O signo de ♐

Hoje já é 15 de dezembro, meio do mês e o ano se findando pra entrar pra história… e dezembro é a casa do 🌞 sagitariano…

Um pouco de ♐…

♐ é o nono signo do zodíaco, signo do elemento Fogo e de ritmo mutável (tá sempre na metamorfose)… como todo signo do elemento Fogo carrega em si, na sua natureza uma boa dose de autoconfiança, acreditam num bom futuro e nas maravilhas que (tem certeza) a vida lhes reservou, no caso exclusivo de ♐ acreditam até demais e com tamanha boa vontade que estão sempre testando a sorte, levando situações a extremos (além do recomendável), sempre acreditando que não importa o que façam vão sempre se dar bem, e… sim, em geral da certo, esse signo rabudo pra caralho parece que tem uma proteção extra e realmente a tendência – independente do que e no que estão metidos – é se dar bem (aqui não entra merecimento, entra é uma sorte com letras maiúsculas que faz com que os nativos/as seja lá o que tiverem fazendo não se dêem mal… Mas sempre? Não cara pálida, isso é só tendência, mas mesmo quando alguma coisa da ruim para o sagitariano/a nunca é um deu ruim qualquer… sagitarianos/as quando caem, caem de pé… deu pra sacar?

Sagitarianos são seres extrovertidos? Sim e também há outros tantos que são introvertidos… qual a diferença? O extrovertido se joga pra vida e vai realizando suas viagens (o verbo é esse porque pra ♐ a vida é uma imensa viagem, uma aventura a ser vívida)… mas e o tímido? Vai fazer tudo que o outro faz só que vai ser no plano mental… se para o extrovertido é mais fácil pular no barco, no trem, no carro e seguir numa busca sem destino (porque pra todo sagitariano de todos os tipos o importante, a graça e o tesão da coisa não é chegar e sim curtir tudo que rola no caminho) o introvertido vai fazer as mesmas coisas mas mentalmente como através de um livro (de aventuras), um filme ou simplesmente com a troca de ideias com uma pessoa que faz tudo isso e vai lhe agregar o que não sabe…

Sagitários/as não são pessoas emotivas, e como você deve ter percebido o olhar deles tá sempre no horizonte e quem olha muito pra frente ou pro alto não costuma perceber onde pisa… o que significa isso? Significa que se você for uma dessas pessoas muito emotivas ou sensibilizadas demais e tá pensando em trazer esse tipo selvagem pra sua vida é bom você se precaver de todas as maneiras em como pode cuidar dos seus sentimentos sem se ferir muito na sua caminhada – mas não pague de louco/a e embarque na viagem de que é ele/a (♐) que vai cuidar dos seus sentimentos porque isso não vai rolar… e tô sendo bem claro aqui porque eu não suporto essas cenas de quem se envolve com os outros sem ter a mínima idéia do que esperar (ou não esperar) da pessoa que está envolvida… é das ilusões nascidas da ignorância de não querer ver ou ver tudo em cor de rosa que surge muito dos problemas das pessoas umas com as outras… ♐ não é um signo afetivo (no sentido nossa casa, nossas plantas na varanda, nosso love feijão com arroz, e outras atribuições românticas tão popularizadas e entranhadas nos cérebros das pessoas).

Tá pegando um sagitário/a? Está gostando? Quer manter? Dicas na faixa… exclua da sua vida romântica/amorosa/sentimental demonstrações de ciúmes, “mas mostrar ciúmes é bom” o leigo pode dizer… sim é bom pra seu gato/a possessivo/a de , ou pra sua gata/o insegura de , com um sagitariano sua demonstração de posse via ciúmes só vai servir pra ficar claro pra ele/a (♐) que você não é a pessoa esperada pra vida dele/a… outra dica: fuja como o diabo da luz de uma vida rotineira, não estrague seu relacionamento com a conta de luz que você tava esperando o seu bicho meio homem meio cavalo pagar, não faça isso, só despeje doses horrorosas de realidade no seu centauro quando você ver que não há mais nada a fazer a não ser cair fora… o homem sagitariano é pauta pra colunas e colunas de mulheres traumatizadas com a categoria “parceiros que não podemos contar” …pausa… parceiros que não podemos contar na vida real, porque no que diz respeito a fantasia, aventura, luxúria, gozo e prazer, e nos sonhos mais doidos que a vida pode ofertar ele é ótimo… (e na vida cada um sabe que tipo de pessoa lhe faz feliz ou não).

