Acossado, 60

Cartaz de Acossado

Não tem como imaginar a revolução que deve ter sido pra quem assistiu Acossadopela primeira vez, quando foi lançado. Os livros de história cinematográfica nos falam do impacto que causou. E mudou toda a história da sétima arte colocando um novo movimento, a “Nouvelle Vague” em cena. Imagina você fazer um filme que será a referência pra quem for realizar ou desejar fazer cinema. Não é pouca coisa. Godard o pai de Acossadojunto com outros tipos talentosos, eram cinéfilos que faziam críticas de cinema pra uma revista, na real, não eram críticas no sentido clássico, faziam o que eu faço aqui, despejaram seu amor pelos filmes via palavras e dentro das suas próprias visões e gostos pessoais. Podiam ser bem cáusticos e ácidos, já que demoliram muito do cinema mais tradicional e curtiam filmes que não eram tão valorizados. E em algum momento partiram pra colocar a mão na massa e decidiram fazer seus próprios filmes. Algo inédito e que deu certo. Porque tinham talento, sabiam a história que queriam contar e principalmente como contar. A França e o EUA estão na gênese do cinema. Assim como aqui no Brasil nós acreditamos que quem é o pai da aviação é Santos Dumont, (mas lá fora os gringos acreditam que foram eles que inventaram o avião), os dois países também reinvidicam a invenção da sétima arte. Os americanos comemoraram os 100 anos do cinema numa data, e os franceses em outra. Não importa. Importa que foi criado. E é uma paixão universal. Todas as artes se concentram nele. A fotografia vem da pintura, a trilha da música, o roteiro da literatura, a interpretação (e a idolatria pelas estrelas) do teatro. A montagem (edição) é a mistura de todos esses ingredientes e tão importante quanto, porque é dela que saíra o resultado final. Um filme mal montado, é um filme com forte tendência a não ser bem sucedido (por melhor que sejam suas qualidades). Um filme bem montado favorece até um filme mal realizado (por mais triste que sejam suas precariedades). Em Acossado a montagem (o ritmo do filme) é fundamental. A montagem e a trilha caminham juntas completamente entrelaçadas.

O filme: o bandido Michel Poiccard (Jean-Paul Belmondo) em período de liberdade, comete mais um crime, é identificado e passa as próximas horas buscando se safar. Paralelo a isso está enfeitiçado por uma jovem americana (Jean Seberg) que deseja conquistar (para além das noites que dormiram juntos). É um tipo sexualizado, que claro, como qualquer tipo assim, vai formar com sua parceira um casal sexualizado, mas, onde o afeto se faz presente. Bandido romântico? Bom, todo ser humano é passível de paixão… E Poiccard é o típico cara do “pega, mas, não se apega” em relação a suas conquistas. Mas seu coração se encantou por Patrícia. E com ela deseja escapar. Quem não se apaixonaria por Jean Seberg? Eu fiquei impactado por ela no primeiro filme que eu a vi ainda na minha adolescência, “Bom Dia, Tristeza“, de 58, do cineasta Otto Preminger (e a Cecile é muito mais interessante do que a Patrícia). Poiccard é muito descarado, atrevido e ousado. Caiu na perfeição para o ariano Belmondo representar. É sexy, nunca bonito (gosto pessoal não se discute). Magro sarado. E mostra bem seu abdômen. Sim, tem seu charme. Tem alguma coisa nele do “vida loka” do jazz Chet Baker. Queria falar mais, mas, é spoilear… Spoiler… Logo no início, há uma cena que seria impensável num filme hollywoodiano – em plena avenida parisiense, na luz da manhã, mete o dedo no peito de Patrícia e pergunta “porquê você não usa sutiã?”. Em outra cena mais ousada, levanta a sua saia e toma uma bofetada. Quando ele pergunta porque ela o agrediu por estar querendo ver suas pernas, ela responde “não era minhas pernas que você queria ver”. Para um filme lançado a mais de 60 anos, era ousadia em estado bruto essas cenas. Há frases ótimas, e demolidoras (o roteiro também é do Godard) que podem chocar alguns ouvidos sensíveis, uma galera boníssima, verdadeiros/as corações de ouro exalando virtudes que sobrevoam nas redes, grupos e algumas colunas de jornais (que alívio saber que o Criador colocou na Terra gente tão distinta pra orientar aos incautos mortais). Enfim, vale conhecer… A restauração é compatível com o olhar humano e se mantém cinematográfica. Que alívio, a 4k não a tocou.

Seberg e Belmondo

Jean Seberg

Michel e Patrícia

Patrícia e Michel

Jean-Paul Belmondo

Acossado

Jean Seberg – 13/11/1938 🌞♏ 🌚♌ ASC♎

Jean-Paul Belmondo– 09/04/1933 🌞♈ 🌚♎ ASC♊

Jean-Luc Godard – 03/12/1930 🌞♐ 🌚♉ ASC♎

ps: repare como ♎ é presente nos 03 – diretor e protagonistas. Pessoas que nascem com a 🌚 (lua) em Libra são comedidas nas suas emoções. É fundamental que haja harmonia nas suas relações, no seu dia-a-dia para que possam viver com tranquilidade (Belmondo). ASC ♎ apresenta pessoas educadas, refinadas, conhecidas pelo seu bom gosto, e que ganham os outros pelo seu charme e boa conversa (Seberg e Godard).

ps2: Godard é o cineasta citado por Renato Russo na música “Eduardo e Mônica” “… o Eduardo sugeriu uma lanchonete, mas a Mônica queria ver o filme do Godard…”.

Paulo Al-Funs – autor

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Paulo Al-Funs

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