Demorou, mas finalmente assisti esse longa que transformou Brigitte Bardot em mito, estrela, ícone do cinema e da vida de muitos/as. Era um filme que eu realmente queria conhecer, sempre tive curiosidade, e é um bom filme da forma mais redonda e positiva de se dizer. E ela realmente me encantou. Mas foi um encanto que foi acontecendo porque ela vai te ganhando aos poucos. Ela está muito jovem (21 anos na época da realização) e atua muito bem. Tem um cabelo longo-loiro-ondulado, um corpo muito bem delinhado, e é visível porquê caiu nas graças do mundo (literalmente). Ao que se consta depois de MM (Marilyn) foi a maior sexy simbol da época.
Spoilers? Vários…
O Filme: Jovem (Brigitte) passeia pela tela provocando intencionalmente os homens que encontra. É assediada e flerta com eles, não faz o tipo puro-ingênuo-sexy, ao contrário, é uma jovem femme fatale que sabe o que quer e o poder que têm. É lasciva, mas realmente curte um cara que descobre que só tá afim de usá-la sexualmente para depois a descartar. Para evitar ser ‘devolvida’ ao orfanato, se casa com o jovem irmão do seu crush, contra a vontade de todos que a tem como fácil (é um filme dos anos 50) e é claro, teremos um pouco de drama por vir… O cunhado (ex-love) é um canalha (Christian Marquand), impossível de se ter qualquer simpatia por ele, seu irmão, o noivo amado, é um cara tímido, puro, e bem bonito, que gosta e a aceita como ela é, ele não a quer mudar e o legal é que ela vai fazer a sua parte (mesmo sendo contra a sua natureza) de ser fiel a esse homem. Ela é muito avançada, cheia de vida, de fogo, selvagem, mas aceita ficar naquela família onde a mãe (sogra) tenta enquadra-la até que o canalha que havia partido retorna e… Jean–Louis Trintignant da um show. O muleke trabalha um tipo que qualquer outro ator teria dificuldade. É um casal perfeito em cena, ambos a cara dos seus personagens. Marquand está tão bem que a antipatia pegou. Curd Jürgens que não conhecia também tem presença. Roger Vadim é um cineasta que eu gosto (é o segundo longa seu que assito no ano), ele é muito elegante, visualmente nos apresenta imagens de primeira (cópia perfeita possivelmente restaurada), seus filmes tem fogo, pique (não são frios longas franceses), dirige bem, é um cineasta que me ganhou… A cena final com Juliete dançando entre lágrimas e com consciência da decepção que provocará a si e aos outros, mostra que ela tem coração, assim como seu amor…
Onde assistir? YouTube
Brigitte Bardot partiu. Qualquer leitor que já correu minimamente seus olhos pela Curtipoesia sabe que eu não faço homenagens, não por não sentir, mas por pura dificuldade minha em escrever sobre alguém que eu admiro/curto o trabalho e que acabou de nos deixar. Brigitte transcendeu. É impossível ser cinéfilo, e ser cinéfilo é ter um amor pelo cinema que se inicia muito cedo na vida, e não ter contato com o nome, a marca Bardot. Pessoalmente admiro toda e qualquer pessoa que vive ou viveu sua vida sem estar a disposição da opinião dos outros. Bardot além do cinema viveu como quis. Firme, forte, independente. Humanamente cheia de defeitos visíveis. Admirava a coragem dela de cair fora da sua arte antes de completar 40. Dizia que o fogo do cinema era muito forte, se continuasse estaria morta como outras atrizes/estrelas que não conseguiram lidar bem com suas vidas e carreiras. Preferiu deixar do que ser deixada. Colocou o Brasil na sua história pessoal. Muito antes de muitos já estava preocupada com a causa animal. Tretou feio e publicamente com outra grande estrela nos anos 90 por ela desfilar com casacos de pele autênticos, deixando bem claro que quem tem o poder de influenciar também tem responsabilidade sobre o que influencia. Sempre achei admirável o fato de uma das mulheres mais atraentes da sua época se recusar a fazer plástica. Foi até o fim com seu rosto original envelhecido naturalmente. Enes paixões. Uma vida pública que causava, como qualquer grande estrela que se preze. Assumiu que nunca teve instinto materno. O único filho que teve entregou para o pai criar. Verdadeira sempre. 2025 vai chegando ao fim, e levou muita gente interessante. Brigitte Bardot entre elas.
Assisti “E Deus Criou a Mulher” em 15/09/2021 – época do texto acima. E indico a todos. Vale conhecer.