Todo sagitariano é porra loca? Aqueles fiéis a sua natureza sim, mas pra tudo há excessão… Sim haverá por certo sagitarianos muito preocupados com o bem estar social, com a justiça, e todos os mecanismos envolvidos pra se ter e levar uma vida social marcante…

Outra característica marcante do signo é seu lado professor filosófico… já se ligou? Não? Preste atenção na comunicação, todo sagitário adora colocar um fundo filosófico nas suas histórias (já ouviu falar naquela merda que chamam de “moral da história?) pois é, sagitarianos adoram isso, é muito comum você tá na resenha com eles, trocando idéias e eles levarem o assunto a outro patamar sempre com alguma verdade maior ou inspiração quase divina inserida no contexto, o professor de filosofia é um típico personagem de quem nasceu com esse signo forte no mapa (🌞 🌚 ASC)…

Todo sagitariano/a é dotado daquilo que se chama visão, acredite nele quando ele falar que tal coisa ainda vai dar o que falar, ou que determinado empreendimento vai gerar lucro e ser um sucesso, ou que aquela viagem que você vai fazer vai mudar sua vida… eles realmente tem essa visão única do futuro (e não costumam errar)…

Respeite sua natureza… fiz um mapa uma vez de uma sagitariana ascendente de pernas longas (característica de quem tem esse ascendente) e falei o óbvio pra ela em relação a sua natureza zodiacal e expliquei que mulheres sagitarianas não suportam e não nasceram pra cuidar da casa, pra trocar fralda, pra preparar comida ou ter uma vida pautada na monotonia das exigências de uma vida “no lar”…. ah, como é bom quando um cliente houve algo da sua realidade que ninguém ainda lhe disse, se eles ficam satisfeitos quem tá fazendo o mapa (no caso eu) fica bem mais… Falo isso pra qualquer sagitariana não se sinta culpada por não curtir afazeres domésticos, se Deus, o universo, as forças astrais, enfim o que você acredita que esta além de nós e que governa a vida na Terra, quisesse que você tivesse prendas domésticas você teria nascido canceriana e não regida no signo do Fogo do arqueiro…

Paulo Al-Funs, astrólogo

Saúde do Piru

imagem ilustrativa web

Não é o tipo de post que eu coloco aqui, mas a causa é boa e importante… Tá rolando uma campanha de prevenção ao câncer de pênis que em média faz mais de mil homens (ao ano), a maioria com menos de 40 anos perderem o seu membro… O problema pode ser evitado com cuidados básicos como uma higiene adequada nas partes íntimas (piru/saco) e cuidados com preservativos e buscar evitar se contaminar com o vírus HPV… Lembre-se um piru sadio e cheiroso é a felicidade de seu dono e de todos/as que também o compartilham… 😋

