
Domingo finalizei a terceira novela do projeto Fragmentos da Globoplay, projeto este que busca colocar a disposição de noveleiros e afins o que existe de material (capítulos) preservados de muitas novelas que acabaram por serem apagadas. A confirmação que aparentemente muitas obras já não existem mais (cerca de quase 30) causou um choque naqueles que queriam rever ou conhecer antigos trabalhos realizados em fins dos anos 70 e início dos 80 na Globo. Eu entre eles. O projeto reúne novelas em que sobraram de 02 a 20 capítulos e pode ser bem frustrante embora realmente válido. Ano passado conheci “Corrida do Ouro” de 74 (ainda gravada em preta & branca) e “O Pulo do Gato” de 78 uma novela que deve ter sido muito legal e daí nasce a sensação frustrante de saber que não existe mais. Saber que “Sol de Verão” (82), “Champagne” (83) e “Coração Alado” (80) não estão mais vivas (na íntegra) também não foi nada satisfatório. Mas felizmente, muitas outras estão. O acervo da Globo é imenso. Comecei com “Dancin’ Days” de 78, segui com “A Próxima Vítima“, 95 (pra mim a maior obra- prima entre todas as novelas já realizadas) e em breve finalizo “O Outro” de 87. Sem contar “Elas por Elas” de 82 que estou na metade e aquela que eu acredito que foi uma das últimas perfeições realizadas pela emissora “Verdades Secretas” que acompanhei ano passado. Todas escolhidas a dedo, porque a gente não vai perder nosso precioso tempo com fubangagem (embora involuntariamente aconteça, “Avenida Paulista” minissérie do início dos anos 80 foi o ponto mais baixo e inacreditável que eu já assisti na TV, sinceramente não me lembro de nada tão pior, tão amadoristico realizado no canal. Assisti no início do ano passado e não tenho palavras pra descrever essa nulidade. Pra fechar com chave de ouro o ano, fui conhecer outra inédita também, “O Caçador” de 2014… outra nulidade onde o lugar comum e a pieguice fizeram morada… Nada contra ver trabalhos ruins ou péssimos, há álbuns ruins, filmes ruins, livros ruins e tá tudo certo, ninguém vai realizar só trabalhos tops ou bons na vida, mas, no caso de uma novela ou série ou minissérie elas tomam tempo e eu não gosto de deixar nada pela metade.
“Chega Mais“ de Carlos Eduardo Novaes é do início dos anos 80, e me parece ter sido bem legal. Seis capítulos preservados. Pontos que eu curti, a abertura inovadora com música da Rita Lee. O elenco não precisa nem falar, só gigantes e todos bem familiares, e a história que me pareceu ser bem singular, embora não dá pra saber de fato o que acontece na novela toda. O que se sabe é: Tom e Gelly iam se casar no 1° capitulo e o noivo deu um cano e sumiu… o noivo Tony Ramos e a noiva Sônia Braga (vinda de uma família aparentemente endinheirada, mas, na verdade falida). No último capítulo, um novo casamento está para acontecer (entre os mesmos) e dessa vez Gelly da o troco com a mesma moeda (pronto spoliei). Não é que você fica totalmente perdido com essa quantia mínima de capítulos, mas, simplesmente você não conhece o que rolou na novela toda. Dei um google depois e “descobri” que essa novela foi apresentada na Itália e foi um enorme sucesso. E agora, nos anos 2000, foi reapresentada novamente. O que me leva a crer que exista uma versão dela se não intacta, ao menos quase completa. Rede Globo, por favor, traga essa sua filha que saiu para o mundo novamente pra casa. Noveleiros, curiosos e afins agradecem.

Tom e Gelly (foto web)
Paulo Al-Funs, autor
