Pasolini

cartaz de Pasolini (2014)

A primeira vez que eu me lembro de saber da existência do Pasolini (Pier Paolo Pasolini) eu era muleke. Conheci através da leitura. Era uma coleção de livros finos na estante da biblioteca que eu frequentava. Várias biografias. Foi assim também que eu descobri que havia existido uma atriz foderastica chamada Leila Diniz. Eram ambos membros da mesma coleção biográfica. Ambas as leituras me afetaram. Ambos pela vida que viveram. O primeiro filme com a Leila fui assistir mais tarde, na extinta TV Manchete “Os Paqueras” (69). Era só uma participação, entre tantas outras atrizes, a protagonista era Irene Stefânia em parceria com Reginaldo Faria. Tanto Pasolini como Leila partiram nos anos 70, e de forma repentina. Brutal. Se o primeiro filme com a Leila rolou na adolescência, Pasolini demorou bem mais, muito mais tempo pra conhecer a sua obra. Primeiro chegou até a mim via livro. Teorema causou em mim. Que livro foda. Fiquei obsecado pra assistir ao filme também dirigido por ele. Levou uma eternidade pra que isso acontecesse. Pasolini era um cineasta abertamente gay. Italiano. Seus filmes chocavam o mundo. Eram feitos com essa intenção. A fudelancia era fator forte nas suas narrativas. E onde tem sexo, tem polêmica.

O filme (Abel Ferrara) narra os últimos momentos do cineasta na Terra. Finalizando o que viria a ser o seu último trabalho, passa o tempo discutindo com seus próximos sobre onde será a estréia, a possível reação do público, se vai ser atacado novamente, pelas pessoas, pela igreja, pela imprensa. Não fazia concessões. O que torna qualquer artista, independente da praia da sua criação, um alvo ativo. Willem Dafoe é desses atores incapazes de não fazer um trabalho bom. Você não vê ele no filme. Você assiste ao Pasolini que ele criou. Sério. Contido. Um cara de presença. Mora com a mãe e uma outra jovem da família. O filme nunca é leve, mas jamais pesado. Só ri durante uma cena, a atriz Laura Betti (Maria de Medeiros) aparece pra uma visita em sua casa após uma viagem à trabalho por terras socialistas, e compartilha com a mama do cineasta que sem dinheiro pra comprar cremes caros para pele, estava usando como anti-rugas creme pra hemorróida. Rachei o bico. Enquanto prepara o lançamento, já vai finalizando um novo livro e planejando o próximo filme. Em meio a isso, busca satisfação com rapazes de programa. As cenas finais são macabras. Mesmo pra quem como eu já sabia o que estava por vir, é um terror que não se alivia. Não acredito que estou dando spoiler porque seu fim é conhecidíssimo.

Ninetto Davoli e Riccardo Scamarcio

Maria de Medeiros (Laura Betti)

Willem Dafoe (Pasolini)

Escandalizar é um direito, se escandalizar um prazerPier Paolo Pasolini.