imagem ilustrativa web

Paulo Al-Funs

20 de novembro e a consciência de cada um de nós

Desde o início de novembro me movo no intuito de escrever sobre racismo, escrever sobre os heróis pretos e pretas do passado que mesmo a conta-gotas não param de se levantar na busca de encontrar um lugar, o lugar que deveras é seu, um espaço que foi lhes tirado na escrita, no tempo e na memória daqueles que escrevem a história tradicional (pessoas de pele branca)… já é final de novembro e eu me pego a pensar o que eu poderia falar, provavelmente eu aprendo mais escutando todos os pretos e pretas no compartilhamento de suas experiências do que falando das minhas que a rigor seria um martelar nas mesmas palavras que já expressei em outras páginas e perfis nessa mesma data… o que eu tenho a acrescentar? Continuo acreditando que a educação e o conhecimento é a base pra toda pessoa crescer na vida, o conhecer pode nos levar a lugares físicos ou mentais que só bem (em geral) pode nos fazer… 01 ano depois das aulas do Babu Santana eu que sempre me defini como negro passei a me definir como preto e gosto desse termo preto… eu confesso que não sou a pessoa mais esperançosa (como poderia ser sendo preto no país das chacinas onde o alvo é quem possui o brilho da cor?), mas também sei que nós não devemos e não podemos parar na busca do nosso lugar onde nenhum racista ou racismo pode nos tirar….

Apagamento…. muito se fala e hoje nós sabemos um pouco mais sobre como é, foi feito e continua ainda se desenrolando o apagamento de nós pessoas de pele escura… Apagamento em resumo é o ato de você ignorar o trabalho, os feitos e ações de pessoas pretas jogando para as sombras do esquecimento tudo que elas fizeram, creditando suas realizações a outras pessoas (de pele branca), cito 02 exemplos aqui no Brasil que acontecem em pleno século 21, uma das bandas mais marcantes do rock é a Legião Urbana dos anos 80 que teve um músico (baixista) preto, todo roqueiro tem fixação na formação original de uma banda, quando não tem na original, tem na mais produtiva, é por isso que nós (roqueiros) sempre sabemos quem participou de tal banda e em que disco tal músico tocou, eu fico impressionado como a figura do preto Renato Rocha é excluída quando se fala da Legião, como se a banda tivesse sido apenas um trio de músicos brancos… isso pra mim é apagamento, outro exemplo, um dos maiores grupos vocais do nosso país, os Golden Boys, (que pelo talento deveriam estar no Olimpo da música brasileira, mas não estão). Nos anos 60 num daqueles famosos festivais da época, os Goldenforam procurados e convidados pra defender uma música (“Andança”), depois de aceitarem foi pedido a eles pra deixarem a jovem namorada (totalmente desconhecida) de um dos compositores a cantar junto, o que eles concordaram. A música foi um sucesso, a estreante Beth Carvalho depois disso seguiu uma carreira vitoriosa pelo seu próprio talento, e “Andança” ficou sendo passada adiante como um sucesso solo da Beth no festival , o que nunca foi. Desde o início foi Golden Boys & Beth Carvalho (eles eram muito famosos, ela não), isso pra mim também é apagamento…

Lá fora, Arthur LeeArthur foi o frontman da banda Love pioneira daquele novo som chamado psicodélico que emergiu nos anos 60, a banda Love é tida como a primeira banda de rock a unir músicos pretos e brancos tocando juntos, os Love eram referência em modismo (pelo visual), atitude e loucura pra todas as bandas americanas que estavam pipocando por Los Angeles na Califórnia trazidas pelo vento do movimento hippie, Arthur foi o primeiro frontman a impressionar pelo visual nada convencional, foi ele que amarrou um lenço na cabeça, talvez ou provavelmente por alguma influência ancestral dos seus ancestrais pretos e lançou o que veio a ser a moda do que hoje se chama bandana e que enfeita a cachola de muitos descolados por aí e que nem sabem que foi um preto que mandou um foda-se e ousou se pavonear (se arrumar) e se apresentar da forma como queria. Se fala em muitos ícones dos 60, mas Lee que nem sempre podia tocar nos clubes e cidades que queria por causa do “detalhe da cor” segue ainda nas sombras do esquecimento ou apagamento…

Enfim eu tô citando exemplos que pra mim são os mais gritantes mas são inúmeros os pretos e pretas do nosso país, anônimos, famosos que tem que lutar com as garras e presas de um tigre ou leão pra garantir o mínimo e estar sempre em alerta pra que não tomem seu lugar…

Renato Rocha o baixista da Legião

capa do álbum “Fumacê

Arthur Lee psicodélico

Formação original do Love com um Arthur Lee bem sexy ao lado do guitarra gato Johnny Echols

Em 1973, Lee reformou os Love colocando só músicos preto

capa do álbum “Black Beauty

Paulo Al-Funs – nesse momento só um pretinho pensante

Queen Afro

A rainha afro 
tem um sorriso
grande, luminoso

A rainha afro
é uma amiga querida,
uma pessoa daora
que me da grande prazer
em jogar conversa fora...

