Pasolini

cartaz de Pasolini (2014)

A primeira vez que eu me lembro de saber da existência do Pasolini (Pier Paolo Pasolini) eu era muleke. Conheci através da leitura. Era uma coleção de livros finos na estante da biblioteca que eu frequentava. Várias biografias. Foi assim também que eu descobri que havia existido uma atriz foderastica chamada Leila Diniz. Eram ambos membros da mesma coleção biográfica. Ambas as leituras me afetaram. Ambos pela vida que viveram. O primeiro filme com a Leila fui assistir mais tarde, na extinta TV Manchete “Os Paqueras” (69). Era só uma participação, entre tantas outras atrizes, a protagonista era Irene Stefânia em parceria com Reginaldo Faria. Tanto Pasolini como Leila partiram nos anos 70, e de forma repentina. Brutal. Se o primeiro filme com a Leila rolou na adolescência, Pasolini demorou bem mais, muito mais tempo pra conhecer a sua obra. Primeiro chegou até a mim via livro. Teorema causou em mim. Que livro foda. Fiquei obsecado pra assistir ao filme também dirigido por ele. Levou uma eternidade pra que isso acontecesse. Pasolini era um cineasta abertamente gay. Italiano. Seus filmes chocavam o mundo. Eram feitos com essa intenção. A fudelancia era fator forte nas suas narrativas. E onde tem sexo, tem polêmica.

O filme (Abel Ferrara) narra os últimos momentos do cineasta na Terra. Finalizando o que viria a ser o seu último trabalho, passa o tempo discutindo com seus próximos sobre onde será a estréia, a possível reação do público, se vai ser atacado novamente, pelas pessoas, pela igreja, pela imprensa. Não fazia concessões. O que torna qualquer artista, independente da praia da sua criação, um alvo ativo. Willem Dafoe é desses atores incapazes de não fazer um trabalho bom. Você não vê ele no filme. Você assiste ao Pasolini que ele criou. Sério. Contido. Um cara de presença. Mora com a mãe e uma outra jovem da família. O filme nunca é leve, mas jamais pesado. Só ri durante uma cena, a atriz Laura Betti (Maria de Medeiros) aparece pra uma visita em sua casa após uma viagem à trabalho por terras socialistas, e compartilha com a mama do cineasta que sem dinheiro pra comprar cremes caros para pele, estava usando como anti-rugas creme pra hemorróida. Rachei o bico. Enquanto prepara o lançamento, já vai finalizando um novo livro e planejando o próximo filme. Em meio a isso, busca satisfação com rapazes de programa. As cenas finais são macabras. Mesmo pra quem como eu já sabia o que estava por vir, é um terror que não se alivia. Não acredito que estou dando spoiler porque seu fim é conhecidíssimo.

Ninetto Davoli e Riccardo Scamarcio

Maria de Medeiros (Laura Betti)

Willem Dafoe (Pasolini)

Escandalizar é um direito, se escandalizar um prazerPier Paolo Pasolini.

Willem Dafoe – 22/07/1955 🌞♋ 🌚ASC♒

Maria de Medeiros – 19/08/1965 🌞♌🌚♉ ASC♊

Ninetto Davoli – 11/10/1948 🌞♎

Pier Paolo Pasolini – 05/03/1922 🌞♓🌚♉ ASC♓

Paulo Al-Funs – autor

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Paulo Al-Funs

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