Willem Dafoe – 22/07/1955 🌞♋ 🌚ASC♒

Maria de Medeiros – 19/08/1965 🌞♌🌚♉ ASC♊

Ninetto Davoli – 11/10/1948 🌞♎

Pier Paolo Pasolini – 05/03/1922 🌞♓🌚♉ ASC♓

Paulo Al-Funs – autor

As Cidades da Noite

As Cidades da Noite“, 1964

Fazia anos, e anos que eu queria ler esse livro. Eu não tenho uma lista de livros pra ler no radar. Um ou outro muito pontual eu tenho vontade, mas, nada na base do “tenho que”. “As Cidades da Noitedo autor John Rechy desde que eu tomei conhecimento da sua existência num tempo muito distante eu desejei conhecer. Literatura de qualidade com narrativas de personagens de orientação gay são uma raridade no século 20. Busquei muito nos meus anos verdes, encontrei 02 que me marcaram muito Giovanni” (56) do James Baldwin e A Cidade e o Pilar” (48) do Gore Vidal. Ambos os livros fundamentais na minha existência. Em O Nome da Rosado Umberto Eco o foco não é uma história afetiva/sexual gay, ali o sexo rolou porque num ambiente (mosteiro) que muitas pessoas do mesmo sexo compartilham naturalmente isso acaba acontecendo. Sinceramente, não curti “Narciso e Goldmunddo Hermann Hesse também passado num ambiente de confinamento. Em Ciranda de Pedra” (54) clássico da nossa literatura da autora brazuca que mais me afetou Lygia Fagundes Telles, Letícia a personagem lésbica era mais uma entre as personagens interessantes do livro. O romance que foi transformado em “novela das 6” em duas épocas, até onde eu sei, nunca foi apresentado com a coragem que a sua autora mostrou a décadas passadas quando o publicou. Dificilmente a Globo faria isso, ainda mais no horário que essas novelas foram exibidas. Conrado era impotente (não conseguia trepar), sua irmã Letícia lésbica (começa feminina e depois se masculiniza), Otávia era solta e livre, mandou a virgindade às favas (sem nunca casar), e Bruna começa “santa” pra depois do casamento começar a adulterar. Virgínia que através do seu olhar transcorre a cenas, era a filhota rejeitada por ser “ilegítima”, começa perdida, sem saber o que se passa e depois como talvez diria Nelson Rodrigues vai compreendendo “a vida como ela é”. Espero que o cinema um dia faça jus ao romance, já que a TV… Todos esses livros são dos meus anos verdes, e talvez, se os relesse hoje se mostrassem (provavelmente) diferente pra mim Na casa dos 20 fui apresentado primeiramente ao filme (amei demais) Plata Quemada” (quem nunca viu corre, é um dos melhores dos anos 2000, na minha opinião) e depois fui atrás da fonte, o romance do mesmo nome (em português ficou “Dinheiro Queimado” – deviam ter permanecido com o título original) do autor Ricardo Piglia. É tão foda quanto o filme. Pra quem gosta de cinema e literatura de qualidade vai aí 02 indicações. Sugiro primeiro o filme, depois o livro. Agora, já uma pessoa antiquíssima aqui na Terra, finalmente me chega esse sonho de leitor juvenil não concretizado “As Cidades da Noite” (63) que por um tempo achei que nem existia traduzido na nossa língua. Spoiler: A edição que vou guardar comprada no maior site de sebo online da web (precisa dizer o nome?), é de 1964! O português escrito é o da época e as gírias também. Precisava ter um dicionário Ruy Castro ao lado pra me dizer o que é um cara “cheio de bossa”. Garçom é garção (na boa, fica mais legal na forma antiga). Na novela “Dancin’ Days” que estou na reta final, há gírias que até hoje permanecem e eu nem sabia que eram tão antigas tipo “sacou, estupidamente gelada” e a muito citada “transa” (tipo “ele não transou isso legal”). Transa era uma gíria da minha adolescência sempre relacionada a sexo, e não usada da forma natural como na novela ou melhor, nessa época (anos 70). Fico curioso pra saber quando ela adquiriu esse status sexual. Eu já a conheci e sempre usei nesse sentido. Não dá pra usar atualmente da forma como eles falam na novela porque algumas frases iriam ganhar outros sentido. Uma outra gíria (?) onipresente no livro é “fanchona” e ela não parece ter o sentido burocrático que os dicionários online que eu consultei anotam… Agora, agora o livro…