A rainha afro
tem um cabelo brilhante,
ainda não cacheado,
mas mesmo escovado
é todo encorpado...

A rainha afro
com seu Sol em escorpião,
é pura combustão
com seu peito tatuado
e um rosto em forma de coração
a impressão presente
de seu ascendente,
no signo de leão...

Paulo Al-Funs - versista autor de "Curtipoesia" (2021) via ed. Clube de Autores

Pixote, a Lei do Mais Fraco, 1980

cartaz de “Pixote, a Lei do Mais Fraco”

Foi a terceira vez na minha vida que eu assisti “Pixote” e como todas as anteriores também impactante, olhando agora percebo que em fases muito distintas da minha vida, na primeira eu era uma criança, na TV nos velhos festivais de cinema acho eu, já não tenho certeza, quando se exibia na emissora mais popular filmes brasileiros e outros mais em horários assistíveis, isso nos anos 80, e eu criança de tudo já ligado nos filmes, depois nos 90 adolescente em vídeo, me lembro desse dia, na época passava uma novela com Marília Pêra, e quem assistia junto ficou em choque com sua personagem que era o oposto total da sua personagem ingênua da novela, agora novamente revejo esse clássico absurdo de tão bom, tão duro e cruelmente realista e o pior depois de tanto tempo atemporal ou simplesmente ainda atual (?), Pixote me lembra “The Wall” do Pink Floyd, última obra-prima da banda e que eu escutei muito, mas só por um breve tempo da minha juventude, um tempo que eu tava bem em baixa comigo mesmo, muito deprê, e foi a trilha sonora perfeita daquele período, mas logo saiu de cena, passou e eu nunca mais consegui ouvir esse disco novamente, só no rádio quando rola uma música ou outra aleatoriamente, Pixote tem isso, evoca isso em mim, um filme pra se assistir, conhecer, ver a sua perfeição mas mergulhar nela, não…

O filme: narra a história de vários garotos jovens todos adolescentes ou nem isso, numa típica casa de detenção, com todos os abusos, e horrores que se pratica nesse tipo de lugar, cometidos por quem devia cuidar deles, de quem deveria estar ali pra fazer com que eles pudessem ter uma chance ao menos que seja de conseguirem um retorno pra uma vida dita normal com sua família, na sociedade, mas não é o que sucede, o terror físico e psicológico está sempre a espreita, sempre a disposição de uma punição, sempre aguardando a oportunidade de se livrar em nome do Estado de mais alguém que não se quer cuidar, tratar, ensinar… Numa noite de revolta muitos fogem e seguem pra mais uma caminhada de incertezas, só que dessa vez nas ruas, levando consigo sonhos desfeitos e verdades impuras, levando consigo a expressão do ódio com o qual foram cultivados durante tanto tempo numa rotina de terror e desamor sem fim… o filme tem interpretações de gigantes dos atores que fazem os internos, eu pra ver um filme brasileiro que tenha conseguido extrair esse grau de interpretação de um elenco tão jovem que fica pau a pau com o elenco de feras com os quais eles contracenam, o filme foi indicado ao prêmio de melhor filme estrangeiro e por questões técnicas não pode concorrer ao Oscar também de melhor filme estrangeiro, mas correu o mundo e mostrou uma realidade tenebrosa de um aspecto social nosso, Brazil, que até hoje não se tem por resolvido… Indispensável… no YouTube….