Brigitte Bardot, nasceu em Paris no dia 28/09/1934 às 13h15 da tarde. Tem o sol ☀️ em 04°41 de ♎, a 🌚 12°02 de ♊ e o ASC a 15°23♐
Brigitte…Michel e Juliete casório…A sedução de Marquand…Cheia de vida, de fogo…
Eu já tinha assistido aos 02 primeiros filmes da Trilogia das Cores (A Liberdade é Azul, 93 e A Igualdade é Branca, 94) do cineasta Krzysztof Kieslowski. A terceira parte até ontem, não. Gostei como havia gostado dos outros. É um filme intimista. E era o que meu estado de espírito queria. O filme: Segue a estrutura dos anteriores. Isto é, a vida é unida por um fio invisível que quer você tenha consciência ou não, nos faz estar todos conectados. Estando todos ligados, o que afeta um, vai chegar ao outro. A jovem Irène Jacob mora sozinha, mantém um relacionamento com alguém que está mais voltado para sua carreira (e portanto não a prioriza), vive uma vida independente, mas com um olho nos seus, um tanto preocupada com os altos e baixos do cotidiano familiar. Seu desejo de cuidar aflora ao atropelar Rita uma doggrávida, que salva ao levar para a veterinária a tempo de ser costurada, e que por conta do acidente também vem a conhecer seu tutor (não vou chama-lo de pai bichológico porque ele não é) ao qual Rita mantém sua fidelidade canina. Temos um tema canceriano para o qual o cineasta (do signo solar do caranguejo) tem na personagem Valentine um veículo pra sua expressão natural (o tema família, lar, cuidar, filhos é de extrema importância para as pessoas desse signo) do seu sol natal. Não correspondida pelo namorado ausente e pouco afetivo, longe do lar original, vai encontrar em Rita e seu idoso (e solitário) tutor, o objeto das suas atenções afetivas. O senhor é feito pelo grande Jean–Louis Trintignant, um juiz aposentado dado a atividades não lícitas, e que por ter exercido a profissão de julgar os outros “e decidir o que é verdade” como ele fala, também tem um conhecimento mais profundo da natureza e caráter humano. Enxerga a vida como ela é. Paralelo a essa história, transcorre a vida de Auguste (Jean–Pierre Lorit) também futuro, quiçá promissor juiz e sua parceira cujos caminhos (destino) sem ao menos saberem, estão sempre a se cruzar com a da jovem Valentine. Auguste, o apaixonado, é pai de pet e uma das cenas mais tristes se dá entre ele e seu filho peludo.
É um filme europeu emotivo, portanto, contido.
Podia ser melhor: a tela em wide em vez de cheia.
Ponto crítico: A imagem restaurada. Basicamente toda a primeira linha de cinema está sendo restaurada em 4K. Bacana. Só que ficou com uma imagem um tanto saturada (não é a palavra que queria usar, mas é a que surge) e em outros momentos está bem granulada.
Vale conhecer? Com certeza. Lembrando que o momento de assistir não vai ser quando tiver afim de ver uma comédia ou um filme de ação.
Astrológica
Jean–Louis Trintignant, nascido em Piolenc, França, às 7h00 da manhãdo dia 11/12/1930,com o ☀️ 19°02 ♐, a 🌚 05°18 ♍ e o ASC 28°39 ♋
Irène Jacob, nascida em Suresnes, França, no dia 15/07/1966, às 8h30 da manhã, com o ☀️ 22°22 ♋, a 🌚 14°17 ♊ e o ASC 29°08 ♌
Krzysztof Kieslowski, nascido em Varsóvia, Polônia, no dia 27/06/1941, com o ☀️ 05°21 ♋
Documentário. Eu já havia escutado esse nome Dzi Croquettes, sabia que tinha haver com dança, mas só. Que bom. Bom porque fui apresentado à eles, há poucos dias, a esse grupo fascinante que conquistou o Brasil e o mundo (ao menos a França) com sua forma revolucionária, diferente e inovadora de espetáculo. A arte brasileira (puramente)… também tinha conhecimento que houve um Lennie Dale, mas, nunca tinha imaginado o tão grande ele foi, através desse documentário, tão bem realizado, somos apresentados a essa trupe de artistas originais, diferentes, muito talentosos, disciplinados e que conseguiram não apenas marcar a época da sua existência (anos 70) mas tudo (direta e indiretamente) que veio depois, inclusive eu, e provavelmente quem possa estar lendo esse texto. Como as gírias que até hoje nós escutamos, e tão ligadas ao mundo gay (não vou colocar aqui todas as outras denominações porque pra mim tá tudo incluído), o comportamento, através da expressão livre e ousada da sua sexualidade, e principalmente, porque pessoas que viviam e vivenciaram a época e foram influenciadas por eles depois realizaram em especial trabalhos na arte que acabaram influenciando gerações de expectadores (isso nós descobrimos através dos depoimentos tocantes, sinceros, de várias personalidades ligadas a TV, ao teatro, que fizeram a cabeça de muita gente dos anos 80 pra cá… Eu particularmente cito o Ney Matogrosso, cujo primeiro disco dos “Secos & Molhados” foi importantíssimo pra mim quando o descobri nos idos de 1996… Não há muita imagem da época dos shows em si, mas a sensibilidade com que o filme foi conduzido, realizado da a impressão de se quase poder sentir e estar ali… Mérito dos realizadores (Raphael Alvarez e Tatiana Issa). Que ótimo que existam documentários, e que ótimo que eles estejam sendo realizados de forma excepcional apresentando figuras e artistas que foram e são tão importantes pra nossa história, lembrando uma frase que ouvi um dia “todos nós somos ‘produtos’ daquilo de que gostamos ou vivenciamos” posso dizer, que os “Croquettes” estão bem vivos, em todos nós, porque todos temos alguma coisa, das pessoas que viveram e foram influenciadas por eles… Imperdível… Muito bom.
A premissa é bem interessante. E poderia funcionar bem melhor se em vez de buscar fazer suspense fake, fosse realizado como um drama. Porque aqui temos um drama.
O filme: Jovem mulher preta após conversa com irmã onde relata seus perrengues, desaparece.
