E Deus Criou a Mulher (56)

Demorou, mas finalmente assisti esse longa que transformou Brigitte Bardot em mito, estrela, ícone do cinema e da vida de muitos/as. Era um filme que eu realmente queria conhecer, sempre tive curiosidade, e é um bom filme da forma mais redonda e positiva de se dizer. E ela realmente me encantou. Mas foi um encanto que foi acontecendo porque ela vai te ganhando aos poucos. Ela está muito jovem (21 anos na época da realização) e atua muito bem. Tem um cabelo longo-loiro-ondulado, um corpo muito bem delinhado, e é visível porquê caiu nas graças do mundo (literalmente). Ao que se consta depois de MM (Marilyn) foi a maior sexy simbol da época.

Spoilers? Vários

O Filme: Jovem (Brigitte) passeia pela tela provocando intencionalmente os homens que encontra. É assediada e flerta com eles, não faz o tipo puro-ingênuo-sexy, ao contrário, é uma jovem femme fatale que sabe o que quer e o poder que têm. É lasciva, mas realmente curte um cara que descobre que só afim de usá-la sexualmente para depois a descartar. Para evitar ser ‘devolvida’ ao orfanato, se casa com o jovem irmão do seu crush, contra a vontade de todos que a tem como fácil (é um filme dos anos 50) e é claro, teremos um pouco de drama por vir… O cunhado (ex-love) é um canalha (Christian Marquand), impossível de se ter qualquer simpatia por ele, seu irmão, o noivo amado, é um cara tímido, puro, e bem bonito, que gosta e a aceita como ela é, ele não a quer mudar e o legal é que ela vai fazer a sua parte (mesmo sendo contra a sua natureza) de ser fiel a esse homem. Ela é muito avançada, cheia de vida, de fogo, selvagem, mas aceita ficar naquela família onde a mãe (sogra) tenta enquadra-la até que o canalha que havia partido retorna e… JeanLouis Trintignant da um show. O muleke trabalha um tipo que qualquer outro ator teria dificuldade. É um casal perfeito em cena, ambos a cara dos seus personagens. Marquand está tão bem que a antipatia pegou. Curd Jürgens que não conhecia também tem presença. Roger Vadim é um cineasta que eu gosto (é o segundo longa seu que assito no ano), ele é muito elegante, visualmente nos apresenta imagens de primeira (cópia perfeita possivelmente restaurada), seus filmes tem fogo, pique (não são frios longas franceses), dirige bem, é um cineasta que me ganhou… A cena final com Juliete dançando entre lágrimas e com consciência da decepção que provocará a si e aos outros, mostra que ela tem coração, assim como seu amor…

Onde assistir? YouTube

Brigitte Bardot partiu. Qualquer leitor que já correu minimamente seus olhos pela Curtipoesia sabe que eu não faço homenagens, não por não sentir, mas por pura dificuldade minha em escrever sobre alguém que eu admiro/curto o trabalho e que acabou de nos deixar. Brigitte transcendeu. É impossível ser cinéfilo, e ser cinéfilo é ter um amor pelo cinema que se inicia muito cedo na vida, e não ter contato com o nome, a marca Bardot. Pessoalmente admiro toda e qualquer pessoa que vive ou viveu sua vida sem estar a disposição da opinião dos outros. Bardot além do cinema viveu como quis. Firme, forte, independente. Humanamente cheia de defeitos visíveis. Admirava a coragem dela de cair fora da sua arte antes de completar 40. Dizia que o fogo do cinema era muito forte, se continuasse estaria morta como outras atrizes/estrelas que não conseguiram lidar bem com suas vidas e carreiras. Preferiu deixar do que ser deixada. Colocou o Brasil na sua história pessoal. Muito antes de muitos já estava preocupada com a causa animal. Tretou feio e publicamente com outra grande estrela nos anos 90 por ela desfilar com casacos de pele autênticos, deixando bem claro que quem tem o poder de influenciar também tem responsabilidade sobre o que influencia. Sempre achei admirável o fato de uma das mulheres mais atraentes da sua época se recusar a fazer plástica. Foi até o fim com seu rosto original envelhecido naturalmente. Enes paixões. Uma vida pública que causava, como qualquer grande estrela que se preze. Assumiu que nunca teve instinto materno. O único filho que teve entregou para o pai criar. Verdadeira sempre. 2025 vai chegando ao fim, e levou muita gente interessante. Brigitte Bardot entre elas.

Assisti “E Deus Criou a Mulher” em 15/09/2021 – época do texto acima. E indico a todos. Vale conhecer.

Brigitte Bardot, nasceu em Paris no dia 28/09/1934 às 13h15 da tarde. Tem o sol ☀️ em 04°41 de ♎, a 🌚 12°02 de ♊ e o ASC a 15°23

Paulo AlFuns, autor

A Fraternidade é Vermelha (94)

