Dahmer – Um Canibal Americano

Da mesma forma que nao tinha certeza se desejava assistir essa série, não tinha desejo de escrever e publicar sobre ela, a não ser por um motivo, um único motivo, homenagear a personagem real Glenda Cleveland feita pela atriz Niecy Nash. Essa mulher, essa pessoa corajosa, verdadeira heroína e que deveria ter seu nome guardado e marcado por toda a posteridade.

Dahmer é uma série da Netflix baseada na vida e destruição causada pelo criminoso canibal branco nos EUA entre os anos 70 e inicio de 90, mas segue sua vida desde o seu nascer.

Fruto da união de uma mãe instável e um pai acolhedor, aqui já se inicia uma tragédia, com o personagem no ventre dessa mãe sendo medicada e auto medicando-se com toda classe de remédios muitos deles absolutamente impróprios pra sua situação e completamente proibidos numa gestação. Há o que se dizer aqui. E muito. A medicina caminha por uma linha evolutiva? Se sim, podemos dizer que o personagem foi gerado numa época em que estava engatinhando ou em fase de crescimento já que doutores do corpo permitiram e se permitiram todo tipo de experiências com seus pacientes. Ou é mentira o estrago causado na vida de muitas pessoas sendo tratadas e medicadas de forma equivocada e com resultados sinistros? E não falo só de gestantes. Um dos maiores ícones do rock mundial Lou Reed é sempre citado em biografias como tendo sido internado e tratado com choque em plena adolescência (na época que nasceu Dahmer), para conter seus impulsos sexuais de orientação gay. Há um texto muito sensível de sua irmã onde ela conta que nem ela e nem seus pais nunca foram procurados por nenhum biógrafo para falarem a respeito, e que se fossem diriam o que aconteceu. Lou foi um adolescente com tendência ao uso de substâncias licitas e ilícitas avaliado por um médico que impôs aos seus pais como única forma de tratamento o choque elétrico aplicado em hospitais que se prestavam a isso. Seus pais não queriam fazer esse tipo de tratamento mas foram levados a fazê-lo. A mãe de Dahmer enquanto gestante virou um depósito farmacêutico ambulante. A isso se deve o seu transtorno? Não creio, mas é impossivel não imaginar que em alguma medida deve tê-lo prejudicado sim.

Dahmer cresce aparentemente sempre como alguém inadequado. Como criança, adolescente e finalmente um adulto alterado diante da normalidade geral. Após a separação dos pais passa a viver com o pai e também com sua avó materna. E nessa época começa a perpetrar suas atrocidades. Compulsão, prazer, não se sabe o que se passa por uma mente como essa. O fato é que ele se converteu num assassino em série. E nunca é pego. Dahmer é um homem branco acima de qualquer suspeita. Suas vitimas? Homens gays pretos. Se muda para outra cidade e vai morar num prédio onde a maioria ou todos (?) dos moradores são pessoas pretas. Ali faz seu QG matadouro. É ali que entra em cena sua vizinha que sente que há algo errado com ele, ou melhor em suas atitudes. Como uma voyeur de algo sinistro e que permanece aos seus olhos invisível, ela só sente o cheiro mortífero, os barulhos indisfarsáveis, e a sensação-certeza de que seu vizinho trouxe algo de podre ao convivio geral. Essa mulher que insistentemente batia o sino falando aos agentes e sendo ignorada pelo Estado – afinal, é uma mulher preta numa cidade pautada pelo desdém a pessoas de pele escura – que ´é a gigante dessa história macabra. A ela minha homenagem.

Dahmer pôde continuar fazendo o que queria graças a essa estrutura da sociedade americana (e não somente norte-americana) que permite não dar voz as pessoas pretas e ignorar quem está as matando. O racismo aqui atinge graus imensos na expansão da sua perversidade. E o canibal um dos seus mais tenebrosos instrumento.

Paulo Al-Funs

Bom dia, Verônica

poster “Bom Dia, Verônica

É uma série da Netflix, e uma das melhores que eu já assisti. É uma série brasileira, e de uma qualidade que você não imaginaria que conseguissem. Ágil, repleta de adrenalina, assustadora com terror psicológico, você assiste com o ‘cool’ na mão. Famosa desde que foi lançada, só agora já na 2° temporada que eu senti vontade de assisti-la. É como uma droga altamente viciante que você não consegue largar, mas eu consegui ser fiel ao meu ritmo, e me mantive nos 02 episódios diários.

Janete (Camila Morgado)

A série: Verônica é uma escrivã feita pela muito bonita e talentosa Tainá Müller. Um tanto justiceira e não uma mera policial burocrática, Verônica quer resolver os problemas. Logo no início se empenha na busca e captura de um golpista de aplicativos de relacionamentos. Uma das suas vítimas é a personagem da atriz Aline Borges que aqui (ao contrário de “Pantanal“) está linda e produzida. Verônica com seu senso de justiceira em alta fica obsessiva na busca do mau caráter e indiretamente por conta desse caso, vê aproximar de si uma outra personagem de outro núcleo que terá grande importância, a Janete, feita pela atriz Camila Morgado (numa interpretação de responsa) casada com Brandão interpretado por Eduardo Moscovis num de seus personagens mais impactantes. É um monstro. Não vou chamá-lo de psicopata ou sociopata porque esses 02 termos viraram lugar-comum e eu não sou especialista em saúde mental pra definir se é ou não. Monstro é um termo antigo e que cabe muito bem ao sinistro personagem. É agressor e também um abusivo emocional com sua companheira Janete. Através de Verônica vamos observando as mazelas do lugar onde ela ganha seu pão. Elisa Volpatto fez da sua personagem um nojo. Silvio Guindane ator que para mim é um dos melhores da sua geração, está num personagem aquém do que ele merece, fazendo escada pra Verônica. A princípio fiquei um pouco incomodado pela ausência de química sexual entre Verônica e o ator que faz seu marido (César Mello) mas depois me liguei que Verônica não tá ali pra gozar ou ser a personagem focada em como ser a esposa perfeita, então dentro disso cabe até o tipo de relacionamento estilo “amigos casados” que eles mantém.

Verônica (Tainá Müller)

Todos os episódios são eletrizantes. O finalzinho do último eu não curti. Pintou um clima de Nikita (série dos anos 90). Fim da 1° temporada.

Paulo Al-Funs