Ashley Madekwe (Neve)
Corta. Anos depois a encontramos vivendo em cidade no interior da Inglaterra. Agora ela é uma mulher endinheirada. A mudança se insinua como radical. Não a conhecemos de fato no início. Neve (é seu nome atual) está casada com um homem branco e é mãe de dois filhos mestiços. Ou pretos de pele clara como ela própria. Neve é uma pessoa conhecida e reconhecida na sua comunidade. Vice-diretora de uma escola de elite, filantropa dedicada a causa dos mais aflitos e desvalidos. Boa esposa e mãe, uma lady black. Negando suas raízes, sua raça e ancestralidade, se espanta quando uma amiga lhe diz “você é quase uma de nós”. E é aí que a realidade surge na vida de todo aquele/a pessoa preta que atinge um status social diferente e superior do seu status original. E isto é válido para as Neves da vida, como para todos/as aqueles pretos/as conscientes de suas origens e que sabem e tem orgulho de quem são. Em algum momento a pessoa é lembrada de que não nasceu naquele meio. Não é uma exclusividade referente a só as pessoas pretas, e existe desde que surgiram as separações sociais no mundo. Mas as pessoas pretas são obviamente as que mais vão sentir. F. Scott Fitzgerald tratou disso muito bem no seu esplendoroso “O Grande Gatsby” (o personagem branco que chega lá nos cumes da riqueza, mas não é e nunca será como os que nasceram nela). Aqui nesse filme (que está longe de ser uma obra significativa) a narrativa se torna muito importante porque é atualíssima. E espinhosa. Neve é uma mulher preta e não é porque sua pele é quase branca que ela vai conseguir passar batido das situações que se apresentam. Não importa as perucas de cabelo liso, a sua educação adquirida, a elegância britânica do seu comunicar. A pele é um limite social real, difícil de transpassar por mais condecorações que tenha no seu meio profissional e dinheiro na sua conta bancária. Neve não apenas renega sua raça, mais que isso, ela age como se realmente acreditasse que é uma mulher de pele branca, o que causa um constrangimento que fica palpável no ar porque os outros personagens não conseguem se posicionar de forma clara diante dela e ficam pisando em ovos quando surgem assuntos com pautas sociais/raciais atuais que estamos todos (ou deveriam) estar discutindo (ou ao menos se conscientizando) e colocando na mesa. Seus par de filhos adolescentes tem consciência e se definem como pessoas pretas. E pessoas pretas em busca de descobrir sua negritude como quando sua filha resolve assumir os cachos ou trançar os cabelos. Neve acredita que dinheiro resolve tudo, e não é por aí né…
o cineasta e roteirista Nathaniel Martello-White
Corta. Tudo na primeira parte tem um ar fake, o que a princípio pode incomodar, mas depois você percebe que intencionalmente ou não, tem tudo a ver com a pretensa realidade que ali é apresentada. Esta realidade é fake, por mais que todo o seu entorno seja real, ela é fake porque é baseada, observada e vivenciada por uma personagem que construiu sua história em bases irreais ocultada pelo manto da falsidade.
A 2° parte muda o filme. E é aí que você sente que tem um diretor. A 2° parte é rica, dinâmica, tem uma outra vibe. Há 02 personagens novos em cena. Dois irmãos (irmã/irmão) pretos retintos saídos diretamente de uma Inglaterra que não nos é apresentada. Poderiam ter saído diretamente de um algum gueto novaiorquino, pela semelhança do agir, se portar, se comunicar. São viscerais. Seguem a linha nós existimos, não estamos aqui pra pagar simpatia, e vamos ocupar o nosso lugar. O contraste é violento. O que se segue vai depender de cada um, se é bom ou ruim. E do olhar que cada pessoa tem a respeito da vida e das circunstâncias que ela nos molda a medida que a vivenciamos. Temos aqui um caso de vingança. E onde há vingança há sempre o conflito do que é justo ou não. Não é por menos (a sabedoria do universo é infinita) que em Astrologia a balança (símbolo da Justiça) está entre o crítico signo de (♍) Virgem e o temível signo de (♏) Escorpião. Um aponta, a balança simbolizada por (♎) Libra apazigua, decide, sela a paz ou entrega nas mãos do vingador (o que cobra). Em termos astrológicos a vingança não está relacionada a este signo (♏) especificamente, e sim ao elemento ao qual ele pertence – Água. Todos os três signos de Água são vingativos. O que muda é a forma que atuam.
Há uma armadilha no caminho. De um lado uma protagonista preta (de pele clara) que rechaça sua origem racial. Do outro pretos retintos reafirmando através do estereótipo da agressividade e violência aquilo que toda pessoa branca espera ver. E nesse quesito o filme e nós (pessoas pretas) saímos perdendo.
Um bom thriller, uma boa surpresa… Como sempre nos filmes mais recentes exibidos na Netflix, o elenco é semi ou totalmente desconhecido pela minha pessoa. E como sempre, parece haver uma aposta no talento e não necessariamente no talento acompanhado de carisma que faz um ator/atriz se tornar uma estrela. Esse me surpreendeu, perto de outros recentes que assisti é uma boa pedida pra quem curte suspense acompanhado de boas reviravoltas.