Spoiler Spoiler Spoiler

Jovem começa narrando sua vida, da infância onde ficou traumatizado com a perda da sua dog, a relação amorosa com a mãe, a relação complicada com o pai, a ida para o exército, tudo isso sob o sol escaldante do Texas e seu desejo de voar (conhecer o mundo, conhecer o que existe do outro lado de lá)… Solitário vai atrás do seu destino, ou talvez do que acredita ser o seu caminho, e chega na cidade grande, a inigualável Nova York. Como nos versos da canção do Belchior “sem $, amigos importantes, vindo do interior”, inicia uma odisseia sexual pelo submundo gay, e através do que vai vivenciando vamos sendo apresentados a uma sociedade, a um recorte dela que pegou muita gente (na época) de surpresa (menos é claro quem já fazia parte dela). O universo LGBTs do princípio dos anos 60 foi atirado sem nenhum amortecedor na cara da sociedade (conservadora) americana da época de forma abundante e explícita. … seu autor enfiou tudo e mais um pouco sem gel, vaselina ou qualquer outro amaciante que aliviasse aquela penetração. Ele desnuda o americano médio. E põe um fim em qualquer ilusão que uma pessoa comum poderia ter sobre relações afetivas/sexuais se darem apenas no plano ortodoxo heterosexual. Seus personagens sui generis existem, existiam e estavam ali para provar que também se movimentavam embaixo da luz solar da Terra. Sádicos, masoquistas, recalcados, presos em armários, camuflados em casamentos fracassados, perigosos uns, maldosos outros, travestidos, sonhadores, odiados, com culpa ou sem culpa, performáticos, desesperados, aviltados, perseguidos, humanos em suas glórias, tragédias, dores e vivências estão todos lá, a começar por Nova York, seguindo por Los Angeles, San Francisco, Chicago e finalizando em New Orleans. É uma comunidade gigantesca, com seus bares próprios, seus hotéis, seus cinemas, suas ruas (sim, é aquela vida refletida na música e vida do poeta musical sempre à margem Lou Reed, nas vidas obscuras da Factory do Andy Warhol, nos versos da canção L. A. Woman (The Doors) cujo refrão ‘city of night’ é uma referência ao título original do livro), suas vidas e gostos próprios, suas tragédias pessoais, sua luta pela sobrevivência num mundo completamente hostil a elas/es. Nosso herói não quer romance, quer sexo, quer prazer… a erva, as bolinhas (anfetaminas), o álcool ajudam a dar o gás, mas, mais que isso é uma busca sem fim que os move, uma busca por seus sonhos, por ser feliz, se realizar (essa coisa do americano de “chegar lá”), uma classe de pessoas (todo ou quase todo universo de LGBTs está aqui representado) que não importa o drama, a tragédia, ou comédia não está disposta a parar. E não parou. O livro foi escrito antes dos acontecimentos de Stonewall (69) um marco do movimento e que mudou tudo. Não, a vida não é perfeita, mas, cada um a vive da forma como lhe é possível. E essas personagens a viveram da forma que conseguiram.

As Cidades da Noite” tenho a impressão que não é mais impresso no Brasil (a despeito de ser um clássico mundial da literatura e um marco do seu gênero), a edição que eu comprei (1964) vou guardar pra mim. Eu cresci como leitor através de todos os livros que li de uma biblioteca municipal. Eu não tenho apego a livros provavelmente por isso. Livro é conhecimento e eu aprendi que conhecimento se passa adiante. Há mais de 20 anos eu não entro numa biblioteca pública, os livros que eu compro (do sebo virtual não citado acima), ficam um tempo comigo depois eu passo adiante. Os que permanecem é porque são realmente muito importante, como esse que demorei tanto tempo pra ler… Essa edição de páginas amareladas com tradução de Fernando Teles de Castro, desenho da capa de Eugênio Hirsch, é da Editora Civilização Brasileira, e espero sinceramente que alguma editora o relance um dia novamente no mercado. Merece.

ps: entre as folhas desse clássico estavam três bilhetes amarelados, dois com nomes e telefones cariocas (o sebo é do Rio) e um com esse recado que eu achei muito poético, compartilho aqui…

