Estranha Forma de Vida, 2023

cartaz de “Estranha Forma de Vida

É um curta. 31 minutos. Passa bem rápido. Pedro Almodóvar, cineasta espanhol nascido num dia de fez um filme estiloso exercitando características caras ao seu 🌞 natal. ‘filho’ de Vênus e portando carregando no DNA características da sua genealogia não abre mão da beleza (quem escreveu aquele ditado “que beleza não se põe na mesa” não conheceu nenhum nativo do signo ou conheceu e com certeza devia ter raiva, porque pra ♎ beleza é e sempre vai ser fundamental, em tudo, seja nas pessoas, objetos, animais, casas, trabalho, visual). O curta do Almodóvar estiliza no figurino (a história se passa no velho oeste), e se realiza na escolha dos atores. Ethan Hawke, gato na juventude mostra nos poucos mais de 50 outonos que está ótimo ostentando todos os pés de galinhas e algumas rugas que qualquer ser humano que não morreu tem direito (mesmo um astro de Hollywood), os jovens José Condessa e Jason Fernández unem beleza com virilidade, Manu Ríos parece um rosto instagramavel. O tão comentado Pedro Pascal parece encantar muitos olhares aqui e ali.

O filme: Homem chega a uma cidade onde houve um crime (feminicidio) que a lei na figura do sherif Hawke pretende elucidar já sabendo quem é (na verdade principal suspeito). Depois de 02 décadas, Pascal, o cavaleiro que chega vai ao encontro do seu antigo parceiro pra um reencontro surpresa, motivado por questões pessoais familiares e disposto a talvez uma conversa sobre um passado que ficou pra trás.

Eu não sei como é a experiência de uma pessoa ao assistir um filme. A minha é a de um ♊ que tal como Mercúrio seu deus-pai regente vai linkando (ligando) tudo. As memórias surgem naturalmente (nunca em sentido nostálgico, mas numa constante atualização de dados), então é muito natural pra mim estar assistindo alguma cena, e acessar na mente algo que se relaciona com ela. Eu me lembrei de “Ben-Hur” clássico total dos anos 50 da idade de ouro hollywoodiana. Em “Ben-Huro personagem Messala personificado por um viril, bonito e sexual Stephen Boyd volta a sua cidade de origem disposto a relembrar e se ligar novamente ao seu amigo/parceiro de muitas aventuras (atualmente chama brotheragem), o Ben, vivido pelo supra sumo da masculinidade hétero top cinematográfica da época Charlton Heston. Já escrevi a anos atrás em outro post de outro filme como os autores sempre foram livres pra escreverem o que quisessem nos seus livros. Levar esses livros e atualizá-los para o cinema é que era o problema, porque a sociedade assistia muito mais filmes do que lia, e sempre houve o falso moralismo hipócrita que predomina nas relações sociais. Colocar cenas gays em filmes era um exercício mental que roteiristas e diretores tinham que rebolar o cérebro pra resolver. Não só cenas de personagens gays da literatura. Margaret Mitchell autora da obra-prima …E o Vento Levou (1936) narra abertamente no seu livro que sua personagem Scarlett O’Hara só sentiu prazer pela primeira vez ao transar (isso no 3° marido e após 03 filhos), quando foi violentada pelo parceiro embriagado. No filme de 1939, o produtor Selznick traduziu a cena com a atriz Vivien Leigh (intérprete da personagem) acordando alegremente e cantarolando. Como …E o Vento Levou (o livro) era best seller desde seu lançamento (o mundo inteiro o estava lendo) não precisou de muita explicação pras pessoas saberem que a alegria de Vivien (Scarlett) era por ter gozado pela 1° vez. Em “Em Cada Coração um Pecado” de 1942, os parceirinhos Robert Cummings e Ronald Reagan dão um abraço apertado no quarto e na cama depois de um longo tempo sem se verem, tendo a personagem da Ann Sheridan noiva do personagem de Reagan atrás da porta apertando o coração, consciente de que na Terra há coisas que você passa por cima, não se apega e segue a vida. Em “Rebecca, a Mulher Inesquecível” de 1940, o genial Hitchcock mostra a obsessão amorosa da governanta interpretada pela Judith Anderson por sua amante e empregadora numa cena curiosa: cheirando a roupas íntimas da sua parceira. Hitchcock era demais. Gênio é gênio. Se o cidadão/ã médio que ia ao cinema não se ligasse no status da relação das duas, é porque o tipo era realmente lento no seu pensar. Estou citando aqui exemplos aleatórios que vão surgindo enquanto escrevo. Mas qualquer leitor ou cinéfilo deve ter os seus na mente. Lamentavelmente muitas histórias boas baseadas em livros de sucesso que tinham personagens tidos como promíscuos, libertinos, gays, lésbicas, amorais ou imorais naufragaram na tela quando foram transformados em filmes. Porquê? Por conta de roteiros cujos produtores resolveram cortar demais o produto original pra poderem agradar um público mais conservador e dos livros que se baseavam suas histórias saíram filmes que não tinham nada a ver com a obra original resultando num arremedo fraco e fracassado. Faltou visão a esses senhores. Visão porque qualquer pessoa sabe que mesmo o mais terrível conservador (seja de que época for) gosta de uma boa sacanagem, de histórias que revelam não só o melhor mas também o pior do ser humano, e o tema sexo está presente na vida das pessoas desde que o “mundo é mundo” né. Seja consentido, abusivo, gay, lésbico, hétero, solto, reprimido ou libertino (surubado) a história da humanidade é contada através do sexo. Gore Vidal (um dos roteiristas) e William Wyler (o diretor) tiveram que rebolar pra vender pra sociedade dos anos 50 a história de despeito amor rejeitado e sua ira vingativa de Messala por Ben-Hur na negativa deste em não querer reviver “aqueles tempos mais prazerosos”. E venderam bem. O filme é campeão de Oscars e uma das melhores produções de cinema épico que Hollywood já produziu. Wyler mostra no seu clássico a relação de Heston/Boyd em pouquíssimas cenas no início, mas, que os dois atores exploraram muito bem.