O filme: Jovem (Leighton Meester) vai para a Croácia se encontrar com velha amiga (Christina Wolfe) para reviver por conta da insistência desta uma solteirice que ficou para trás, deixando em Londres o esposo e a filha de colo. Não há nenhum mergulho aqui no sentido “estou deixando a família pra relaxar num momento só meu”. Não é por aí que corre a trama. A jovem é de responsa e só foi realmente curtir um fim de semana com a melhor amiga solteira e aventureira por natureza. Aqui a um, ou melhor dois senões. 1° ela é muita fria (chata) no sentido demonstração afetiva/euforia em relação a amiga e ao passeio que está realizando. Dá a impressão que está pagando pedágio. 2° essa mesma secura se apresenta quando o esposo surge de repente, quando a história toma o rumo que é seu – o do suspense. Resumindo: a protagonista é fria e mala. A amiga doidinha quer ação. Entenda-se por isso “eu quero trepar e quero que você (a amiga visitante) trepetambém”, afinal é um ode a antiga solteirice e foda-se se ela é casada “ele não precisa saber”. Até aí tudo bem, a maior parte da população universal já adquiriu o seu passaporte de mata atlântica. Após uma noite baladesca regada a você sabe o quê (lícitas e ilícitas) com dois bofes bem dispostos também a entrar em ação a moça some sem deixar vestígios e aí começa o drama. Amparada por um tipo interessante (Ziad Baki) começa a busca pela doidinha que quiçá possa ser encontrada viva e sã num roteiro (Sarah Anderson) que mistura tudo muito bem – descaso e descrédito quando vai registrar o desaparecimento, prostituição masculina (os bofes), cornice trocada, quebra de confiança, voyeurismo e um roteiro que explora bem o que pode ser classificado até como clichê mas que a cineasta feminina (Kim Farrant) leva bem e de boa (uma ou outra cena deixa a desejar, mas nada que atrapalhe o resultado final). Resumindo, vale conhecer e se entreter. Frase do filme: “Alalbek Daleek“ – “seu coração é seu guia”ditado sírio. Concordo plenamente”.
Christina Wolfe e Leighton Meester (melhores amigas)
Filme tcheco lançado no início dos anos 70, do qual eu nunca em toda minha vida de cinéfilo havia lido nada a respeito e jamais pelo que me lembre tinha ouvido falar. Seu diretor uma novidade completa pra mim. Em preto/branco, wide, numa cópia boa. O filme: Nos idos de 1600, uma anciã é vista numa atitude considerada suspeita e ao ser questionada sobre seus atos é considerada suspeita de bruxaria, e para se ter certeza é chamado um famigerado inquisidor pra saber a “verdade”. Do momento que ele chega à cidade a vida dos seus moradores jamais será a mesma. Com a boa vontade que aqueles que adquirem um posto pra realizar um trabalho, o abominável está sedento pra mostrar serviço. A começar pela citada idosa, muita gente vai desfilar diante desse indivíduo e do seu conselho. Com realidade, e clareza vai se desnudando um recorte de um dos períodos mais sinistros da história da humanidade. Numa escalada sem fim a partir da idosa inúmeras pessoas vão sendo acusadas de praticarem bruxaria. O modus operandi é bem conhecido por todos aqueles que são amantes de atrocidades. A pessoa suspeita é levada até o inquisidor e seu conselho, após serem feitas perguntas e negadas a conversa que eles gostariam de ouvir é iniciado o processo de tortura, quando as pessoas não aguentavam mais as dores e sofrimentos causados (ossos quebrados, dedos esmagados, corpos esticados em rodas e o que mais fosse necessário), elas começavam a mentir a mentira que eles queriam que elas contassem envolvendo outras pessoas, o que indica que havia pessoas que estavam na mira da sua maldade. O negócio vai atingindo tal descalabro que só vai aumentando o número de pessoas acusadas, torturadas, e queimadas vivas. Há 02 motivos básicos pra isso. O primeiro é o sexo. Talvez por nunca ter me debruçado pra estudar, pesquisar com profundidade o que havia sido a Inquisição eu nunca tinha me ligado de como a sexualidade influiu nesses acontecimentos. As mulheres elas eram apontadas, acusadas, presas e violentadas dentro das prisões. Eram mulheres idosas, maduras, jovens virginais que eram arrancadas do seu lar, jogadas numa prisão soturna e estupradas antes, durante e após as sessões de tortura. Sim, e se você fosse mulher, bonita, atraente havia grande chance de você ser presa e destruída. Diz a sabedoria que o peixe só sabe falar do que tem dentro do seu próprio aquário, pois é, aqui essa realidade se faz presente. Aqueles lixos babando a luxúria, sedentos de desejos sexuais e que falavam que aquelas pessoas praticavam feitiçaria, acusavam no outro o que vivia muito forte dentro de si mesmos. Sim, as confissões tinham todos o mesmo padrão e roteiro. Em todas as pessoas tinham que confirmar que estavam num surubão, onde tudo (sexualmente) era permitido entre eles. Era esse o padrão-confissão. Sexo com o demônio, sexo pagão, sexo pra se divertir. Fica claro através dos textos dos acusadores que se você fosse uma pessoa mais tímida ou mais conservadora não conseguiria se dedicar a bruxaria porquê o quente nela, o que te torna um bruxo é a trepação. Que história mal resolvida que a humanidade tem com o sexo. A zica começou mal resolvida no Éden e chegou com toda tranquilidade aqui no século 21. Outro fator que fez a Inquisição prosperar é a ganância, a famosa ambição sem limites. A perversidade: após serem acusadas do crime que não cometeram e serem presas se inicia o processo contra a/o cidadã/o. Processos custam dinheiro. Quem pagava por eles? Ora o próprio acusado (o bruxo/a em potencial)! Sim, a pessoa é presa, torturada e morta pegando fogo viva e ainda tinha que pagar por isso. Como? Ora seus bens eram confiscados e vendidos ou ficavam a disposição das autoridades responsáveis pelo trabalho de um Inquisidor. Por isso era interessante acusar também pessoas abastadas financeiramente. Outras táticas que aprendemos é que a tortura tem graus e você jamais poderia aplicá-la em seus graus mais elevados de uma única vez (num único dia) pra evitar que