
cartaz de “Passagens”
O tesão do cinema é que ele não para. Multifacetado, está sempre se reinventando. E sempre oferecendo oportunidades de se conhecer novos trabalhos ou antigos trabalhos que você não conhecia. E é muito bom que nem tudo que a gente assista seja ótimo. O cinema também tem lugar pra filmes que são bons passatempos bem dirigidos, bem interpretados mesmo dentro de histórias batidas como essa. Passagens filme recente lançado em 2023 é desses filmes que você acompanha, curte enquanto rola, e quando você pensa que “aquele algo a mais” vai acontecer, ele termina. E meio que surpreso você olha pra tela e pergunta “é isso mesmo?”
A história é batida porque toda história de relacionamentos são batidas né. Quem não viveu aquela situação, vai vivenciar aquela outra, ou a outra, ou a outra, mas em geral romances, amores, relacionamentos, estão na vida de todos e de todo mundo. A redundância é proposital. Alguém já falou que histórias de amor são clichês? Provavelmente. Essa é mais uma. Num filme o diferencial vai estar ligado diretamente ao que o seu diretor quis nos proporcionar. Sua visão, o seu olhar.
Vai ter spoilers
O filme: Cineasta finaliza seu filme se sentindo meio inseguro ao que vai ser do seu filhote agora que ele foi lançado. Numa relação rotineira com seu parceiro, se interessa por uma mulher na balada, fica com ela e acaba curtindo. Sem muito dilema existencial (ou culpa), se muda pra casa da jovem (levando quase tudo que é seu), deixando o parceiro no vácuo. Bom dizer que a moça sabe que o romance da vez acabou de sair da casa que ele compartilhava com um parceiro gay. Não há enganos. Nada a ser descoberto nesse sentido. Em tempo mínimo de convivência (ainda estão na fase da experiência), ela fica grávida. E chama os pais pra conhecerem o genro e pai do seu neto. Não tem como ficar ao lado dela nessa hora. Não tem como ficar ao lado de uma pessoa adulta que já desabafou com a mãe e que no primeiro encontro com o parceiro da filha, vai questioná-lo sobre seu recém finalizado relacionamento com outro homem e quer garantias de que sua filha e seu neto que ainda não nasceu terão todo apoio que uma mãe e uma criança precisam para enfrentar a vida. O personagem reage. E você assistindo também. E a pergunta que fica é: na hora que tu estava fodendo você chamou seus pais pra gozarem contigo? Se a resposta é não, então porque você pessoa madura e independente agora é quase permissiva em aceitar essa invasão de relação, de intimidade?
O pegador. Não, ele não é pegador. Aqui entra o clichê sobre ter falado que você já viu essa história em outros filmes. Ele se empolga com ela, transa, gosta (fazia anos que não tinha sexo com mulher, e curtiu esse revival), e num ato de ‘vou viver uma nova história’ se joga pra casa dela. O problema é: (o clichê) ele não esquece o parceiro, continua o procurando, e interferindo no direito dele seguir a vida em um novo relacionamento com outro cara. Tu já viu isso em vários outros filmes, a diferença é que quase sempre num triângulo mulher-homem-mulher.
Depois de spoilear…
O que fica? Vale assistir? Vale conhecer sim. Pelo seu bom elenco: Ben Whishaw (que faz o parceiro a deriva), está quase irreconhecível, é um ator versátil (o único que eu conhecia), o cineasta em dupla crise matrimonial é feito pelo ator Franz Rogowski, e a atriz Àdele Exarchopoulos forma o trio de desamor que pra mim não é um triângulo já que conta com a participação do novo romance do personagem do Ben, o ator Erwan Kepoa Falé (que também tem seus momentos de perrengue por ter se envolvido com um cara que não finalizou ‘direito’ seu relacionamento anterior). Boa direção (Ira Sachs) e uma fotografia que agrada aos olhos (Josée Deshaies). No geral, um bom filme.
Ponto baixo – final anticlímax.
Ponto alto – o melhor anal (sex) que eu já vi na tela.

Ben Whishaw, inglês 14/10/1980🌞♎ 🌚♐

Adéle Exarchopoulos, francesa 22/11/1993 🌞♏ 🌚♓ ASC♍

Franz Rogowski, alemão 02/02/1986 🌞♒ 🌚♏

Erwan Kepoa Falé, francês, 🌞 ???
Paulo Al-Funs, cinéfilo, presente