Cartaz de “A Fraternidade é Vermelha

Eu já tinha assistido aos 02 primeiros filmes da Trilogia das Cores (A Liberdade é Azul, 93 e A Igualdade é Branca, 94) do cineasta Krzysztof Kieslowski. A terceira parte até ontem, não. Gostei como havia gostado dos outros. É um filme intimista. E era o que meu estado de espírito queria. O filme: Segue a estrutura dos anteriores. Isto é, a vida é unida por um fio invisível que quer você tenha consciência ou não, nos faz estar todos conectados. Estando todos ligados, o que afeta um, vai chegar ao outro. A jovem Irène Jacob mora sozinha, mantém um relacionamento com alguém que está mais voltado para sua carreira (e portanto não a prioriza), vive uma vida independente, mas com um olho nos seus, um tanto preocupada com os altos e baixos do cotidiano familiar. Seu desejo de cuidar aflora ao atropelar Rita uma dog grávida, que salva ao levar para a veterinária a tempo de ser costurada, e que por conta do acidente também vem a conhecer seu tutor (não vou chama-lo de pai bichológico porque ele não é) ao qual Rita mantém sua fidelidade canina. Temos um tema canceriano para o qual o cineasta (do signo solar do caranguejo) tem na personagem Valentine um veículo pra sua expressão natural (o tema família, lar, cuidar, filhos é de extrema importância para as pessoas desse signo) do seu sol natal. Não correspondida pelo namorado ausente e pouco afetivo, longe do lar original, vai encontrar em Rita e seu idoso (e solitário) tutor, o objeto das suas atenções afetivas. O senhor é feito pelo grande JeanLouis Trintignant, um juiz aposentado dado a atividades não lícitas, e que por ter exercido a profissão de julgar os outros “e decidir o que é verdade” como ele fala, também tem um conhecimento mais profundo da natureza e caráter humano. Enxerga a vida como ela é. Paralelo a essa história, transcorre a vida de Auguste (JeanPierre Lorit) também futuro, quiçá promissor juiz e sua parceira cujos caminhos (destino) sem ao menos saberem, estão sempre a se cruzar com a da jovem Valentine. Auguste, o apaixonado, é pai de pet e uma das cenas mais tristes se dá entre ele e seu filho peludo.

É um filme europeu emotivo, portanto, contido.

Podia ser melhor: a tela em wide em vez de cheia.

Ponto crítico: A imagem restaurada. Basicamente toda a primeira linha de cinema está sendo restaurada em 4K. Bacana. Só que ficou com uma imagem um tanto saturada (não é a palavra que queria usar, mas é a que surge) e em outros momentos está bem granulada.

Vale conhecer? Com certeza. Lembrando que o momento de assistir não vai ser quando tiver afim de ver uma comédia ou um filme de ação.

Astrológica

JeanLouis Trintignant, nascido em Piolenc, França, às 7h00 da manhã do dia 11/12/1930,com o ☀️ 19°02 ♐, a 🌚 05°18 ♍ e o ASC 28°39 ♋

Irène Jacob, nascida em Suresnes, França, no dia 15/07/1966, às 8h30 da manhã, com o ☀️ 22°22 ♋, a 🌚 14°17 ♊ e o ASC 29°08 ♌

Krzysztof Kieslowski, nascido em Varsóvia, Polônia, no dia 27/06/1941, com o ☀️ 05°21 ♋

Valentine e o Juiz

JeanLouis Trintignant

Mamy Rita

Rita e Valentine unidas

Auguste, verdadeiro pai de pet

Valentine posando para o comercial de chiclete

Paulo Al-Funs, autor

Pasolini

cartaz de Pasolini (2014)

A primeira vez que eu me lembro de saber da existência do Pasolini (Pier Paolo Pasolini) eu era muleke. Conheci através da leitura. Era uma coleção de livros finos na estante da biblioteca que eu frequentava. Várias biografias. Foi assim também que eu descobri que havia existido uma atriz foderastica chamada Leila Diniz. Eram ambos membros da mesma coleção biográfica. Ambas as leituras me afetaram. Ambos pela vida que viveram. O primeiro filme com a Leila fui assistir mais tarde, na extinta TV Manchete “Os Paqueras” (69). Era só uma participação, entre tantas outras atrizes, a protagonista era Irene Stefânia em parceria com Reginaldo Faria. Tanto Pasolini como Leila partiram nos anos 70, e de forma repentina. Brutal. Se o primeiro filme com a Leila rolou na adolescência, Pasolini demorou bem mais, muito mais tempo pra conhecer a sua obra. Primeiro chegou até a mim via livro. Teorema causou em mim. Que livro foda. Fiquei obsecado pra assistir ao filme também dirigido por ele. Levou uma eternidade pra que isso acontecesse. Pasolini era um cineasta abertamente gay. Italiano. Seus filmes chocavam o mundo. Eram feitos com essa intenção. A fudelancia era fator forte nas suas narrativas. E onde tem sexo, tem polêmica.

O filme (Abel Ferrara) narra os últimos momentos do cineasta na Terra. Finalizando o que viria a ser o seu último trabalho, passa o tempo discutindo com seus próximos sobre onde será a estréia, a possível reação do público, se vai ser atacado novamente, pelas pessoas, pela igreja, pela imprensa. Não fazia concessões. O que torna qualquer artista, independente da praia da sua criação, um alvo ativo. Willem Dafoe é desses atores incapazes de não fazer um trabalho bom. Você não vê ele no filme. Você assiste ao Pasolini que ele criou. Sério. Contido. Um cara de presença. Mora com a mãe e uma outra jovem da família. O filme nunca é leve, mas jamais pesado. Só ri durante uma cena, a atriz Laura Betti (Maria de Medeiros) aparece pra uma visita em sua casa após uma viagem à trabalho por terras socialistas, e compartilha com a mama do cineasta que sem dinheiro pra comprar cremes caros para pele, estava usando como anti-rugas creme pra hemorróida. Rachei o bico. Enquanto prepara o lançamento, já vai finalizando um novo livro e planejando o próximo filme. Em meio a isso, busca satisfação com rapazes de programa. As cenas finais são macabras. Mesmo pra quem como eu já sabia o que estava por vir, é um terror que não se alivia. Não acredito que estou dando spoiler porque seu fim é conhecidíssimo.

Ninetto Davoli e Riccardo Scamarcio

Maria de Medeiros (Laura Betti)

Willem Dafoe (Pasolini)

Escandalizar é um direito, se escandalizar um prazerPier Paolo Pasolini.