Gilberto Moura
Edílson Lino
Jorge Julião

Eu convidei e o ator Jorge Julião que faz a inesquecível Lilica aceitou responder as minhas indagações sobre o filme, conforme o combinado segue as perguntas e respostas tal qual foram feitas e respondidas via Instagram:

Paulo Al-Funs – Boa tarde Jorge, vamos começar pelo início, qual foi seu primeiro contato com arte, um filme, um livro, uma música que tu ouviu que te conectou e vc falou ‘vou ser artista’?

Jorge Julião – Oi Paulo. Vamos lá: Sou santista e transferi a Faculdade de Psicologia para cá e fiz teste para entrar em um espetáculo chamado “O último carro” de João das Neves. Passei e comecei a estudar artes cênicas.

PA – Ser um artista da atuação/interpretação era o que vc desejava desde o início ou estava voltado a outra forma de expressão artística?

JJ – Quando descobri o teatro, resolvi me aperfeiçoar e estudar outras áreas que envolviam artes cênicas. Dramaturgia (gosto muito) direção e interpretação…

PA – Como vc foi contatado pra fazer a Lilica, te viram e tu foi convidado, ou você correu atrás de algum teste quando soube que ia rolar o filme?

JJ – Os testes aconteceram em São Paulo e duraram dois meses com muita improvisação.

PA – Tem alguma lembrança específica/especial quando vc estava nessa fase de escolha de ator pra fazer essa personagem?

JJ – Quando conheci o personagem, fiquei encantado e lutei muito para chegar nos finalistas até ganhar o papel.

PA – Como foi o trabalho de preparação de vocês? No filme fica claro que vocês foram muito além do que poderia se esperar de tão jovens atores.

JJ – Tivemos um preparo teatral muito bom com Fátima Toledo e passamos dias juntos estudando os perfis de cada um dos meninos.

PA – Qual foi sua primeira impressão do diretor Hector Babenco e como era ser dirigido por ele? Era muito exigente, dava liberdade pra vocês improvisarem?

JJ – Foi muito bom trabalhar com o Hector. Duro, exigente, mas sabia exatamente o que queria. Mas aberto a mudanças de alguns momentos do filme.

PA – Tudo em “Pixote” é brutal e a realidade sempre presente, é um filme cru e sem fantasia, como era o clima durante as filmagens?

JJ – Hector e equipe entendiam as dificuldades do elenco mirim e tínhamos uma atenção especial. Até porque Fernando (Pixote) não sabia ler e na hora de decorar as cenas ficávamos juntos. Mesmo as cenas mais duras, conversávamos bastante para o clima não pesar tanto.

PA – Lilica é a bixa maconheira daquele centro de detenção, mas tem o respeito dos outros garotos, além de um parceiro para o amor, como era o convívio com os outros atores?

JJ – Antes de começar as gravações, já tínhamos um clima de convívio tranquilo. Já nos conhecíamos. Inclusive Marília Pêra veio mais cedo para São Paulo, ensaiar com o grupo principal.

PA – Sua cena de desespero pela perda do seu parceiro é uma das mais intensas do cinema (não só do “Pixote”) de que forma aquilo te tocou no seu âmbito pessoal?

JJ – A morte do garotão foi filmada de madrugada, muitas vezes. Fui ao máximo do sentimento de perder alguém muito próximo. A música entrou depois, mas combinou com o clima proposto.

PA – É difícil falar entre tantas cenas de uma em especial, mas no final quando vc pergunta para o Pixote “o que uma bixa pode esperar da vida?” E ele responde “nada né Lilica” aquilo é muito forte e representa toda uma questão de vidas LGBTs como foi fazer, vc tinha consciência que tocava no inconsciente de milhares de vidas?

JJ – Até hoje comentam dessa cena. Hoje o mundo está mudando, as pessoas começam a ficar mais tolerantes. Acho que hoje qualquer pessoa pode sonhar mais. Acreditar mais. Não é fácil, mas o principal é não perder a fé no que se acredita. A música que a Lilica ia cantar era Debaixo dos caracóis de seus cabelos do Roberto Carlos e conversei muito com Hector e consegui trocar por Força estranha do Caetano.