a desumanidade atingisse o limite (a morte do torturado). É claro que isso não era impedimento. A única pessoa disposta a combater o sinistro dos fatos era o padre. Até que ele próprio é acusado e incrédulo vê algumas mulheres o acusarem. Sem entender o porquê elas faziam isso com ele se recordou do que lhe disse um dos poucos que estava a seu lado, um advogado “eu trabalhei durante anos com a lei, jamais subestime o poder da tortura”. Outro método típico dessa classe de pessoas teve muito sucesso nos anos 50 nos Estados Unidos (período que ficou conhecido também como “caça as bruxas”). Foi utilizado largamente por um político infame e causou um mal enorme pra milhares de vidas. O método: você é acusado de algo, e não pode ser defendido por ninguém, porque quando alguém vai te defender imediatamente essa pessoa também passa ser um alvo (afinal se ela está defendendo algo que teoricamente está errado é porque ela também tá no meio, quer dizer tá errada também). Vira uma loucura! Eu não posso defender aquela pessoa que está sendo injustamente acusada de algo porquê senão eu sou culpado também!!! Esse político americano se valeu desse método e mergulhou o próprio país numa era sinistra de perseguição contra qualquer pessoa que era “um inimigo”. Inúmeras pessoas perseguidas, sem trabalho e ter como ganhar a vida. Inúmeras pessoas do cinema tiveram que pegar suas malas, suas famílias e buscarem ajuda na Europa pra poderem continuar trabalhando e terem dinheiro pra se sustentar. Umas duas semanas antes de assistir esse filme eu tinha revisto “O Sétimo Selo” do Ingmar Bergman um filme de 1957. Nesse filme (cópia restaurada perfeita) um nobre está voltando pra casa na companhia do seu escudeiro depois de ter lutado durante anos nas Cruzadas. A peste está por todo lugar. Numa das cenas uma moça está sendo levada amarrada pra ser queimada viva acusada também de bruxaria e de trepar com o diabo. A jovem do filme do Bergman parece mais uma princesa nórdica famélica e desnutrida. Mas tá inteira. As mulheres levadas a fogueira no “Martelo“ estão arruinadas fisicamente, emocionalmente, moralmente, sexualmente. Há uma outra cena em que o escudeiro vê chegar uma romaria, tipo procissão e pergunta “como é que a modernidade pode acreditar nisso?” Bom, fé não se discute jamais. Agora o fato é que estamos no século 21, e a “modernidade” atual inclui muito, mais muito mesmo de temas que já deviam estar superados mas que continuam circulando vivíssimos por aqui. Se você fizer um exercício mental básico com muita tranquilidade vai ver que tudo que eu citei e comentei ali encima, tá bem aqui, aqui e agora.
“O Martelo das Bruxas” do cineasta tcheco Otakar Vávra, assim como o “O Sétimo Selo” do cineasta sueco Ingmar Bergman estão no YouTube.
Foi a terceira vez na minha vida que eu assisti “Pixote” e como todas as anteriores também impactante, olhando agora percebo que em fases muito distintas da minha vida, na primeira eu era uma criança, na TV nos velhos festivais de cinema acho eu, já não tenho certeza, quando se exibia na emissora mais popular filmes brasileiros e outros mais em horários assistíveis, isso nos anos 80, e eu criança de tudo já ligado nos filmes, depois nos 90 adolescente em vídeo, me lembro desse dia, na época passava uma novela com Marília Pêra, e quem assistia junto ficou em choque com sua personagem que era o oposto total da sua personagem ingênua da novela, agora novamente revejo esse clássico absurdo de tão bom, tão duro e cruelmente realista e o pior depois de tanto tempo atemporal ou simplesmente ainda atual (?),“Pixote“ me lembra “The Wall” do Pink Floyd, última obra-prima da banda e que eu escutei muito, mas só por um breve tempo da minha juventude, um tempo que eu tava bem em baixa comigo mesmo, muito deprê, e foi a trilha sonora perfeita daquele período, mas logo saiu de cena, passou e eu nunca mais consegui ouvir esse disco novamente, só no rádio quando rola uma música ou outra aleatoriamente, “Pixote“ tem isso, evoca isso em mim, um filme pra se assistir, conhecer, ver a sua perfeição mas mergulhar nela, não…
O filme: narra a história de vários garotos jovens todos adolescentes ou nem isso, numa típica casa de detenção, com todos os abusos, e horrores que se pratica nesse tipo de lugar, cometidos por quem devia cuidar deles, de quem deveria estar ali pra fazer com que eles pudessem ter uma chance ao menos que seja de conseguirem um retorno pra uma vida dita normal com sua família, na sociedade, mas não é o que sucede, o terror físico e psicológico está sempre a espreita, sempre a disposição de uma punição, sempre aguardando a oportunidade de se livrar em nome do Estado de mais alguém que não se quer cuidar, tratar, ensinar… Numa noite de revolta muitos fogem e seguem pra mais uma caminhada de incertezas, só que dessa vez nas ruas, levando consigo sonhos desfeitos e verdades impuras, levando consigo a expressão do ódio com o qual foram cultivados durante tanto tempo numa rotina de terror e desamor sem fim… o filme tem interpretações de gigantes dos atores que fazem os internos, eu tô pra ver um filme brasileiro que tenha conseguido extrair esse grau de interpretação de um elenco tão jovem que fica pau a pau com o elenco de feras com os quais eles contracenam, o filme foi indicado ao prêmio de melhor filme estrangeiro e por questões técnicas não pode concorrer ao Oscar também de melhor filme estrangeiro, mas correu o mundo e mostrou uma realidade tenebrosa de um aspecto social nosso, Brazil, que até hoje não se tem por resolvido… Indispensável… tá no YouTube….
Gilberto MouraEdílson LinoJorge Julião
Eu convidei e o ator Jorge Julião que faz a inesquecível Lilica aceitou responder as minhas indagações sobre o filme, conforme o combinado segue as perguntas e respostas tal qual foram feitas e respondidas via Instagram:
Paulo Al-Funs – Boa tarde Jorge, vamos começar pelo início, qual foi seu primeiro contato com arte, um filme, um livro, uma música que tu ouviu que te conectou e vc falou ‘vou ser artista’?