Willem Dafoe – 22/07/1955 🌞♋ 🌚ASC♒

Maria de Medeiros – 19/08/1965 🌞♌🌚♉ ASC♊

Ninetto Davoli – 11/10/1948 🌞♎

Pier Paolo Pasolini – 05/03/1922 🌞♓🌚♉ ASC♓

Paulo Al-Funs – autor

Acossado, 60

Cartaz de Acossado

Não tem como imaginar a revolução que deve ter sido pra quem assistiu Acossadopela primeira vez, quando foi lançado. Os livros de história cinematográfica nos falam do impacto que causou. E mudou toda a história da sétima arte colocando um novo movimento, a “Nouvelle Vague” em cena. Imagina você fazer um filme que será a referência pra quem for realizar ou desejar fazer cinema. Não é pouca coisa. Godard o pai de Acossadojunto com outros tipos talentosos, eram cinéfilos que faziam críticas de cinema pra uma revista, na real, não eram críticas no sentido clássico, faziam o que eu faço aqui, despejaram seu amor pelos filmes via palavras e dentro das suas próprias visões e gostos pessoais. Podiam ser bem cáusticos e ácidos, já que demoliram muito do cinema mais tradicional e curtiam filmes que não eram tão valorizados. E em algum momento partiram pra colocar a mão na massa e decidiram fazer seus próprios filmes. Algo inédito e que deu certo. Porque tinham talento, sabiam a história que queriam contar e principalmente como contar. A França e o EUA estão na gênese do cinema. Assim como aqui no Brasil nós acreditamos que quem é o pai da aviação é Santos Dumont, (mas lá fora os gringos acreditam que foram eles que inventaram o avião), os dois países também reinvidicam a invenção da sétima arte. Os americanos comemoraram os 100 anos do cinema numa data, e os franceses em outra. Não importa. Importa que foi criado. E é uma paixão universal. Todas as artes se concentram nele. A fotografia vem da pintura, a trilha da música, o roteiro da literatura, a interpretação (e a idolatria pelas estrelas) do teatro. A montagem (edição) é a mistura de todos esses ingredientes e tão importante quanto, porque é dela que saíra o resultado final. Um filme mal montado, é um filme com forte tendência a não ser bem sucedido (por melhor que sejam suas qualidades). Um filme bem montado favorece até um filme mal realizado (por mais triste que sejam suas precariedades). Em Acossado a montagem (o ritmo do filme) é fundamental. A montagem e a trilha caminham juntas completamente entrelaçadas.

O filme: o bandido Michel Poiccard (Jean-Paul Belmondo) em período de liberdade, comete mais um crime, é identificado e passa as próximas horas buscando se safar. Paralelo a isso está enfeitiçado por uma jovem americana (Jean Seberg) que deseja conquistar (para além das noites que dormiram juntos). É um tipo sexualizado, que claro, como qualquer tipo assim, vai formar com sua parceira um casal sexualizado, mas, onde o afeto se faz presente. Bandido romântico? Bom, todo ser humano é passível de paixão… E Poiccard é o típico cara do “pega, mas, não se apega” em relação a suas conquistas. Mas seu coração se encantou por Patrícia. E com ela deseja escapar. Quem não se apaixonaria por Jean Seberg? Eu fiquei impactado por ela no primeiro filme que eu a vi ainda na minha adolescência, “Bom Dia, Tristeza“, de 58, do cineasta Otto Preminger (e a Cecile é muito mais interessante do que a Patrícia). Poiccard é muito descarado, atrevido e ousado. Caiu na perfeição para o ariano Belmondo representar. É sexy, nunca bonito (gosto pessoal não se discute). Magro sarado. E mostra bem seu abdômen. Sim, tem seu charme. Tem alguma coisa nele do “vida loka” do jazz Chet Baker. Queria falar mais, mas, é spoilear… Spoiler… Logo no início, há uma cena que seria impensável num filme hollywoodiano – em plena avenida parisiense, na luz da manhã, mete o dedo no peito de Patrícia e pergunta “porquê você não usa sutiã?”. Em outra cena mais ousada, levanta a sua saia e toma uma bofetada. Quando ele pergunta porque ela o agrediu por estar querendo ver suas pernas, ela responde “não era minhas pernas que você queria ver”. Para um filme lançado a mais de 60 anos, era ousadia em estado bruto essas cenas. Há frases ótimas, e demolidoras (o roteiro também é do Godard) que podem chocar alguns ouvidos sensíveis, uma galera boníssima, verdadeiros/as corações de ouro exalando virtudes que sobrevoam nas redes, grupos e algumas colunas de jornais (que alívio saber que o Criador colocou na Terra gente tão distinta pra orientar aos incautos mortais). Enfim, vale conhecer… A restauração é compatível com o olhar humano e se mantém cinematográfica. Que alívio, a 4k não a tocou.

Seberg e Belmondo

Jean Seberg

Michel e Patrícia

Patrícia e Michel

Jean-Paul Belmondo

Acossado

Jean Seberg – 13/11/1938 🌞♏ 🌚♌ ASC♎

Jean-Paul Belmondo– 09/04/1933 🌞♈ 🌚♎ ASC♊

Jean-Luc Godard – 03/12/1930 🌞♐ 🌚♉ ASC♎

ps: repare como ♎ é presente nos 03 – diretor e protagonistas. Pessoas que nascem com a 🌚 (lua) em Libra são comedidas nas suas emoções. É fundamental que haja harmonia nas suas relações, no seu dia-a-dia para que possam viver com tranquilidade (Belmondo). ASC ♎ apresenta pessoas educadas, refinadas, conhecidas pelo seu bom gosto, e que ganham os outros pelo seu charme e boa conversa (Seberg e Godard).

ps2: Godard é o cineasta citado por Renato Russo na música “Eduardo e Mônica” “… o Eduardo sugeriu uma lanchonete, mas a Mônica queria ver o filme do Godard…”.