PA – A comunidade LGBTs é cotidianamente perseguida mesmo que veladamente, insultada (mesmo que só entre quatro paredes) e morta no nosso país, como vc observa isso?

JJ – A comunidade LGBTs começa a se mobilizar mais, mostrando caras novas que acreditam em uma mudança, mesmo com um governo tão radical e intransigente. Encontrei vários meninos que me contaram que Lilica foi libertadora. Fico emocionado até hoje. E a resposta ao Pixote hoje será: uma bicha pode tudo!!!!!

PA – Uma das coisas que achei muito legal é que a Lilica simplesmente vai embora e não morre como muitos personagens, o que da uma certa esperança, vc acha que ela estaria viva hoje, teria chegado aos anos 2000?

JJ – Lilica vai embora, justamente para crescer. E o crescendo dela fica justamente na imaginação de cada um. Lilica era da vida e pra vida!

PA – Todas as cenas que vocês jovens atores fizeram vocês não ficam minimamente aquém das feras que vocês contracenaram, em algum momento vc ficou intimidado com algum deles?

JJ – Adorei contracenar com todos. Foram gentis e pacientes. Marília foi uma escola emocional para mim e contracenar com Jardel Filho me emocionou. Sempre gostei muito dele.

PA – Como foi a estréia do “Pixote” vocês assistiram juntos, o filme rodou e foi premiado mundo afora, vocês chegaram a viajar pra algum país pra representá-lo?

JJ – O filme foi especial a cada um. Ninguém previa o sucesso mundial que foi. Outro dia lendo uma entrevista do Spike Lee, ele diz que é o filme predileto dele. Não é o máximo? Viagem para várias cidades para apresentar o filme. Assistimos juntos a estréia e participamos de vários debates.

PA – Como a vida transcorreu pra você depois do filme, se dedicou a um novo projeto, filme, teatro, a fama do filme te ajudou, atrapalhou?

JJ – Depois do filme fui estudar mais. Criei vários grupos de teatro e hoje me dedico a aulas de interpretação para jovens e pessoas da Maturidade. Faço parte de um grupo que estuda Teatro chamado Rádio Ilusão, onde escrevo e dirijo peças, participo como professor de um Projeto Teatro Cidadão. E trabalho com grupos de pessoas com mais de 60 anos onde juntos aprendemos a melhorar a nossa vida. (Memória, movimentação e ritmos).

PA – O Fernando morreu como morrem muitos jovens pretos no país, vocês mantinham contato na época?

JJ – Fernando foi assassinado como tantos jovens de periferia são. Uma realidade brutal, dura, que ainda vai permanecer atual com essa diferença social absurda dentro do País.

PA – Que tipo de filme vc curte, tem algum outro filme brazuca que vc considera tão atemporal como “Pixote”?

JJ – Sou cinemaníaco. Assisto tudo. Vejo desde terror trash, até melosos. Aprendo sempre com cinema. Escola da vida… Tenho predileção por dois filmes do Cacá Diegues “Bye Bye Brasil” e “Chuvas de Verão”. Me tocam até hoje.

PA – Curiosidade pessoal, vc curte astrologia? Sabe seu signo, ascendente, lua?

JJ – Sou taurino, com ascendente em Sagitário, e horóscopo chinês, sou galo.

Jorge Julião e Rubens de Falco
Marília Pêra
Jardel Filho
Elke Maravilha
Tony Tornado
Fernando Ramos

Deixo aqui meus agradecimentos ao Jorge pela imensa gentileza e espero que outros cinéfilos e fãs do filme e do ator possam ler e também curtir…

Paulo Al-Funs, cinéfilo

Poesia semi romântica

A jovem 
correu para o rio,
foi buscar flores
para o seu sexo,
seu amor enfeitar...