Paulo Al-Funs – autor

Acossado, 60

Cartaz de Acossado

Não tem como imaginar a revolução que deve ter sido pra quem assistiu Acossadopela primeira vez, quando foi lançado. Os livros de história cinematográfica nos falam do impacto que causou. E mudou toda a história da sétima arte colocando um novo movimento, a “Nouvelle Vague” em cena. Imagina você fazer um filme que será a referência pra quem for realizar ou desejar fazer cinema. Não é pouca coisa. Godard o pai de Acossadojunto com outros tipos talentosos, eram cinéfilos que faziam críticas de cinema pra uma revista, na real, não eram críticas no sentido clássico, faziam o que eu faço aqui, despejaram seu amor pelos filmes via palavras e dentro das suas próprias visões e gostos pessoais. Podiam ser bem cáusticos e ácidos, já que demoliram muito do cinema mais tradicional e curtiam filmes que não eram tão valorizados. E em algum momento partiram pra colocar a mão na massa e decidiram fazer seus próprios filmes. Algo inédito e que deu certo. Porque tinham talento, sabiam a história que queriam contar e principalmente como contar. A França e o EUA estão na gênese do cinema. Assim como aqui no Brasil nós acreditamos que quem é o pai da aviação é Santos Dumont, (mas lá fora os gringos acreditam que foram eles que inventaram o avião), os dois países também reinvidicam a invenção da sétima arte. Os americanos comemoraram os 100 anos do cinema numa data, e os franceses em outra. Não importa. Importa que foi criado. E é uma paixão universal. Todas as artes se concentram nele. A fotografia vem da pintura, a trilha da música, o roteiro da literatura, a interpretação (e a idolatria pelas estrelas) do teatro. A montagem (edição) é a mistura de todos esses ingredientes e tão importante quanto, porque é dela que saíra o resultado final. Um filme mal montado, é um filme com forte tendência a não ser bem sucedido (por melhor que sejam suas qualidades). Um filme bem montado favorece até um filme mal realizado (por mais triste que sejam suas precariedades). Em Acossado a montagem (o ritmo do filme) é fundamental. A montagem e a trilha caminham juntas completamente entrelaçadas.

O filme: o bandido Michel Poiccard (Jean-Paul Belmondo) em período de liberdade, comete mais um crime, é identificado e passa as próximas horas buscando se safar. Paralelo a isso está enfeitiçado por uma jovem americana (Jean Seberg) que deseja conquistar (para além das noites que dormiram juntos). É um tipo sexualizado, que claro, como qualquer tipo assim, vai formar com sua parceira um casal sexualizado, mas, onde o afeto se faz presente. Bandido romântico? Bom, todo ser humano é passível de paixão… E Poiccard é o típico cara do “pega, mas, não se apega” em relação a suas conquistas. Mas seu coração se encantou por Patrícia. E com ela deseja escapar. Quem não se apaixonaria por Jean Seberg? Eu fiquei impactado por ela no primeiro filme que eu a vi ainda na minha adolescência, “Bom Dia, Tristeza“, de 58, do cineasta Otto Preminger (e a Cecile é muito mais interessante do que a Patrícia). Poiccard é muito descarado, atrevido e ousado. Caiu na perfeição para o ariano Belmondo representar. É sexy, nunca bonito (gosto pessoal não se discute). Magro sarado. E mostra bem seu abdômen. Sim, tem seu charme. Tem alguma coisa nele do “vida loka” do jazz Chet Baker. Queria falar mais, mas, é spoilear… Spoiler… Logo no início, há uma cena que seria impensável num filme hollywoodiano – em plena avenida parisiense, na luz da manhã, mete o dedo no peito de Patrícia e pergunta “porquê você não usa sutiã?”. Em outra cena mais ousada, levanta a sua saia e toma uma bofetada. Quando ele pergunta porque ela o agrediu por estar querendo ver suas pernas, ela responde “não era minhas pernas que você queria ver”. Para um filme lançado a mais de 60 anos, era ousadia em estado bruto essas cenas. Há frases ótimas, e demolidoras (o roteiro também é do Godard) que podem chocar alguns ouvidos sensíveis, uma galera boníssima, verdadeiros/as corações de ouro exalando virtudes que sobrevoam nas redes, grupos e algumas colunas de jornais (que alívio saber que o Criador colocou na Terra gente tão distinta pra orientar aos incautos mortais). Enfim, vale conhecer… A restauração é compatível com o olhar humano e se mantém cinematográfica. Que alívio, a 4k não a tocou.