Paulo Al-Funs – autor

The Delta

Cartaz de “The Delta”, 1996

Um filme bem básico, bem realizado. Tem cara de filme de diretor novato, meio cru, mas funcional. Simples, mas bem realizado. A fotografia é granulada, o que o deixa mais com cara de cinema, do que alguns filmes que eu assisti recentemente restaurados em 4K. É o segundo filme no ano que eu assisto desse cineasta (Ira Sachs) independente.

O filme: Jovem divide sua rotina, entre uma ficante, as baladas com seus amigos, e a caça por sexo em points frequentados por outros caras gays nas madrugas, no sigilo, e em lugares que ele não frequentaria normalmente. Encontra um tipo com tendência dúbias que não quer só sexo… A cidade onde moram parece ser pequena, e curioso, parece haver uma colônia de vietnamitas. Em resumo é isso, mas, o que o torna interessante é mostrar um recorte da realidade de um rapaz gay no armário e num cenário em que muitos como ele possivelmente podem se identificar. Quem nunca caçou em noites escuras, em lugares ermos e distantes, e se envolveu com algum tipo que o alerta de perigo gritava e mesmo assim, fechava os olhos e deixava se levar? Quem nunca? Tem haver só com o universo LGBTs? Não creio. Sexo per si só oferece riscos independente da orientação sexual de quem o faz… O coração acelera a mil e torna tudo mais quente… (e falo claro das minhas próprias vivências na idade do protagonista, tempo do cio…)

The Delta

The Delta

Shayne Gray 07/04/1972 🌞 ♈

Ira Sachs 21/11/1965 🌞♏ 🌚♏ ASC ♉

Paulo Al-Funs – autor

Amores Expressos

cartaz de “Amores Expressos“, 1994

O filme: São 02 histórias. E aqui tem uma pegadinha que eu não tinha me ligado. O título fala de amor no plural, e na minha cachola eu achei que a primeira história era a história do filme. Isto é, aquele noir do início seria o filme que eu iria assistir. E não é. 1° história: Mulher alicia (ao que parece) imigrantes indianos para traficar drogas (ao que parece como mulas). Numa dessas situações as coisas fogem do seu controle e ela terá que arcar com as consequências do seu vacilo. Na mesma história um homem vive as desventuras de um romance malfadado do qual não consegue esquecer sua ex-namorada. Dentro ou entre essas duas histórias há um cara que se liga a uma outra mulher cuja relação é a quintessência de um amor expresso, puro sexo selvagem…

A 2° história ou o segundo conto é mais longa que a primeira, ou assim me pareceu, e tem duas personagens feitos por um ator e uma atriz com muito carisma. Homem abandonado por sua mulher, também não a consegue esquecer, frequenta o mesmo ambiente que o primeiro personagem da primeira história (uma lanchonete dessas que tem em todo lugar, como aqui no Brasil – aliás, o filme tem alguma coisa (brasileira) bem presente, talvez essa mistura de pessoas, indianos no primeiro, com os orientais (é um filme chinês) aquela coisa da simplicidade, dos lugares comuns onde circulam (nós) pessoas comuns, não há glamour, é tudo muito natural, por isso causa logo no início uma identificação (ao menos no meu caso), pessoas comuns em situações comuns… Há algo de sujo, podre, ordinário, meigo, solitário e carente, me tocou de tal forma que eu não consigo encontrar as palavras que eu gostaria pra descrever… resumindo, personagens humanos em histórias pra lá de humanas… Ainda mais assistido numa época em que bombam hoje, ontem e anteontem chifres virais, não tem como não pensar no que o filme traz em seu título: amor e se expresso é sinal de à jato, fudeu tudo… O filme já tem algo de datado, enquanto assistia os símbolos dos anos 90 iam surgindo, filmadora antiga, fax, toca cds, o cd em si, produtos eletrônicos que hoje podem repousar tranquilamente num museu, e nessas você percebe literalmente que o tempo passou e estamos realmente numa outra era (eu simplesmente não sabia de que época era o filme quando escolhi pra assistir, eu não gosto de saber nada antes, nesse sentido o mínimo pra mim é mais, muito mais), os créditos foram trazendo pra mim a recordação do nome do cineasta (Kar-Wai Wong), depois veio a confirmação que era dos anos 90 mesmo (94). A música. É inebriante. Que é aquilo… É hipnótica na primeira história, e se mistura a um som caliente do passado, e penetra nas entranhas, numa combinação de sensualidade, desejo, sexo, calor…o brazuca “Bacurau” tem uma trilha foda que se entrelaça com a história, uma dessas raridades que acontece no cinema, mas aqui a música trepa com a filmagem… Eu gostei muito, muito…

Vale conhecer? Com certeza.

Pontos altos: os atores carismáticos (Takeshi Kaneshiro, Faye Wong, Tony Leung Chiu-wai) trilha ardente e o calor que provoca em quem tem a mesma forma insana de amar…

Pontos medios: um certo ar datado que se mistura ao clima retrô e indefine as imagens num visu atemporal…

Takeshi Kaneshiro – 11/10/1973🌞♎🌚♈

Faye Wong – 08/08/1969 🌞♌

Tony Leung Chiu-wai – 27/06/1962 🌞♋🌚♉

Kar-Wai Wong – 17/07 🌞♋

Amores Expressos…

Amores Expressos…

Amores Expressos…

Faye Wong e Tony Leung Chiu-wai

Faye Wong

Tony Leung Chiu-wai

Tony Leung Chiu-wai

Takeshi Kaneshiro

Takeshi Kaneshiro

Amores Expressos…

Paulo Al-Funs – autor, cinéfilo.

