Patéticos a fofocar…

Zé povinho 
adora comentar
não resiste
ao fetiche
que minha pessoa
está sempre
a lhes inspirar

Acorda Zé Povinho
as suas fantasias
não quero
e não vou
realizar

E não adianta
criar histórias
por mais toscas
que sejam
É uma forma
deprimente
que vocês criaram
pra se auto-alimentar...

Ahhh, não me
deixem de enviar
o vídeo
quero ver também
o que sua imaginação
foi inventar...

Paulo Al-Funs

Os vivos , os mortos, o Tempo

Os mortos
caminham,
sem parar
Numa festa
alegre,
onde as visitas
os veem encontrar

Caminham
ao lado
dos entes queridos
Caminham
cheios de saudade
Que não tem
Tempo, e nem lugar

Na hora
da partida,
os visitantes
sem saber
levam seus mortos
a passear,
para rever e encontrar
seu antigo lar...

Paulo Al-Funs

Não aguentou esperar, e foi na calçada gozar…

O bofe chegou 
sem avisar,
Desceu da moto
E foi ao lado
do seu prazer
deitar
Ele estava num estado
louco de tesão,
Foi logo acariciando
a parceira,
com emoção
Não conseguiu aguentar
E ali mesmo
na calçada,
na luz da manhã
Começaram a trepar...

Só não sabiam
que havia pessoas
a gravar,
e logo seu vídeo
Iria viralizar...

Paulo Al-Funs

❣️ uma singela homenagem aos personagens de Santos e suas peculiaridades…

O caminhar

O homem caminha 
com a coroa de flores
sobre a cabeça
Atrás da orelha
outra ou uma, flor
símbolo de sua meta
seu sinal de paz

O homem extremo
Quer garantir o seu lugar
Por isso passeia,
para lá e para cá
sem jamais se firmar
Passeia, para ver
o tranquilo lugar
onde um dia, construirá
o seu irremovível lar

O homem sossego
Que fala em silêncio
Não sabe o amanhã
Sabe que não pode descansar
Por isso está sempre
à caminhar...

O homem silêncio
Na paz do seu sossego
simboliza o extremo
de passear, sem se firmar
com seu simples florear...

Paulo Al-Funs, poeta

Da safra poesias esquecidas em velhos cadernos 11/09/2000

Poesia simples, curta, e fina

Não, eu não desejo 
mal a você
Por mais
que uma parte
de mim,
Ficaria feliz
em saber,
que um carro
te atropelou
e na sequência
um caminhão
não parou
e logo,
por cima de você, passou
Não, eu não desejo
mal a você...

Paulo Al-Funs

A Terra

Calor de arrasar
Chuvas em outro,
lugar
A natureza
é diversa,
e aplica
a cada dia
o melhor
e o pior,
que há

A Terra
respira
e solta
sua brisa
É uma guerreira,
resiliente,
Difícil, imaginar
um planeta
cujos filhos
não cansam,
de machucar

A Terra
caminha,
em seu lento,
pulsar
Já não respira
direito
e o que vemos,
é o reflexo
do seu silenciar...

Paulo Al-Funs

Maestria

Circulam as palavras, no ar
Circulam os ventos
Que até a mim
as fazem chegar

Circulou o homem
Por inúmeros caminhos
Que um dia o trouxe
No lugar aonde está

Circula a vida
E o livre ser
Porque eterno é o homem
Em seu renascer

Circularam as idéias
as liras, e o entardecer
Circularam a poesia
as virtudes, e o amanhecer
Circulam as luzes
Mesmo quando a escurecer

E é assim, que o
absoluto é feito
Livre, e liberto
Pois, sem Liberdade
Não haveria sentido, algum
Em se viver

Paulo Al-Funs

☆ “Maestria” originalmente publicado na antologia poética “Timor Esperança“, 2000 (Shan Editores)

Queen Afro

A rainha afro 
tem um sorriso
grande, luminoso

A rainha afro
é uma amiga querida,
uma pessoa daora
que me da grande prazer
em jogar conversa fora...

A rainha afro
tem um cabelo brilhante,
ainda não cacheado,
mas mesmo escovado
é todo encorpado...

A rainha afro
com seu Sol em escorpião,
é pura combustão
com seu peito tatuado
e um rosto em forma de coração
a impressão presente
de seu ascendente,
no signo de leão...

Paulo Al-Funs - versista autor de "Curtipoesia" (2021) via ed. Clube de Autores