Jorge Julião – Oi Paulo. Vamos lá: Sou santista e transferi a Faculdade de Psicologia para cá e fiz teste para entrar em um espetáculo chamado “O último carro” de João das Neves. Passei e comecei a estudar artes cênicas.
PA – Ser um artista da atuação/interpretação era o que vc desejava desde o início ou estava voltado a outra forma de expressão artística?
JJ – Quando descobri o teatro, resolvi me aperfeiçoar e estudar outras áreas que envolviam artes cênicas. Dramaturgia (gosto muito) direção e interpretação…
PA – Como vc foi contatado pra fazer a Lilica, te viram e tu foi convidado, ou você correu atrás de algum teste quando soube que ia rolar o filme?
JJ – Os testes aconteceram em São Paulo e duraram dois meses com muita improvisação.
PA – Tem alguma lembrança específica/especial quando vc estava nessa fase de escolha de ator pra fazer essa personagem?
JJ – Quando conheci o personagem, fiquei encantado e lutei muito para chegar nos finalistas até ganhar o papel.
PA – Como foi o trabalho de preparação de vocês? No filme fica claro que vocês foram muito além do que poderia se esperar de tão jovens atores.
JJ – Tivemos um preparo teatral muito bom com Fátima Toledo e passamos dias juntos estudando os perfis de cada um dos meninos.
PA – Qual foi sua primeira impressão do diretor Hector Babenco e como era ser dirigido por ele? Era muito exigente, dava liberdade pra vocês improvisarem?
JJ – Foi muito bom trabalhar com o Hector. Duro, exigente, mas sabia exatamente o que queria. Mas aberto a mudanças de alguns momentos do filme.
PA – Tudo em “Pixote” é brutal e a realidade sempre presente, é um filme cru e sem fantasia, como era o clima durante as filmagens?
JJ – Hector e equipe entendiam as dificuldades do elenco mirim e tínhamos uma atenção especial. Até porque Fernando (Pixote) não sabia ler e na hora de decorar as cenas ficávamos juntos. Mesmo as cenas mais duras, conversávamos bastante para o clima não pesar tanto.
PA – Lilica é a bixa maconheira daquele centro de detenção, mas tem o respeito dos outros garotos, além de um parceiro para o amor, como era o convívio com os outros atores?
JJ – Antes de começar as gravações, já tínhamos um clima de convívio tranquilo. Já nos conhecíamos. Inclusive Marília Pêra veio mais cedo para São Paulo, ensaiar com o grupo principal.
PA – Sua cena de desespero pela perda do seu parceiro é uma das mais intensas do cinema (não só do “Pixote”) de que forma aquilo te tocou no seu âmbito pessoal?
JJ – A morte do garotão foi filmada de madrugada, muitas vezes. Fui ao máximo do sentimento de perder alguém muito próximo. A música entrou depois, mas combinou com o clima proposto.
PA – É difícil falar entre tantas cenas de uma em especial, mas no final quando vc pergunta para o Pixote “o que uma bixa pode esperar da vida?” E ele responde “nada né Lilica” aquilo é muito forte e representa toda uma questão de vidas LGBTs como foi fazer, vc tinha consciência que tocava no inconsciente de milhares de vidas?
JJ – Até hoje comentam dessa cena. Hoje o mundo está mudando, as pessoas começam a ficar mais tolerantes. Acho que hoje qualquer pessoa pode sonhar mais. Acreditar mais. Não é fácil, mas o principal é não perder a fé no que se acredita. A música que a Lilica ia cantar era Debaixo dos caracóis de seus cabelos do Roberto Carlos e conversei muito com Hector e consegui trocar por Força estranha do Caetano.
PA – A comunidade LGBTs é cotidianamente perseguida mesmo que veladamente, insultada (mesmo que só entre quatro paredes) e morta no nosso país, como vc observa isso?
JJ – A comunidade LGBTs começa a se mobilizar mais, mostrando caras novas que acreditam em uma mudança, mesmo com um governo tão radical e intransigente. Encontrei vários meninos que me contaram que Lilica foi libertadora. Fico emocionado até hoje. E a resposta ao Pixote hoje será: uma bicha pode tudo!!!!!
PA – Uma das coisas que achei muito legal é que a Lilica simplesmente vai embora e não morre como muitos personagens, o que da uma certa esperança, vc acha que ela estaria viva hoje, teria chegado aos anos 2000?
JJ – Lilica vai embora, justamente para crescer. E o crescendo dela fica justamente na imaginação de cada um. Lilica era da vida e pra vida!
PA – Todas as cenas que vocês jovens atores fizeram vocês não ficam minimamente aquém das feras que vocês contracenaram, em algum momento vc ficou intimidado com algum deles?
JJ – Adorei contracenar com todos. Foram gentis e pacientes. Marília foi uma escola emocional para mim e contracenar com Jardel Filho me emocionou. Sempre gostei muito dele.
PA – Como foi a estréia do “Pixote” vocês assistiram juntos, o filme rodou e foi premiado mundo afora, vocês chegaram a viajar pra algum país pra representá-lo?
JJ – O filme foi especial a cada um. Ninguém previa o sucesso mundial que foi. Outro dia lendo uma entrevista do Spike Lee, ele diz que é o filme predileto dele. Não é o máximo? Viagem para várias cidades para apresentar o filme. Assistimos juntos a estréia e participamos de vários debates.