Estranha Forma de Vida, 2023

cartaz de “Estranha Forma de Vida

É um curta. 31 minutos. Passa bem rápido. Pedro Almodóvar, cineasta espanhol nascido num dia de fez um filme estiloso exercitando características caras ao seu 🌞 natal. ‘filho’ de Vênus e portando carregando no DNA características da sua genealogia não abre mão da beleza (quem escreveu aquele ditado “que beleza não se põe na mesa” não conheceu nenhum nativo do signo ou conheceu e com certeza devia ter raiva, porque pra ♎ beleza é e sempre vai ser fundamental, em tudo, seja nas pessoas, objetos, animais, casas, trabalho, visual). O curta do Almodóvar estiliza no figurino (a história se passa no velho oeste), e se realiza na escolha dos atores. Ethan Hawke, gato na juventude mostra nos poucos mais de 50 outonos que está ótimo ostentando todos os pés de galinhas e algumas rugas que qualquer ser humano que não morreu tem direito (mesmo um astro de Hollywood), os jovens José Condessa e Jason Fernández unem beleza com virilidade, Manu Ríos parece um rosto instagramavel. O tão comentado Pedro Pascal parece encantar muitos olhares aqui e ali.

O filme: Homem chega a uma cidade onde houve um crime (feminicidio) que a lei na figura do sherif Hawke pretende elucidar já sabendo quem é (na verdade principal suspeito). Depois de 02 décadas, Pascal, o cavaleiro que chega vai ao encontro do seu antigo parceiro pra um reencontro surpresa, motivado por questões pessoais familiares e disposto a talvez uma conversa sobre um passado que ficou pra trás.

Eu não sei como é a experiência de uma pessoa ao assistir um filme. A minha é a de um ♊ que tal como Mercúrio seu deus-pai regente vai linkando (ligando) tudo. As memórias surgem naturalmente (nunca em sentido nostálgico, mas numa constante atualização de dados), então é muito natural pra mim estar assistindo alguma cena, e acessar na mente algo que se relaciona com ela. Eu me lembrei de “Ben-Hur” clássico total dos anos 50 da idade de ouro hollywoodiana. Em “Ben-Huro personagem Messala personificado por um viril, bonito e sexual Stephen Boyd volta a sua cidade de origem disposto a relembrar e se ligar novamente ao seu amigo/parceiro de muitas aventuras (atualmente chama brotheragem), o Ben, vivido pelo supra sumo da masculinidade hétero top cinematográfica da época Charlton Heston. Já escrevi a anos atrás em outro post de outro filme como os autores sempre foram livres pra escreverem o que quisessem nos seus livros. Levar esses livros e atualizá-los para o cinema é que era o problema, porque a sociedade assistia muito mais filmes do que lia, e sempre houve o falso moralismo hipócrita que predomina nas relações sociais. Colocar cenas gays em filmes era um exercício mental que roteiristas e diretores tinham que rebolar o cérebro pra resolver. Não só cenas de personagens gays da literatura. Margaret Mitchell autora da obra-prima …E o Vento Levou (1936) narra abertamente no seu livro que sua personagem Scarlett O’Hara só sentiu prazer pela primeira vez ao transar (isso no 3° marido e após 03 filhos), quando foi violentada pelo parceiro embriagado. No filme de 1939, o produtor Selznick traduziu a cena com a atriz Vivien Leigh (intérprete da personagem) acordando alegremente e cantarolando. Como …E o Vento Levou (o livro) era best seller desde seu lançamento (o mundo inteiro o estava lendo) não precisou de muita explicação pras pessoas saberem que a alegria de Vivien (Scarlett) era por ter gozado pela 1° vez. Em “Em Cada Coração um Pecado” de 1942, os parceirinhos Robert Cummings e Ronald Reagan dão um abraço apertado no quarto e na cama depois de um longo tempo sem se verem, tendo a personagem da Ann Sheridan noiva do personagem de Reagan atrás da porta apertando o coração, consciente de que na Terra há coisas que você passa por cima, não se apega e segue a vida. Em “Rebecca, a Mulher Inesquecível” de 1940, o genial Hitchcock mostra a obsessão amorosa da governanta interpretada pela Judith Anderson por sua amante e empregadora numa cena curiosa: cheirando a roupas íntimas da sua parceira. Hitchcock era demais. Gênio é gênio. Se o cidadão/ã médio que ia ao cinema não se ligasse no status da relação das duas, é porque o tipo era realmente lento no seu pensar. Estou citando aqui exemplos aleatórios que vão surgindo enquanto escrevo. Mas qualquer leitor ou cinéfilo deve ter os seus na mente. Lamentavelmente muitas histórias boas baseadas em livros de sucesso que tinham personagens tidos como promíscuos, libertinos, gays, lésbicas, amorais ou imorais naufragaram na tela quando foram transformados em filmes. Porquê? Por conta de roteiros cujos produtores resolveram cortar demais o produto original pra poderem agradar um público mais conservador e dos livros que se baseavam suas histórias saíram filmes que não tinham nada a ver com a obra original resultando num arremedo fraco e fracassado. Faltou visão a esses senhores. Visão porque qualquer pessoa sabe que mesmo o mais terrível conservador (seja de que época for) gosta de uma boa sacanagem, de histórias que revelam não só o melhor mas também o pior do ser humano, e o tema sexo está presente na vida das pessoas desde que o “mundo é mundo” né. Seja consentido, abusivo, gay, lésbico, hétero, solto, reprimido ou libertino (surubado) a história da humanidade é contada através do sexo. Gore Vidal (um dos roteiristas) e William Wyler (o diretor) tiveram que rebolar pra vender pra sociedade dos anos 50 a história de despeito amor rejeitado e sua ira vingativa de Messala por Ben-Hur na negativa deste em não querer reviver “aqueles tempos mais prazerosos”. E venderam bem. O filme é campeão de Oscars e uma das melhores produções de cinema épico que Hollywood já produziu. Wyler mostra no seu clássico a relação de Heston/Boyd em pouquíssimas cenas no início, mas, que os dois atores exploraram muito bem.

