Amores Expressos

cartaz de “Amores Expressos“, 1994

O filme: São 02 histórias. E aqui tem uma pegadinha que eu não tinha me ligado. O título fala de amor no plural, e na minha cachola eu achei que a primeira história era a história do filme. Isto é, aquele noir do início seria o filme que eu iria assistir. E não é. 1° história: Mulher alicia (ao que parece) imigrantes indianos para traficar drogas (ao que parece como mulas). Numa dessas situações as coisas fogem do seu controle e ela terá que arcar com as consequências do seu vacilo. Na mesma história um homem vive as desventuras de um romance malfadado do qual não consegue esquecer sua ex-namorada. Dentro ou entre essas duas histórias há um cara que se liga a uma outra mulher cuja relação é a quintessência de um amor expresso, puro sexo selvagem…

A 2° história ou o segundo conto é mais longa que a primeira, ou assim me pareceu, e tem duas personagens feitos por um ator e uma atriz com muito carisma. Homem abandonado por sua mulher, também não a consegue esquecer, frequenta o mesmo ambiente que o primeiro personagem da primeira história (uma lanchonete dessas que tem em todo lugar, como aqui no Brasil – aliás, o filme tem alguma coisa (brasileira) bem presente, talvez essa mistura de pessoas, indianos no primeiro, com os orientais (é um filme chinês) aquela coisa da simplicidade, dos lugares comuns onde circulam (nós) pessoas comuns, não há glamour, é tudo muito natural, por isso causa logo no início uma identificação (ao menos no meu caso), pessoas comuns em situações comuns… Há algo de sujo, podre, ordinário, meigo, solitário e carente, me tocou de tal forma que eu não consigo encontrar as palavras que eu gostaria pra descrever… resumindo, personagens humanos em histórias pra lá de humanas… Ainda mais assistido numa época em que bombam hoje, ontem e anteontem chifres virais, não tem como não pensar no que o filme traz em seu título: amor e se expresso é sinal de à jato, fudeu tudo… O filme já tem algo de datado, enquanto assistia os símbolos dos anos 90 iam surgindo, filmadora antiga, fax, toca cds, o cd em si, produtos eletrônicos que hoje podem repousar tranquilamente num museu, e nessas você percebe literalmente que o tempo passou e estamos realmente numa outra era (eu simplesmente não sabia de que época era o filme quando escolhi pra assistir, eu não gosto de saber nada antes, nesse sentido o mínimo pra mim é mais, muito mais), os créditos foram trazendo pra mim a recordação do nome do cineasta (Kar-Wai Wong), depois veio a confirmação que era dos anos 90 mesmo (94). A música. É inebriante. Que é aquilo… É hipnótica na primeira história, e se mistura a um som caliente do passado, e penetra nas entranhas, numa combinação de sensualidade, desejo, sexo, calor…o brazuca “Bacurau” tem uma trilha foda que se entrelaça com a história, uma dessas raridades que acontece no cinema, mas aqui a música trepa com a filmagem… Eu gostei muito, muito…

Vale conhecer? Com certeza.

Pontos altos: os atores carismáticos (Takeshi Kaneshiro, Faye Wong, Tony Leung Chiu-wai) trilha ardente e o calor que provoca em quem tem a mesma forma insana de amar…

Pontos medios: um certo ar datado que se mistura ao clima retrô e indefine as imagens num visu atemporal…

Takeshi Kaneshiro – 11/10/1973🌞♎🌚♈

Faye Wong – 08/08/1969 🌞♌

Tony Leung Chiu-wai – 27/06/1962 🌞♋🌚♉

Kar-Wai Wong – 17/07 🌞♋

Amores Expressos…

Amores Expressos…

Amores Expressos…

Faye Wong e Tony Leung Chiu-wai

Faye Wong

Tony Leung Chiu-wai

Tony Leung Chiu-wai

Takeshi Kaneshiro

Takeshi Kaneshiro

Amores Expressos…

Paulo Al-Funs – autor, cinéfilo.

Publicado por

Avatar de Desconhecido

Paulo Al-Funs

Alguém que escreve e às vezes também publica...

Hey, se expresse com vontade!