Depois de toda essa exortação cinéfila/literária vamos lá… O curta é bom, provável que seria um longa interessante também (nunca assisti um faroeste ruim que me lembre, por mais fraca que seja a história), mas o veterano Almodóvar se decidiu por um pequeno filme na duração e grande na ousadia e assim foi. E é digno de reconhecimento que um cineasta nascido em 1949 esteja ainda realizando de forma eficiente o seu ofício. Quem ganha somos nós.

Pedro Pascal chegando…

Hawke e Pascal o reencontro pós 02 décadas…

Pascal como Silva.

Jake e Silva na juventude…

Os dois Pedros… Almodóvar e Pascal.

Almodóvar entre seu elenco masculino… cowboys estilosos…

Messala (Stephen Boyd) e Ben-Hur (Charlton Heston) comemorando o reencontro anos depois, no clássico de 1959.

Ethan Hawke, americano, 06/11/1970🌞♏ 🌚

Pedro Pascal, chileno, 02/04/1975 🌞♈🌚 ♑

Pedro Almodóvar, espanhol, 25/09/1949 🌞♎

Paulo Al-Funs, autor.

♀️O filme Rebecca, a Mulher Inesquecível lançado em 1940 foi baseado no livro homônimo da autora Daphne Du Maurier que por sua vez foi baseado no livro da autora brasileira Carolina Nabuco. Aqui no Brasil o romance foi transformado em novela “A Sucessora” nos anos 70. Sou curioso pra saber se a Globo e o autor e a direção da novela tiveram coragem de bancar a personagem lésbica da trama, na novela interpretada pela gigante Nathalia Timberg.

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Paulo Al-Funs

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