
cartaz de 10.000 Km
Assim que começa “10.000 Km“ e surge na tela a personagem de Alex por cima de Sergi eu me lembrei de “Na Cama” um dos muitos filmes que eu assisti no “Cine Arte” no início dos anos 2000 aqui em Santos. Tivesse minha mente a ousadia de ir mais adiante e chamasse meu coração pra participar da recordação eu me lembraria também de como “Na Cama” começou com um casal trepando e não muito depois caiu num profundo tédio, porque a menos que seja um porno, não tem filme que resista a uma completa falta de história cujas cenas mais interessantes aconteceram logo no início. Alex cavalga sobre o pau de Sergi até gozar para iniciarem uma conversa sobre a possibilidade de no ato terem conseguido fazer um filho. Os devaneios duram pouco. Alex recebe uma mensagem a comunicando que ganhou uma bolsa pra realizar seu sonho – estudar fotografia no exterior, no caso, nos EUA. No caso tendo de decidir sem ter muito tempo pra pensar se deixa o parceiro, o sonho de ter filho e a vida comum que leva em Barcelona para trás. Pausa. O que você faria? Alex quer ir, mas joga a responsa pelos seus sonhos no colo de Sergi, que simplesmente não tem outra alternativa a não ser incentivar a parceira que ele realmente ama, o que significa ficar sem a sua presença física por 01 ano (além de adiar também por esse tempo o desejo de ser pai). O que segue é o drama do tédio. Só dois personagens em cena que vão passar todo o filme mergulhados em sua solidão particular procurando através dos meios possíveis (internet e telefone) se comunicar e manter acesa a chama da paixão. Pausa. Tu aguentaria? Há limite (de tempo) para o amor? O quanto você é capaz de esperar pela realização do sonho do outro? Tem casais que moram em casas separadas, mas, se vêem todos os dias. Tem casais que um dos parceiros está sempre viajando, mas, em algum momento ele/a volta pra casa, tem casais que pedem um tempo um para o outro pra ver a quantas está a relação e se seus sentimentos ainda se mantém fiéis de um para o outro. Há diversos tipos de casais, cada qual com sua combinação particular. Essas perguntas vão surgindo depois, só depois. Eu tenho por modus operandi escrever sobre um filme (e eu escrevo sobre todos os quais assisto) só depois de 01 ou 02 dias. Se eu fosse escrever sobre 10.000 Km assim que terminei minha sessão particular, ia só ter palavras duras. Agradeço muito por ser assim. Porque o sentido só foi vindo depois. Natalia Tena é uma atriz masculinizada. Não digo sapata, mas, masculinizada como muitas mulheres atualmente. Enquanto assistia pensava se não podia ter sido feito por outra atriz mais bonita e com algum carisma, e depois me apercebi do nome, que também é ou soa masculino “Alex”, pra finalmente perceber depois de assistido que o cineasta simplesmente inverteu os papéis. É ou era sempre o homem que busca a realização dos seus sonhos e quem até então ficava em stand by era a mulher (é necessário dizer que se trata de um casal cis?). E isso é mostrado no filme desde o início, basta lembrar que eu já mencionei lá encima, que no sexo ela está por cima. Sergi é um amor. Interpretado pelo ator David Verdaguer ele é gostoso, sexy, carismático e não se fica indiferente ao seu drama. Trabalha bem. Seria um sonho de parceiro, assim como tem muitas mulheres que seriam um sonho de parceira, mas que no decorrer de uma história romântica são atropelada/os pela realidade da vida. Nesse sentido, vale assistir o filme.

Alex e Sergi

10.000 Km (2014)
Natalia Tena, inglesa, 01/11/1984 🌞♏ 🌚♒
David Verdaguer, espanhol, 28/09/1983 🌞♎ 🌚♊ ASC♐
Paulo Al-Funs, autor, cinéfilo e otras cositas mas…