Seberg e Belmondo

Jean Seberg

Michel e Patrícia

Patrícia e Michel

Jean-Paul Belmondo

Acossado

Jean Seberg – 13/11/1938 🌞♏ 🌚♌ ASC♎

Jean-Paul Belmondo– 09/04/1933 🌞♈ 🌚♎ ASC♊

Jean-Luc Godard – 03/12/1930 🌞♐ 🌚♉ ASC♎

ps: repare como ♎ é presente nos 03 – diretor e protagonistas. Pessoas que nascem com a 🌚 (lua) em Libra são comedidas nas suas emoções. É fundamental que haja harmonia nas suas relações, no seu dia-a-dia para que possam viver com tranquilidade (Belmondo). ASC ♎ apresenta pessoas educadas, refinadas, conhecidas pelo seu bom gosto, e que ganham os outros pelo seu charme e boa conversa (Seberg e Godard).

ps2: Godard é o cineasta citado por Renato Russo na música “Eduardo e Mônica” “… o Eduardo sugeriu uma lanchonete, mas a Mônica queria ver o filme do Godard…”.

Paulo Al-Funs – autor

The Delta

Cartaz de “The Delta”, 1996

Um filme bem básico, bem realizado. Tem cara de filme de diretor novato, meio cru, mas funcional. Simples, mas bem realizado. A fotografia é granulada, o que o deixa mais com cara de cinema, do que alguns filmes que eu assisti recentemente restaurados em 4K. É o segundo filme no ano que eu assisto desse cineasta (Ira Sachs) independente.

O filme: Jovem divide sua rotina, entre uma ficante, as baladas com seus amigos, e a caça por sexo em points frequentados por outros caras gays nas madrugas, no sigilo, e em lugares que ele não frequentaria normalmente. Encontra um tipo com tendência dúbias que não quer só sexo… A cidade onde moram parece ser pequena, e curioso, parece haver uma colônia de vietnamitas. Em resumo é isso, mas, o que o torna interessante é mostrar um recorte da realidade de um rapaz gay no armário e num cenário em que muitos como ele possivelmente podem se identificar. Quem nunca caçou em noites escuras, em lugares ermos e distantes, e se envolveu com algum tipo que o alerta de perigo gritava e mesmo assim, fechava os olhos e deixava se levar? Quem nunca? Tem haver só com o universo LGBTs? Não creio. Sexo per si só oferece riscos independente da orientação sexual de quem o faz… O coração acelera a mil e torna tudo mais quente… (e falo claro das minhas próprias vivências na idade do protagonista, tempo do cio…)