Depois de toda essa exortação cinéfila/literária vamos lá… O curta é bom, provável que seria um longa interessante também (nunca assisti um faroeste ruim que me lembre, por mais fraca que seja a história), mas o veterano Almodóvar se decidiu por um pequeno filme na duração e grande na ousadia e assim foi. E é digno de reconhecimento que um cineasta nascido em 1949 esteja ainda realizando de forma eficiente o seu ofício. Quem ganha somos nós.

Pedro Pascal chegando…

Hawke e Pascal o reencontro pós 02 décadas…

Pascal como Silva.

Jake e Silva na juventude…

Os dois Pedros… Almodóvar e Pascal.

Almodóvar entre seu elenco masculino… cowboys estilosos…

Messala (Stephen Boyd) e Ben-Hur (Charlton Heston) comemorando o reencontro anos depois, no clássico de 1959.

Ethan Hawke, americano, 06/11/1970🌞♏ 🌚

Pedro Pascal, chileno, 02/04/1975 🌞♈🌚 ♑

Pedro Almodóvar, espanhol, 25/09/1949 🌞♎

Paulo Al-Funs, autor.

♀️O filme Rebecca, a Mulher Inesquecível lançado em 1940 foi baseado no livro homônimo da autora Daphne Du Maurier que por sua vez foi baseado no livro da autora brasileira Carolina Nabuco. Aqui no Brasil o romance foi transformado em novela “A Sucessora” nos anos 70. Sou curioso pra saber se a Globo e o autor e a direção da novela tiveram coragem de bancar a personagem lésbica da trama, na novela interpretada pela gigante Nathalia Timberg.

10.000 Km

cartaz de 10.000 Km

Assim que começa 10.000 Km e surge na tela a personagem de Alex por cima de Sergi eu me lembrei de “Na Cama” um dos muitos filmes que eu assisti no “Cine Arte” no início dos anos 2000 aqui em Santos. Tivesse minha mente a ousadia de ir mais adiante e chamasse meu coração pra participar da recordação eu me lembraria também de como “Na Cama” começou com um casal trepando e não muito depois caiu num profundo tédio, porque a menos que seja um porno, não tem filme que resista a uma completa falta de história cujas cenas mais interessantes aconteceram logo no início. Alex cavalga sobre o pau de Sergi até gozar para iniciarem uma conversa sobre a possibilidade de no ato terem conseguido fazer um filho. Os devaneios duram pouco. Alex recebe uma mensagem a comunicando que ganhou uma bolsa pra realizar seu sonho – estudar fotografia no exterior, no caso, nos EUA. No caso tendo de decidir sem ter muito tempo pra pensar se deixa o parceiro, o sonho de ter filho e a vida comum que leva em Barcelona para trás. Pausa. O que você faria? Alex quer ir, mas joga a responsa pelos seus sonhos no colo de Sergi, que simplesmente não tem outra alternativa a não ser incentivar a parceira que ele realmente ama, o que significa ficar sem a sua presença física por 01 ano (além de adiar também por esse tempo o desejo de ser pai). O que segue é o drama do tédio. Só dois personagens em cena que vão passar todo o filme mergulhados em sua solidão particular procurando através dos meios possíveis (internet e telefone) se comunicar e manter acesa a chama da paixão. Pausa. Tu aguentaria? Há limite (de tempo) para o amor? O quanto você é capaz de esperar pela realização do sonho do outro? Tem casais que moram em casas separadas, mas, se vêem todos os dias. Tem casais que um dos parceiros está sempre viajando, mas, em algum momento ele/a volta pra casa, tem casais que pedem um tempo um para o outro pra ver a quantas está a relação e se seus sentimentos ainda se mantém fiéis de um para o outro. Há diversos tipos de casais, cada qual com sua combinação particular. Essas perguntas vão surgindo depois, só depois. Eu tenho por modus operandi escrever sobre um filme (e eu escrevo sobre todos os quais assisto) só depois de 01 ou 02 dias. Se eu fosse escrever sobre 10.000 Km assim que terminei minha sessão particular, ia só ter palavras duras. Agradeço muito por ser assim. Porque o sentido só foi vindo depois. Natalia Tena é uma atriz masculinizada. Não digo sapata, mas, masculinizada como muitas mulheres atualmente. Enquanto assistia pensava se não podia ter sido feito por outra atriz mais bonita e com algum carisma, e depois me apercebi do nome, que também é ou soa masculino “Alex”, pra finalmente perceber depois de assistido que o cineasta simplesmente inverteu os papéis. É ou era sempre o homem que busca a realização dos seus sonhos e quem até então ficava em stand by era a mulher (é necessário dizer que se trata de um casal cis?). E isso é mostrado no filme desde o início, basta lembrar que eu já mencionei lá encima, que no sexo ela está por cima. Sergi é um amor. Interpretado pelo ator David Verdaguer ele é gostoso, sexy, carismático e não se fica indiferente ao seu drama. Trabalha bem. Seria um sonho de parceiro, assim como tem muitas mulheres que seriam um sonho de parceira, mas que no decorrer de uma história romântica são atropelada/os pela realidade da vida. Nesse sentido, vale assistir o filme.

Alex e Sergi

10.000 Km (2014)

Natalia Tena, inglesa, 01/11/1984 🌞♏ 🌚♒

David Verdaguer, espanhol, 28/09/1983 🌞♎ 🌚♊ ASC♐

Paulo Al-Funs, autor, cinéfilo e otras cositas mas…

Os Sonhadores

cartaz de “Os Sonhadores”, 2003

É um filme que pode se dizer que é “jovem” já que foi realizado no início dos anos 2000. O tempo voa. Na minha cabeça era um filme feito “a poucos anos” e por isso estranhei o esclarecimento na abertura avisando que estava restaurado. Quando foi lançado tive uma leve curiosidade (por conta da época em que se desenrolava – os anos 60) em conhecer. Mas caiu de ser agora.