PA – Como a vida transcorreu pra você depois do filme, se dedicou a um novo projeto, filme, teatro, a fama do filme te ajudou, atrapalhou?
JJ – Depois do filme fui estudar mais. Criei vários grupos de teatro e hoje me dedico a aulas de interpretação para jovens e pessoas da Maturidade. Faço parte de um grupo que estuda Teatro chamado Rádio Ilusão, onde escrevo e dirijo peças, participo como professor de um Projeto Teatro Cidadão. E trabalho com grupos de pessoas com mais de 60 anos onde juntos aprendemos a melhorar a nossa vida. (Memória, movimentação e ritmos).
PA – O Fernando morreu como morrem muitos jovens pretos no país, vocês mantinham contato na época?
JJ – Fernando foi assassinado como tantos jovens de periferia são. Uma realidade brutal, dura, que ainda vai permanecer atual com essa diferença social absurda dentro do País.
PA – Que tipo de filme vc curte, tem algum outro filme brazuca que vc considera tão atemporal como “Pixote”?
JJ – Sou cinemaníaco. Assisto tudo. Vejo desde terror trash, até melosos. Aprendo sempre com cinema. Escola da vida… Tenho predileção por dois filmes do Cacá Diegues “Bye Bye Brasil” e “Chuvas de Verão”. Me tocam até hoje.
PA – Curiosidade pessoal, vc curte astrologia? Sabe seu signo, ascendente, lua?
JJ – Sou taurino, com ascendente em Sagitário, e horóscopo chinês, sou galo.
Jorge Julião e Rubens de Falco Marília Pêra Jardel Filho Elke Maravilha Tony Tornado Fernando Ramos
Deixo aqui meus agradecimentos ao Jorge pela imensa gentileza e espero que outros cinéfilos e fãs do filme e do ator possam ler e também curtir…
É um filmaço, eu não sei porque tava tão desejoso de escrever sobre ele, assisti anteontem, mas, sabia que tinha que escrever… meu texto mais recente publicado foi sobre um filme sobre alcoolismo, e por “coincidência” esse trata de um tema similar, que é o vício numa droga ilícita (heroína), o que acaba fazendo uma dobradinha… Voltando ao termo coincidência eu simplesmente não acredito que ela exista, como diz o mestre do clássico Adonai, são os livros que nos chamam, porque possuem algum ensinamento que naquele momento está nós sendo ofertada a oportunidade de saber, conhecer, aprender, e eu acredito muito nisso, e não acho que são só os livros, os discos (a música em si), os filmes, sempre são eles que nos chamam e se você prestar atenção vai ver que sim, que eles sempre tem alguma palavra/conhecimento/ensinamento que podemos agregar… vamos lá, o filme:
Frankie (Frank Sinatra)
Frankie personagem interpretado pela lenda Frank Sinatra, acaba de sair de um período de férias forçadas numa clínica do governo (prisão) onde estava pra se desintoxicar do vício que o dominava, e retorna ao seio (figurativo) da sua esposa fiel, e paralítica, disposto a mudar de vida não querendo seguir pelos velhos caminhos que o trouxeram até ali, e pra isso vai ter que travar uma luta interna (consigo próprio) e externa, com os demais (figuras do seu passado)… não vai ser fácil pra esse cara boa gente, cheio de boa vontade, e que realmente deseja/sonha uma vida melhor… ao seu redor há uma esposa chantagista emocional que quer que ele continue no mesmo ofício (jogador campeão de cartas em antros clandestinos – por isso é chamado de“braço de ouro”), e que é um atraso completo na vida dele (é feita pela lindíssima Eleanor Parker numa atuação que resume tudo o que uma esposa jamais deve ser), há o ex patrão que não aceita perder o seu melhor jogador e seu sócio (o traficante de heroína) que domina Frankie através do seu vício, aqui também não dá pra passar batido e não comentar a interpretação do ator Darren McGavin (o traficante), sinuoso, insidioso, venal, ambivalente, sedutor, além é claro de amigos que mais atrasam o seu lado do que ajudam, enfim… mas nem tudo está perdido, Frankie ainda tem alguém que o ama com sinceridade a ponto de acreditar nele e estimular sua vontade de vencer, sim é uma paixão, feita pela estrela Kim Novak… a loira é um mulherão, é uma mulher muito terrena, sensual, cheia de curvas, e um rosto de traços duros e sério, não é como a Marilyn Monroe por exemplo, a estrela blondie glamourosa e que tá mais perto de uma fantasia (um ideal de mulher/amante) do que uma mulher de carne e osso, Kim Novak não passa isso, ela é real, e sua presença física e a força de seus traços deixam isso muito nítido, ambos Frankie e Molly são dois personagens de caráter, lutando contra as intempéries da vida, e se virando como podem na luta pela sobrevivência… como Frankie quer crescer como músico, a trilha sonora é o mais fabuloso jazz que você vai ouvir, a música pulsa, é viva, tal como uma personagem da estória e não apenas uma acompanhante ela se faz presente ditando o ritmo, as pausas, os movimentos da câmera dando a impressão que toda a atuação do elenco, o desenrolar das cenas fosse feito pra acompanhar a trilha, e não o contrário (eu fiquei muito impressionado), o bom gosto e requinte do cineasta é um caso à parte, sou fã do trabalho do Otto Preminger(é o diretor de um dos filmes mais favoritos da minha adolescência “Bom Dia, Tristeza“) que me apresentou uma das minhas atrizes favoritas dessa época, Jean Seberg, uma princesa-deusa, única com seu cabelo dourado (originalíssimo pra época) bem curtinho, também dirigiu “Anatomia de um Crime“, 1959” que devia ser assistido e conhecido por todas as feministas e por todas as pessoas que trabalham com a lei e que ainda culpam a mulher quando ela é estuprada (mais de 60 anos depois de realizado ainda temos o discurso da “mulher que foi violentada por causa da sua roupa”), sociedade não evolui né?