The Delta

The Delta

Shayne Gray 07/04/1972 🌞 ♈

Ira Sachs 21/11/1965 🌞♏ 🌚♏ ASC ♉

Paulo Al-Funs – autor

Dancin’ Days – a saga segue…

Os capítulos são divididos em blocos de 30 – então é nessa ordem que paro para escrever – os capítulos são curtos e nem sempre os cortes fazem sentido, no início eu achava que devia ter alguma enrolação com a edição, mas felizmente a uma página sobre a Globoplay na web que avisa que há partes que não puderam ser salvas por conta do mal estado das fitas originais, o que encurtou os capítulos – mas a edição é ótima e em nada atrapalha o segmento da história. Só que infelizmente vai haver passagens perdidas que nunca vamos conhecer. Julia Matos (Sônia Braga) voltou de viagem e se transformou numa personalidade atraente e fascinante da sociedade carioca. Às custas das ilusões que alimentou na cachola do muito querido Ubirajara (uma das muitas interpretações de primeira grandeza de Ary Fontoura), que acreditando que pode amar por dois, decide bancar seu sonho de ter Julia como esposa (no caso aqui só uma fantasia de namorada). Julia é uma anti-heroina nata. Seus defeitos saltam aos olhos. Assim como suas qualidades. É leal e amiga. Rancorosa e vingativa também. Dona de uma forte personalidade, nunca faz média e não deita pra ninguém. Ubirajara um pai de pet que é impossível não gostar. O que gera um certo ranço pela forma como ela o instrumentiza na sua escalada social cuja essência é de se vingar. Execrada pela filha Marisa (Glória Pires) aviltada pela irmã Yolanda (Joana Fomm), e incapaz de se ligar numa relação afetiva com Caca (Antônio Fagundes), é uma outra pessoa na casca. Interiormente continua a mesma que se mostrou desde o início. O tal do Caca… em algum momento vai dar um tapa no visual. A transformação ocorre quando finalmente corta o cordão umbilical com a mãe falecida que o conduziu a carreira de diplomata. Fagundes com 29 anos aparenta estar na casa dos 30. Incapaz de ter um relacionamento fofo com Julia (dois perturbados não se bicam) vai levando com a barriga seu noivado com Inês (Sura Berditchevsky) desde sempre uma personagem que eu curto (inteligente, esperta, autêntica, independente) mas que sendo tão segura de si, acaba não percebendo o que tá largado na própria cara. Confia no gato e não se liga que é do ser humano ter diversidade afetiva. No ponto que eu estou ela já tomou uma rasteira na sua auto confiança e o choque já deu pra ela dilatar as pupilas. Assertiva nas opiniões que envolvem a vida e relacionamento da mãe Áurea (Yara Amaral) não aproveita seus conhecimentos (teóricos) sobre relações afetivas em relação a si própria. Como se diz, é raro, mas acontece muito. Falando em Yara Amaral não me recordo de uma atriz de nossas telinhas e telonas tão italiana. Ela é muito intensa, e senhora de águas profundas. A sua Áurea é um mergulho em emoções muito intensas que ela vai trazendo a superfície ora aos trancos e barrancos ora com uma intensa delicadeza, suas cenas na boate que frequenta a tarde com um homem pra lá de casado mas que tal o peixe que não enxerga a água na qual vive, ela não vê, e a sugestão sexual dos toques das mãos de ambos é de uma sutilidade afrontosa. Yara Amaral é da mesma cepa das grandes italianas, se estivesse ainda entre nós, talvez tivesse atingido o topo de uma Anna Magnani, um ícone de uma dimensão tão grande que quando partiu provocou uma comoção nacional no seu país. Não, não morro de amores pela Áurea, mas a arte da sua intérprete é aula pra qualquer aspirante a sua profissão. Alberico do grande Mário Lago sofre de delírios de grandeza com picos de desejos inconfessos pelo fracasso. Tem idéias boas. Mas que mal geridas terminam em abortos que mal ultrapassam 22 semanas. Sua ideia em andamento de ter uma agência de frota de táxis lembra um pouco ou muito o modelo de Uber atual. Há de se dar crédito também a atriz Lourdes Mayer que faz sua esposa. Ela conseguiu um tom pra personagem que faz de dona Esther uma simpatia. É a personagem que mais contracena com a Marlene, personagem com muita personalidade feita pela querida Chica Xavier, que infelizmente tem poucas cenas, mas sendo uma atriz de presença tão marcante, jamais passa despercebida. Carminha (Pepita Rodríguez) é um sonho de