Pena...
encantada a sonhar,
não viu uma pedra
da ladeira à deslizar

Coitada,
atingida sem prever
no rio foi parar,
como não sabia nadar,
ali se deixou ficar...

Foi encontrada a boiar
em seus lábios
o sorriso luminoso,
dos que partem, a sonhar...

Paulo Al-Funs

Poesia semi romântica” está no meu livro Curtipoesia (2021), ed. Clube de Autores

B@l#$n@r$ e Adélio – uma fakeada no coração do Brasil, 2021 (documentário)

O jornalista Joaquim de Carvalho

Tenso, assisti, e quero rever vezes mais, sinceramente não me recordo de quando assisti um documentário desse naipe tão eficiente e dirigido (Max Alvim) com o profissionalismo que o jornalista Joaquim de Carvalho (que eu não conhecia) apresenta aqui, se você independente da sua corrente ideológica tem interesse no seu país (nosso) Brazil ainda não assistiu, não perca tempo, assista agora

A primeira pergunta na minha cabeça que veio foi como até agora nós não tínhamos tido interesse e deixamos esse momento tão importante da história adormecido em nossas mentes durante tanto tempo? Como pudemos estar tão a par do descalabro que é esse desgoverno e de tudo de mal que ele já nos fez e continuar a fazer e nunca pararmos pra pensar que esse fato (a suposta facada) pode ter sido mais uma farsa (entre muitas) dessas mentes sinistras que estão no controle do país? O jornalista Joaquim de Carvalho realmente fez um trabalho que é de suma importância e que deveria ter sido já realizado por outros veículos de comunicação (especialmente os chamados de grande mídia) não tem como não assistir a história recentíssima dessa (suposta ????) fakeada e ficar imune, repetindo, independente de qual lado você está nessa loucura toda que virou a vida pública política do país… Com muito profissionalismo o jornalista nos leva até Juíz de Fora em Minas Gerais e vai trazendo os fatos de volta a tona, o que sabe, o que achava que se sabia, e principalmente as dúvidas e perguntas do que não se sabe e está muito bem oculto… Não vou dar spoiler, está no YouTube, e acredito que é muito relevante pra se conhecer, nesse momento atual, imprescindível pra todo brasileiro, seja pra debater, contestar ou simplesmente acreditar que vivemos uma era de mentes absolutamente sinistras a nos espreitar…

Paulo Al-Funs, versista nessa página e no livro “Curtipoesia” ( 2021)

Natureza

Entre o anoitecer 
e o amanhecer,
está o saber
Entre o alvorecer
e o florescer,
está o saber
Entre a consciência
e a razão,
há mil gamas
de inspirações
Entre a natureza
e o verde oliva,
há mil vidas,
camuflada,
em galhos, folhas
troncos,
de uma terra
antiga...

Paulo Al-Funs

🌿 “Natureza” é o poema 92 do livro Curtipoesia

Cabresto

O voto de cabresto 
está no ar
será que vai nos alcançar?

O voto de cabresto
é pra nos lembrar
que em terra
de coronel
não se pode opinar

O voto de cabresto
última novidade
à se lançar
daquele que não
se cansa
de matar

E ele mata sem
parar
se não é com
cloroquina,
pode ser até
com pólvora
Afinal, o importante
é arrasar

Nações do mundo
se atentem
ao Brasil,
não permitam
que um monstro
destrua nosso povo
fazendo das pessoas
um alvo do seu fuzil...

Paulo Al-Funs
Foto web (autor do desenho na foto)

+++ Genocida (Quase 600 Mil Mortos)

Cachos

Negros cachos 
caem sob o luar
são seus cabelos,
que descem revoltos
na noite de âmbar...

Negros cachos
se agitam
no ar
são leves,
soltos
decididos à voar...

Negros cachos
cobrem e molduram
a cabeça,
não se perdem
no tempo
são vínculos
de estranheza...

Paulo Al-Funs
2001
2021

🌚 “Cachos” foi publicado na curtipoesia em 28/07/2017 🌿