Documentário. Eu já havia escutado esse nome Dzi Croquettes, sabia que tinha haver com dança, mas só. Que bom. Bom porque fui apresentado à eles, há poucos dias, a esse grupo fascinante que conquistou o Brasil e o mundo (ao menos a França) com sua forma revolucionária, diferente e inovadora de espetáculo. A arte brasileira (puramente)… também tinha conhecimento que houve um Lennie Dale, mas, nunca tinha imaginado o tão grande ele foi, através desse documentário, tão bem realizado, somos apresentados a essa trupe de artistas originais, diferentes, muito talentosos, disciplinados e que conseguiram não apenas marcar a época da sua existência (anos 70) mas tudo (direta e indiretamente) que veio depois, inclusive eu, e provavelmente quem possa estar lendo esse texto. Como as gírias que até hoje nós escutamos, e tão ligadas ao mundo gay (não vou colocar aqui todas as outras denominações porque pra mim tá tudo incluído), o comportamento, através da expressão livre e ousada da sua sexualidade, e principalmente, porque pessoas que viviam e vivenciaram a época e foram influenciadas por eles depois realizaram em especial trabalhos na arte que acabaram influenciando gerações de expectadores (isso nós descobrimos através dos depoimentos tocantes, sinceros, de várias personalidades ligadas a TV, ao teatro, que fizeram a cabeça de muita gente dos anos 80 pra cá… Eu particularmente cito o Ney Matogrosso, cujo primeiro disco dos “Secos & Molhados” foi importantíssimo pra mim quando o descobri nos idos de 1996… Não há muita imagem da época dos shows em si, mas a sensibilidade com que o filme foi conduzido, realizado da a impressão de se quase poder sentir e estar ali… Mérito dos realizadores (Raphael Alvarez e Tatiana Issa). Que ótimo que existam documentários, e que ótimo que eles estejam sendo realizados de forma excepcional apresentando figuras e artistas que foram e são tão importantes pra nossa história, lembrando uma frase que ouvi um dia “todos nós somos ‘produtos’ daquilo de que gostamos ou vivenciamos” posso dizer, que os “Croquettes” estão bem vivos, em todos nós, porque todos temos alguma coisa, das pessoas que viveram e foram influenciadas por eles… Imperdível… Muito bom.
Paulo Al-Funs, autor