tão gente fina que é. Amante de viúvo enrolado e chantageado para assim permanecer (Cláudio Corrêa e Castro) tem a vida que inúmeras outras pessoas muito gente boa tem: vive se fodendo por conta de querer ajudar/salvar os outros. Um pouco do individualismo da sua amiga Julia iria lhe fazer muito bem. Falando em Julia não tem como não falar de Marisa… Que figurinha egoísta. É um desfile de tudo que uma pessoa pode ter e ser de desagradável. No momento a inveja que está sentindo da sua amiga Vera Lucia (Lídia Brondi) a está dominando. Possuída pelo desejo de ser modelo fotográfico como Verinha que conseguiu por meios próprios (beleza/carisma) não consegue se conformar com o não que recebeu pra ter sua imagem cristalizada em foto de revista. É desagradável e tem a quem puxar. Ainda não aceita a mãe solo que a deixou aos cuidados da tia ao ser presa. Antes que eu me esqueça, adorei a cena em que Julia ao falar sobre a filha com Caca e ser perguntada sobre o pai da jovem, com uma sinceridade elogiável diz que não sabe quem é. Esse ‘não sabe’ no sentido de diversidade mesmo. Tinha 17 anos quando foi mãe. E quem já foi jovem sabe como as coisas podem ser bem intensas e bem vividas nessa fase. Contínuo fã da personagem Alzira da atriz Gracinda Freire e da própria atriz. É uma figura. Funcionária pública quer uma perna cabeluda (masculina) pra chamar de sua. Torço pra que encontre uma e tenha um final feliz. Hélio personagem de Reginaldo Faria vem mostrando que ser descolado depende muito de com quem se está. Depois de passar a novela flanando se envolveu com Verinha bem mais jovem que ele e o ciúme (nome da insegurança afetiva nas mulheres e sexual nos homens) vem lhe tirando a paz, a tranquilidade e o sono. Impossível não comentar: como Lauro Corona (Beto) era bonito. E trabalha bem! Gal Costa veio em festa na casa de Julia e cantou. Que loucura! A Gal era muito informal. Era outra persona. Lembrou algumas colegas da minha adolescência, no jeito e na aparência, todas maconheiras. Falando nisso, a Julia tem um spray no seu ap chamado anti-caretice, que pra bom entendor, não é necessário dois pingos nos iiss… Tem gente que curte incenso, da uma amenizada também no odor indescritível… Gal cantou, Mada (Neusa Borges) também, e mandou bem… Se o ap da Julia (quem é o ator gato que faz seu mordomo Roberto?) virou o point dos loucos, descolados (e endinheirados), o da Yolanda repousa na solidão. Após se separar do querido Horácio (José Lewgoy), tentar uma união com Hélio e ver seu sonho de unir o útil (dinheiro) ao encantador (amor) fracassar, começa a caçar homens endinheirados que a possam querer… Incrível, ela não desceu, ela despencou mesmo… Adorei o comentário da sua melhor amiga, a socialite Bibi (Mira Palheta) “Yolanda passou a não ser mais convidada pra jantares, porque se separou, e quando uma mulher se separa, as outras mulheres podem se sentir ameaçadas.” Resumiu bem (foi mais ou menos com essas palavras). Mas deixou claro porque divorciadas nessa época eram sempre coladas em adjetivos poucos simpáticos. Gosto muito da atriz Cleyde Blota (Emília) que voz que essa mulher tem. É puro mel. Muito agradável. Sua personagem muito bacana é sócia da Solange (Jacqueline Laurence) que se transformou na primeira atriz (e espero que a última) que morreu enquanto eu assisto a novela. Meio esquisito isso. Emília é a mãe do Raulzinho (Eduardo Tornaghi) que foi fazer a vida como médico num lugar distante e voltou (e foi de novo) muito gato. Vou finalizar comentando sobre a entrada do (Arthur) Mauro Mendonça. Que ator de presença! É um ator que frequenta nossas salas a décadas, sempre assim, mas que eu não conhecia nenhum trabalho dele na TV dessa época. Dona Flor e seus Dois Maridos” (1976) é um clássico do cinema e do meu coração de cinéfilo. Ele é um dos maridos. Mas ver ele em cena depois de tanto tempo e nesse clássico das telinhas está sendo muito top. Concordo plenamente com o que o Arthur fala pra Julia sobre ela ficar com o Caca e serem felizes para sempre: “não vai dar certo”. Dancin’ Days não é perfeita, mas, é uma novela foda, que todo mundo que curte acompanhar uma boa história, bem contada, dirigida e interpretada com um elenco tão gigante, devia conhecer. Ou rever.

