
Demorou, mas finalmente assisti esse longa que transformou Brigitte Bardot em mito, estrela, ícone do cinema e da vida de muitos/as. Era um filme que eu realmente queria conhecer, sempre tive curiosidade, e é um bom filme da forma mais redonda e positiva de se dizer. E ela realmente me encantou. Mas foi um encanto que foi acontecendo porque ela vai te ganhando aos poucos. Ela está muito jovem (21 anos na época da realização) e atua muito bem. Tem um cabelo longo-loiro-ondulado, um corpo muito bem delinhado, e é visível porquê caiu nas graças do mundo (literalmente). Ao que se consta depois de MM (Marilyn) foi a maior sexy simbol da época.
Spoilers? Vários…
O Filme: Jovem (Brigitte) passeia pela tela provocando intencionalmente os homens que encontra. É assediada e flerta com eles, não faz o tipo puro-ingênuo-sexy, ao contrário, é uma jovem femme fatale que sabe o que quer e o poder que têm. É lasciva, mas realmente curte um cara que descobre que só tá afim de usá-la sexualmente para depois a descartar. Para evitar ser ‘devolvida’ ao orfanato, se casa com o jovem irmão do seu crush, contra a vontade de todos que a tem como fácil (é um filme dos anos 50) e é claro, teremos um pouco de drama por vir… O cunhado (ex-love) é um canalha (Christian Marquand), impossível de se ter qualquer simpatia por ele, seu irmão, o noivo amado, é um cara tímido, puro, e bem bonito, que gosta e a aceita como ela é, ele não a quer mudar e o legal é que ela vai fazer a sua parte (mesmo sendo contra a sua natureza) de ser fiel a esse homem. Ela é muito avançada, cheia de vida, de fogo, selvagem, mas aceita ficar naquela família onde a mãe (sogra) tenta enquadra-la até que o canalha que havia partido retorna e… Jean–Louis Trintignant da um show. O muleke trabalha um tipo que qualquer outro ator teria dificuldade. É um casal perfeito em cena, ambos a cara dos seus personagens. Marquand está tão bem que a antipatia pegou. Curd Jürgens que não conhecia também tem presença. Roger Vadim é um cineasta que eu gosto (é o segundo longa seu que assito no ano), ele é muito elegante, visualmente nos apresenta imagens de primeira (cópia perfeita possivelmente restaurada), seus filmes tem fogo, pique (não são frios longas franceses), dirige bem, é um cineasta que me ganhou… A cena final com Juliete dançando entre lágrimas e com consciência da decepção que provocará a si e aos outros, mostra que ela tem coração, assim como seu amor…
Onde assistir? YouTube
Brigitte Bardot partiu. Qualquer leitor que já correu minimamente seus olhos pela Curtipoesia sabe que eu não faço homenagens, não por não sentir, mas por pura dificuldade minha em escrever sobre alguém que eu admiro/curto o trabalho e que acabou de nos deixar. Brigitte transcendeu. É impossível ser cinéfilo, e ser cinéfilo é ter um amor pelo cinema que se inicia muito cedo na vida, e não ter contato com o nome, a marca Bardot. Pessoalmente admiro toda e qualquer pessoa que vive ou viveu sua vida sem estar a disposição da opinião dos outros. Bardot além do cinema viveu como quis. Firme, forte, independente. Humanamente cheia de defeitos visíveis. Admirava a coragem dela de cair fora da sua arte antes de completar 40. Dizia que o fogo do cinema era muito forte, se continuasse estaria morta como outras atrizes/estrelas que não conseguiram lidar bem com suas vidas e carreiras. Preferiu deixar do que ser deixada. Colocou o Brasil na sua história pessoal. Muito antes de muitos já estava preocupada com a causa animal. Tretou feio e publicamente com outra grande estrela nos anos 90 por ela desfilar com casacos de pele autênticos, deixando bem claro que quem tem o poder de influenciar também tem responsabilidade sobre o que influencia. Sempre achei admirável o fato de uma das mulheres mais atraentes da sua época se recusar a fazer plástica. Foi até o fim com seu rosto original envelhecido naturalmente. Enes paixões. Uma vida pública que causava, como qualquer grande estrela que se preze. Assumiu que nunca teve instinto materno. O único filho que teve entregou para o pai criar. Verdadeira sempre. 2025 vai chegando ao fim, e levou muita gente interessante. Brigitte Bardot entre elas.
Assisti “E Deus Criou a Mulher” em 15/09/2021 – época do texto acima. E indico a todos. Vale conhecer.
Brigitte Bardot, nasceu em Paris no dia 28/09/1934 às 13h15 da tarde. Tem o sol ☀️ em 04°41 de ♎, a 🌚 12°02 de ♊ e o ASC a 15°23 ♐




Paulo Al–Funs, autor
























