Kim Novak (Molly)
Outro lance que merece ser comentado é, toda a ação aqui se passa em cenários onde os personagens lutam pra sobreviver, isto é, um filme com personagens financeiramente pobres e que circulam em seus ambientes humildes, e isso é mostrado também de forma exemplar, o cinema brasileiro sempre mostrou mais esse lado da vida do brasileiro, mas, em Hollywood por conta da propria natureza do povo norte-americano, eles sempre preferiram mostrar o lado vencedor, isto é, o lado dos que “chegaram lá”, sim, mostra pobreza, mostra, mas não tanto como aqui, nua e crua, os cineastas europeus que fizeram a Hollywood clássica ser a “Hollywood clássica” faziam isso, mostravam através do seu olhar estrangeiro a outra face da sociedade americana, aquela que eles próprios (os americanos) nunca quiseram muito ver, às vezes (os cineastas) pagavam preços caros também, ora ameaçados, ora perseguidos, ora boicotados, mas eram gigantes e não se intimidavam (esse filme aqui não apenas foi dirigido como também produzido pelo Preminger, quer dizer, saiu $$$ do bolso do seu realizador), por último não tem como não falar mesmo, nunca fui especialmente tocado pelo ícone Frank Sinatra, mas o cara tá bom demais, ele simplesmente é o Frankie, sabe quando o ator parece ter encontrado a essência do seu personagem, é isso, Sinatra foi premiado com um oscar por sua atuação em “A um Passo da Eternidade“, de 1953, mas, justiça seja feita, seu grande papel é esse aqui (sim, minha opinião) finalizando, a cópia em preta e branca está perfeita, e pra mim é um filme que merece ser visto no cinema, na maior tela que tiver, quem quiser conhecer ou rever, está no YouTube.
A primeira surpresa foi ver Christian Slater(um crush dos 90), depois de muito tempo… e, é claro, a constatação que o tempo passa pra todos… Christian está bem, com bem menos cabelo… uma infâmia a pessoa ter que ficar com o cabelo ralo depois de penetrar o caminho de outras idades… Eu nem sei como cheguei a esse filme… tenho a impressão que ele se jogou na tela e falou, “me consome, please”... e foi o que eu fiz…
O filme: jovem (bem jovem mesmo) quer se tornar um astro pornô, vai atrás do seu sonho… e encontra um produtor / diretor disposto a realizar seu desejo… mas, no meio do caminho tinha uma pedra… ou melhor tinha outro(s) perus… reduzindo ao máximo é isso… mas, não só… Spoiler? Sim, e não… O personagem do ator Garrett Clayton é um jovem gay que quer unir o útil ao agradável (fazer filmes pornos, trepar com vários, gozar, ser pago pra isso e de quebra ficar famoso – uma estrela)… se une ao diretor feito por Slater e assim começa uma bem sucedida carreira no pornô gay… um detalhe que talvez não caberia e não tava no contrato: O diretor além de se envolver com seu contratado, também acaba se apegando (o que vai dar ruim!)… Do outro lado dessa cena, vai rolando outro caso de cores parecidas… o diretor feito pelo James Franco(outro crush, mas de agora) tem um relacionamento com o ator de seus filmes (também porno gay) o que torna a relação de ambos bem mais intensa, com a diferença que no primeiro casal, o sexo é só permitido no trabalho, isto é, na hora de gravar, já com o segundo casal, o personagem do Franco, explora sexualmente seu parceiro (Keegan Allen), levando-o a prática de programas extra filmagens (o que também não é saudável pra relação deles)…e em algum momento o destino dos 04 ou das 02 duplas vai se encontrar…
Garrett Clayton
O mais interessante no filme, é mostrar como não existe gênero quando o assunto é sentimentos, emoções e relacionamento… aqui fica claro, que não é necessário um casal ser hétero, pra vivenciar todos os piores dramas que uma relação a dois pode ter… ciúmes exagerados, falta de confiança, controle excessivo, controle financeiro, medo da perda e por aí vai… é um filme sério (ao contrário do que possa parecer), uma produção básica e que funciona bem… merece ser conhecido…
A começar pelo título, que é um dos mais originais do cinema (todos os cinemas).
É tudo muito simples, aparentemente difícil (eufemismo pra sem pé, nem cabeça) no princípio, mas, não é… acompanha-se… Aparentemente, são pessoas (personagens) vivendo no limite, e que decidem transgredir… É um bom cinema – jamais tosco – já que se sente que a sensibilidade é um luxo do diretor na manifestação de sua essência ao mostrar um mundo em seu ardor… Complexo? Não… desde que você siga o fluxo…
Renata Sorrah muito jovem, faz uma persona cinematográfica, digna de sua grande carreira de atriz, sempre doando sua voz e corpo em altas interpretações de personagens únicas… Márcia Rodrigues, sua partner, é uma atriz muito bonita e de presença…
Renata Sorrah e Márcia Rodrigues
Há mais de uma estória, numa delas, um homem, sensível a teores alcoólicos, decide enviar sua família, após um drama caseiro, para viver em outro plano, mais etérico…
Me falta uma palavra pra falar do cineasta Júlio Bressane… vou chamar de essencial… Toda arte precisa de seus alternativos…
A cena da tortura, é pra deixar inesquecível, o que nunca se deve esquecer… o sinistro que aconteceu nesse país na época da realização (antes e depois) do filme, 1969…