monstro à solta, mas os personagens do filme, não, e que quando se encontrassem, ia dar ruim) que deixava “a gente” arrepiado com o que não aconteceu mas estava por vir… Pois você se arrepia desde o princípio com Corra! A primeira parte é perfeita… A segunda é inacreditável na sua ousadia… o roteirista que é também o diretor jogou uma ficção barata típica de filmes B dos anos 50, acrescido de temas sociais muito importantes no nosso momento (racismo, classismo, cordialidade à brasileira, “desconstrução” de preconceitos), aliado com o elemento “medo” (que começa induzido pelo título) chegamos a esse filme realmente bom, muito bom. É um experimento que deu certo. Nas mãos de um cineasta não tão habilidoso, poderia ter virado um desastre, nas mãos de um diretor de primeira linha, virou um longa que se assiste arrepiado. Olhar especial para o Daniel KaluuyaCorra para conhecer…

Daniel Kaluuya e LaKeith Stanfield (de costas)

Daniel Kaluuya e Allison Williams

Cordialidade à brasileira

Catherine Kenner

Betty Gabriel

Lil Rel Howery, o herói

Morra, Amor (2025)

Cartaz de “Morra, Amor”

É um filme que quero rever. Quando o filme me parece e tem elementos que pode ser melhor do que a primeira impressão que eu tive, é algo que eu me permito. O Filme: Jovem casal vai morar na casa abandonada de um parente morto, com as ilusões que todo tipo de mudança permite, mas, em algum momento a realidade (rotina) caí sobre eles, e pesa a tal ponto que parecem não ter como escapar, sendo que a personagem feita pela Jennifer Lawrence é a que mais padece, deslizando rapidamente para abismos cada vez mais profundos… Relações entre casais que vão se tornando densas sempre estiveram presentes na tela, mas, aqui faltou (pra mim) o fator identificação. E também não senti empatia alguma por eles. O que gostei realmente foi da presença da Sissy Spacek (que faz a mãe do Robert Pattinson), e tem no elenco também o astro veterano Nick Nolte (na ativa com 84 anos!). Pra quem curte histórias densas, vale conferir.

Em público tudo é lindo…

… mas, lágrimas escorrem longe dos olhares alheios…

… quando seu parceiro também não sabe como mudar…

… e você chega num ponto que quer se auto-finalizar…

… é melhor desabafar…

… ou encontrar outro alguém pra trepar…

… nunca esquecendo, que nem todos os casais, foram feitos para durar…

… e que o amor um dia pode se transformar…💔

Paulo Al-Funs, autor

E Deus Criou a Mulher (56)

Demorou, mas finalmente assisti esse longa que transformou Brigitte Bardot em mito, estrela, ícone do cinema e da vida de muitos/as. Era um filme que eu realmente queria conhecer, sempre tive curiosidade, e é um bom filme da forma mais redonda e positiva de se dizer. E ela realmente me encantou. Mas foi um encanto que foi acontecendo porque ela vai te ganhando aos poucos. Ela está muito jovem (21 anos na época da realização) e atua muito bem. Tem um cabelo longo-loiro-ondulado, um corpo muito bem delinhado, e é visível porquê caiu nas graças do mundo (literalmente). Ao que se consta depois de MM (Marilyn) foi a maior sexy simbol da época.

Spoilers? Vários

O Filme: Jovem (Brigitte) passeia pela tela provocando intencionalmente os homens que encontra. É assediada e flerta com eles, não faz o tipo puro-ingênuo-sexy, ao contrário, é uma jovem femme fatale que sabe o que quer e o poder que têm. É lasciva, mas realmente curte um cara que descobre que só afim de usá-la sexualmente para depois a descartar. Para evitar ser ‘devolvida’ ao orfanato, se casa com o jovem irmão do seu crush, contra a vontade de todos que a tem como fácil (é um filme dos anos 50) e é claro, teremos um pouco de drama por vir… O cunhado (ex-love) é um canalha (Christian Marquand), impossível de se ter qualquer simpatia por ele, seu irmão, o noivo amado, é um cara tímido, puro, e bem bonito, que gosta e a aceita como ela é, ele não a quer mudar e o legal é que ela vai fazer a sua parte (mesmo sendo contra a sua natureza) de ser fiel a esse homem. Ela é muito avançada, cheia de vida, de fogo, selvagem, mas aceita ficar naquela família onde a mãe (sogra) tenta enquadra-la até que o canalha que havia partido retorna e… JeanLouis Trintignant da um show. O muleke trabalha um tipo que qualquer outro ator teria dificuldade. É um casal perfeito em cena, ambos a cara dos seus personagens. Marquand está tão bem que a antipatia pegou. Curd Jürgens que não conhecia também tem presença. Roger Vadim é um cineasta que eu gosto (é o segundo longa seu que assito no ano), ele é muito elegante, visualmente nos apresenta imagens de primeira (cópia perfeita possivelmente restaurada), seus filmes tem fogo, pique (não são frios longas franceses), dirige bem, é um cineasta que me ganhou… A cena final com Juliete dançando entre lágrimas e com consciência da decepção que provocará a si e aos outros, mostra que ela tem coração, assim como seu amor…

Onde assistir? YouTube

Brigitte Bardot partiu. Qualquer leitor que já correu minimamente seus olhos pela Curtipoesia sabe que eu não faço homenagens, não por não sentir, mas por pura dificuldade minha em escrever sobre alguém que eu admiro/curto o trabalho e que acabou de nos deixar. Brigitte transcendeu. É impossível ser cinéfilo, e ser cinéfilo é ter um amor pelo cinema que se inicia muito cedo na vida, e não ter contato com o nome, a marca Bardot. Pessoalmente admiro toda e qualquer pessoa que vive ou viveu sua vida sem estar a disposição da opinião dos outros. Bardot além do cinema viveu como quis. Firme, forte, independente. Humanamente cheia de defeitos visíveis. Admirava a coragem dela de cair fora da sua arte antes de completar 40. Dizia que o fogo do cinema era muito forte, se continuasse estaria morta como outras atrizes/estrelas que não conseguiram lidar bem com suas vidas e carreiras. Preferiu deixar do que ser deixada. Colocou o Brasil na sua história pessoal. Muito antes de muitos já estava preocupada com a causa animal. Tretou feio e publicamente com outra grande estrela nos anos 90 por ela desfilar com casacos de pele autênticos, deixando bem claro que quem tem o poder de influenciar também tem responsabilidade sobre o que influencia. Sempre achei admirável o fato de uma das mulheres mais atraentes da sua época se recusar a fazer plástica. Foi até o fim com seu rosto original envelhecido naturalmente. Enes paixões. Uma vida pública que causava, como qualquer grande estrela que se preze. Assumiu que nunca teve instinto materno. O único filho que teve entregou para o pai criar. Verdadeira sempre. 2025 vai chegando ao fim, e levou muita gente interessante. Brigitte Bardot entre elas.

Assisti “E Deus Criou a Mulher” em 15/09/2021 – época do texto acima. E indico a todos. Vale conhecer.

Brigitte Bardot, nasceu em Paris no dia 28/09/1934 às 13h15 da tarde. Tem o sol ☀️ em 04°41 de ♎, a 🌚 12°02 de ♊ e o ASC a 15°23

Paulo AlFuns, autor