Roma (2018)

Cartaz de “Roma”

A primeira impressão que eu tive quando vi uma chamada de Romafoi que se tratava de alguma história sobre ditadura no México nos anos 70… E nem sei se houve ditadura por lá nessa época… Movido pela curiosidade cinéfila de acreditar estar diante de um grande filme, fui conhecê-lo…

O Filme: Família grande (das antigas, na verdade), formada por casal e quatro filhos, uma avó, e (atenção) 02 funcionárias do lar, vai vivenciando sua história no início da década de 70. Família da capital mexicana. Classe média alta ou burguesa (tão cansado esse termo, mas aqui se aplica bem). Vou procurar não dar spoilerEm algum momento o marido médico resolveu aplicar o “vou comprar o cigarro e já volto”… e você sabe o resto… Temos uma mãe, quatro crianças, duas funcionárias, uma avó, um dog, uma casa grande, um carro grande, e uma nova dinâmica na família. E meu faro não me falha. Não era sobre ditadura, mas, a lembrança de Ainda Estou Aquicomeça a se entrever… É um filme sobre família. E como uma família precisa seguir adiante quando falta alguém. E como os papéis podem mudar e você precisa se reinventar pra continuar seguindo. Por você e pelos seus… E temos em cena, uma das funcionárias que é da família? a ter suas cenas desenroladas. E atenção novamente… Ao desenvolver a história daquela que era mas de fato nunca foi, o cineasta conta a história de várias (inúmeras na verdade), mulheres que trabalharam no México, no Brasil e em muitos lugares do mundo em casas de famílias endinheiradas que nunca de fato assumiram suas responsabilidades legais com essas colaboradoras… Esse filme, nesse sentido, se mostra importante porque mostra a vida dessas mulheres quando ainda eram jovens, e de como a situação foi se construindo para chegar na realidade escandalosa que é noticiada quando se descobre mais um caso de idosa trabalhando a 40 anos para mais de uma geração da mesma família, sem ter construído uma vida pra si, e ter passado toda sua existência vivendo em prol dos outros.

Cleo (Yalitza Aparicio) é uma daquelas jovens vinda de família muito humilde, que vai morar e trabalhar na casa de uma família endinheirada. Se tem alguma instrução, além do dom de cuidar dos outros, não sabemos. É apegada aquelas pessoas, tem hora pra acordar e não para descansar. É (ao lado de outra parceira) aquela funcionária que faz tudo. Limpa, lava, passa, cozinha, é babá, e assistente na criação dos filhos. Além, é claro de ser o alvo das palavras duras quando seus empregadores não tem em outro em quem descontar suas raivas. A verdadeira escravizada dos séculos 20/21. E tem que lidar além do todo exterior com seus próprios problemas da sua vida pessoal limitada (de tempo, de experiência, de vivência) que a aflige durante o filme todo.

O clima de “Ainda Estou Aqui” se faz lembrar, porque é a história de duas mães que se reinventam pra manter a si e a suas famílias de pé (além é claro de se passarem na mesma época).

A fotografia em preto e branco não tem nada de excepcional. Ela não deu mais força ao filme, ao contrário. Aliás, sendo um filme recente (2018) , só posso imaginar que se perdeu a capacidade de criar realmente uma obra em preto e branco com maestria. Assisti a meses atrás “Ao Cair da Noite” de 48 (cópia restaurada) em preto e branco. Que diferença! Como era do conhecimento dos grandes realizadores, fazer filme colorido é fácil, preto e branco não é pra qualquer um. Se não se produzem mais filmes que não sejam coloridos, como vão se formar fotógrafos bons numa arte que não se pratica?

Roma recebeu várias indicações a prêmios, e entre os que conquistou está o Oscar de direção e fotografia para Alfonso Cuarón e filme estrangeiro (do qual é um dos muitos produtores).

E sinceramente, o dia que eu me deixar guiar pelos prêmios que um filme ganhou, eu jogo meu senso crítico no lixo. A armadilha do “Oscar” deixou de fazer de mim um expectador desde que eu era adolescente, e assistia a cerimônia e ficava aguardando ver os filmes vencedores passarem, e descobrir, que não eram muitas vezes, nada mais que um bom filme.

E é isso que Roma” é, um bom filme… 🌟🌟🌟

Paulo Al-Funs, cinéfilo

Publicado por

Avatar de Desconhecido

Paulo Al-Funs

Alguém que escreve e às vezes também publica...

Hey, se expresse com vontade!