O filme: O jovem Michael Pitt (nem lembrava desse ator) está morando em Paris para estudar (por conta da faculdade “escapou” da guerra do Vietnã promovida por seu país) e como um bom cinéfilo (amante de filmes) está sempre em todas as salas de exibição como muitos outros jovens do seu entorno. Numa manifestação contra a demissão do gigante Henri Langlois (persona real amante de cinema fundador da Cinemateca Francesa altamente influente) conhece os irmãos gêmeos Theo e Isabelle (interpretados pelos ator Louis Garrel e pela atriz Eva Green). Rola aquela química que liga as pessoas que se atraem logo no início e eles começam a andar juntos. Não demora muito e o jovem americano que mora num hotel é convidado a passar um tempo no apartamento dos irmãos (enquanto os pais deles estão em viajem). Ao conhecê-lo a personagem de Eva Green diz “você é tão limpinho” numa referência a sua aparência em comparação com seu irmão. E ele realmente é – mas não só externamente. Ele é um “bom rapaz” que ao adentrar o mundo dos irmãos percebe que há um abismo entre sua realidade e a dos gêmeos (psicologicamente siameses). Os irmãos cinéfilos o conduzem abertamente para um jogo sexual. É. É um filme do Bertolucci o autor do chato “Último Tango em Paris” de 72. O casal de irmãos não transam – mas não deixa de ser uma relação que borda o incesto. Sendo um filme do Bertolucci o nu é mostrado nu e cru. Eva Green tem um despojamento total. Michael Pitt também. Já Garrel pouco ou nada se vê do seu peru (a não ser uma profusão de pelos púbis). Quem já assistiu ao Último…” deve lembrar que o roteiro tem como carro-chefe o sexo. Aqui segue igual – mas não se compara os dois filmes. Eu me lembro a primeira vez que eu assisti a Último Tango…” no longínquo ano de ’96 e não gostei nada. Há alguns anos senti vontade de rever – como sempre que eu assisto um filme muito badalado e não curto, sempre me permito dar uma nova oportunidade pra obra (vai que eu não curti daquela vez por um problema meu e não do filme). Resultado: nada mudou. Continua sendo um filme chato. Ao contrário deste Os Sonhadores. Que também não tem profundidade alguma. Quase nenhuma história. E muita nudez. Curioso que enquanto escrevia (eu sempre escrevo primeiro nas folhas do meu caderno pra depois digitar e quiçá publicar) me lembrei de duas coisas. O genitor (pai) dos gêmeos é poeta. E a família mora num apartamento que com certeza poucas pessoas no mundo já moraram ou frequentam. É imenso. Quase uma casa antiga nas alturas. Mesmo não aparentando luxo. É luxo. Ainda mais em Paris. A recordação que surgiu na mente: Alain Ronay, o amigo franco-americano de Jim Morrison da época de faculdade de cinema deste na UCLA da Califórnia e que morou com ele em Paris em 71 num apartamento emprestado pra Jim e sua parceira (que o deixou pra ficar morando com seu amante em outra parte da cidade), conta que quando a autoridade especialista em sinistros chegou ao apartamento onde Jim foi encontrado morto na banheira ele questionou a Alain (que o recebeu) qual era o nome do morto e sua ocupação. Ronay e sua amiga a cineasta Agnès Varda (que já tinham feito uma varredura no local se livrando de todo tipo de substância ilícita e já tinham decidido dar o mínimo de informação), se limitou a responder o nome Douglas James (nome invertido) e a ocupação/profissão poeta, ao que o agente criminal respondeu cético “um poeta? É a primeira vez que vejo um que vivia no luxo”. “De onde vinha o dinheiro?” De rendas” devolveu Alain. Talvez, o pai do nosso personagem aqui também tenha muitas rendas, porque se tem uma classe que sempre viveu ferrada financeiramente em todas as épocas e séculos é a minha. Os únicos poetas endinheirados que eu já ouvi falar são os que já nasceram ricos como Shelley e Byron. A 2° lembrança que minha mente foi buscar foi que quem estava trabalhando no roteiro de “Último Tango…” na mesma época do fatídico encontro de Jim com o outro lado de lá era a… Agnès Varda. Não lembro se foi o próprio Alain Ronay que disse ou outro alguém que ela levou alguma coisa do impacto desse acontecimento para o filme que estava escrevendo. Nesse sentido me lembro de uma das cenas (talvez a única) que eu gostei do Tangoque é quando o personagem do Marlon Brando se aproxima do corpo da sua esposa suicida disposto na cama e após xingá-la enormemente cai aos prantos numa das melhores cenas que eu já assisti na tela. A estrela Shelley Winters disse que ele merecia um Oscar só por essa cena. Assino embaixo. Morrison não ficou numa cama, seu corpo ficou 03 dias mergulhado numa banheira mantido a gelo (estava muito quente na época) que o dono de uma funerária trazia todos os dias para evitar que ele ficasse decomposto antes de ser liberado pelo agente pra ser enterrado. Bertolucci parece ter se lembrado na época de tudo isso também já que colocou o som do The Doors na trilha desse Sonhadores“. PS: o apartamento (emprestado) onde Morrison estava acampado nos 03/04 meses que ficou em Paris e onde foi encontrado morto era de um produtor hollywoodiano. Obviamente, um local de luxo.

Uma coisa a se refletir sobre os Sonhadores: Quem está na ponta da lança de manifestações ou movimentos sociais são sempre jovens ou pessoas de classes abonadas financeiramente? Os gêmeos “rebeldes” aqui não pertencem ao proletariado – ao contrário, são “burgueses” e “lutando” provavelmente contra os valores da sua própria classe. Eu já ouvi falar que os hippies (que inquestionavelmente ajudaram a melhorar o mundo) também eram sempre filhos de uma boa situação financeira – e que os jovens menos favorecidos em grana ou estavam morrendo no Vietnã ou trabalhando pra ajudar a sustentar a casa. É uma pergunta que eu acredito que a resposta seja atualmente negativa.

Vale assistir? Sim, a cópia restaurada brilha – brilha até demais (assisti outro dia a “O Rei da Noite” e que está também numa restauração 4K o que transforma a tela num colírio excessivamente exuberante). Mas não busque profundidade, e deixe seus princípios pseudo-moralistas no armário.

Isabelle/Eva Green

Michael Pitt

Theo/Louis Garrel

Matthew e Theo

Isabelle

Pitt Green Garrel

Os Sonhadores

ps: optei em não publicar (mas queria) as fotos com o nu frontal do trio.

Louis Garrel, francês – 14/06/1983 🌞 ♊ 🌚 ♌ ASC ♊

Eva Green, francesa – 05/07/1980 🌞 ♋ 🌚 ♈ ASC ♍

Michael Pitt, americano – 10/04/1981 🌞♈ 🌚 ♋

Paulo Al-Funs – autor, cinéfilo, paranista.

Passagens

cartaz de “Passagens”

O tesão do cinema é que ele não para. Multifacetado, está sempre se reinventando. E sempre oferecendo oportunidades de se conhecer novos trabalhos ou antigos trabalhos que você não conhecia. E é muito bom que nem tudo que a gente assista seja ótimo. O cinema também tem lugar pra filmes que são bons passatempos bem dirigidos, bem interpretados mesmo dentro de histórias batidas como essa. Passagens filme recente lançado em 2023 é desses filmes que você acompanha, curte enquanto rola, e quando você pensa que “aquele algo a mais” vai acontecer, ele termina. E meio que surpreso você olha pra tela e pergunta “é isso mesmo?”

A história é batida porque toda história de relacionamentos são batidas né. Quem não viveu aquela situação, vai vivenciar aquela outra, ou a outra, ou a outra, mas em geral romances, amores, relacionamentos, estão na vida de todos e de todo mundo. A redundância é proposital. Alguém já falou que histórias de amor são clichês? Provavelmente. Essa é mais uma. Num filme o diferencial vai estar ligado diretamente ao que o seu diretor quis nos proporcionar. Sua visão, o seu olhar.

Vai ter spoilers

O filme: Cineasta finaliza seu filme se sentindo meio inseguro ao que vai ser do seu filhote agora que ele foi lançado. Numa relação rotineira com seu parceiro, se interessa por uma mulher na balada, fica com ela e acaba curtindo. Sem muito dilema existencial (ou culpa), se muda pra casa da jovem (levando quase tudo que é seu), deixando o parceiro no vácuo. Bom dizer que a moça sabe que o romance da vez acabou de sair da casa que ele compartilhava com um parceiro gay. Não há enganos. Nada a ser descoberto nesse sentido. Em tempo mínimo de convivência (ainda estão na fase da experiência), ela fica grávida. E chama os pais pra conhecerem o genro e pai do seu neto. Não tem como ficar ao lado dela nessa hora. Não tem como ficar ao lado de uma pessoa adulta que já desabafou com a mãe e que no primeiro encontro com o parceiro da filha, vai questioná-lo sobre seu recém finalizado relacionamento com outro homem e quer garantias de que sua filha e seu neto que ainda não nasceu terão todo apoio que uma mãe e uma criança precisam para enfrentar a vida. O personagem reage. E você assistindo também. E a pergunta que fica é: na hora que tu estava fodendo você chamou seus pais pra gozarem contigo? Se a resposta é não, então porque você pessoa madura e independente agora é quase permissiva em aceitar essa invasão de relação, de intimidade?

O pegador. Não, ele não é pegador. Aqui entra o clichê sobre ter falado que você já viu essa história em outros filmes. Ele se empolga com ela, transa, gosta (fazia anos que não tinha sexo com mulher, e curtiu esse revival), e num ato de ‘vou viver uma nova história’ se joga pra casa dela. O problema é: (o clichê) ele não esquece o parceiro, continua o procurando, e interferindo no direito dele seguir a vida em um novo relacionamento com outro cara. Tu já viu isso em vários outros filmes, a diferença é que quase sempre num triângulo mulher-homem-mulher.

Depois de spoilear…

O que fica? Vale assistir? Vale conhecer sim. Pelo seu bom elenco: Ben Whishaw (que faz o parceiro a deriva), está quase irreconhecível, é um ator versátil (o único que eu conhecia), o cineasta em dupla crise matrimonial é feito pelo ator Franz Rogowski, e a atriz Àdele Exarchopoulos forma o trio de desamor que pra mim não é um triângulo já que conta com a participação do novo romance do personagem do Ben, o ator Erwan Kepoa Falé (que também tem seus momentos de perrengue por ter se envolvido com um cara que não finalizou ‘direito’ seu relacionamento anterior). Boa direção (Ira Sachs) e uma fotografia que agrada aos olhos (Josée Deshaies). No geral, um bom filme.

Ponto baixo – final anticlímax.

Ponto alto – o melhor anal (sex) que eu já vi na tela.

Ben Whishaw, inglês 14/10/1980🌞♎ 🌚

Adéle Exarchopoulos, francesa 22/11/1993 🌞♏ 🌚♓ ASC♍

Franz Rogowski, alemão 02/02/1986 🌞♒ 🌚♏

Erwan Kepoa Falé, francês, 🌞 ???

Paulo Al-Funs, cinéfilo, presente