Paulo Al-Funs, autor

Amores Expressos

cartaz de “Amores Expressos“, 1994

O filme: São 02 histórias. E aqui tem uma pegadinha que eu não tinha me ligado. O título fala de amor no plural, e na minha cachola eu achei que a primeira história era a história do filme. Isto é, aquele noir do início seria o filme que eu iria assistir. E não é. 1° história: Mulher alicia (ao que parece) imigrantes indianos para traficar drogas (ao que parece como mulas). Numa dessas situações as coisas fogem do seu controle e ela terá que arcar com as consequências do seu vacilo. Na mesma história um homem vive as desventuras de um romance malfadado do qual não consegue esquecer sua ex-namorada. Dentro ou entre essas duas histórias há um cara que se liga a uma outra mulher cuja relação é a quintessência de um amor expresso, puro sexo selvagem…

A 2° história ou o segundo conto é mais longa que a primeira, ou assim me pareceu, e tem duas personagens feitos por um ator e uma atriz com muito carisma. Homem abandonado por sua mulher, também não a consegue esquecer, frequenta o mesmo ambiente que o primeiro personagem da primeira história (uma lanchonete dessas que tem em todo lugar, como aqui no Brasil – aliás, o filme tem alguma coisa (brasileira) bem presente, talvez essa mistura de pessoas, indianos no primeiro, com os orientais (é um filme chinês) aquela coisa da simplicidade, dos lugares comuns onde circulam (nós) pessoas comuns, não há glamour, é tudo muito natural, por isso causa logo no início uma identificação (ao menos no meu caso), pessoas comuns em situações comuns… Há algo de sujo, podre, ordinário, meigo, solitário e carente, me tocou de tal forma que eu não consigo encontrar as palavras que eu gostaria pra descrever… resumindo, personagens humanos em histórias pra lá de humanas… Ainda mais assistido numa época em que bombam hoje, ontem e anteontem chifres virais, não tem como não pensar no que o filme traz em seu título: amor e se expresso é sinal de à jato, fudeu tudo… O filme já tem algo de datado, enquanto assistia os símbolos dos anos 90 iam surgindo, filmadora antiga, fax, toca cds, o cd em si, produtos eletrônicos que hoje podem repousar tranquilamente num museu, e nessas você percebe literalmente que o tempo passou e estamos realmente numa outra era (eu simplesmente não sabia de que época era o filme quando escolhi pra assistir, eu não gosto de saber nada antes, nesse sentido o mínimo pra mim é mais, muito mais), os créditos foram trazendo pra mim a recordação do nome do cineasta (Kar-Wai Wong), depois veio a confirmação que era dos anos 90 mesmo (94). A música. É inebriante. Que é aquilo… É hipnótica na primeira história, e se mistura a um som caliente do passado, e penetra nas entranhas, numa combinação de sensualidade, desejo, sexo, calor…o brazuca “Bacurau” tem uma trilha foda que se entrelaça com a história, uma dessas raridades que acontece no cinema, mas aqui a música trepa com a filmagem… Eu gostei muito, muito…

Vale conhecer? Com certeza.

Pontos altos: os atores carismáticos (Takeshi Kaneshiro, Faye Wong, Tony Leung Chiu-wai) trilha ardente e o calor que provoca em quem tem a mesma forma insana de amar…

Pontos medios: um certo ar datado que se mistura ao clima retrô e indefine as imagens num visu atemporal…

Takeshi Kaneshiro – 11/10/1973🌞♎🌚♈

Faye Wong – 08/08/1969 🌞♌

Tony Leung Chiu-wai – 27/06/1962 🌞♋🌚♉

Kar-Wai Wong – 17/07 🌞♋

Amores Expressos…

Amores Expressos…

Amores Expressos…

Faye Wong e Tony Leung Chiu-wai

Faye Wong

Tony Leung Chiu-wai

Tony Leung Chiu-wai

Takeshi Kaneshiro

Takeshi Kaneshiro

Amores Expressos…

Paulo Al-Funs – autor, cinéfilo.

Estranha Forma de Vida, 2023

cartaz de “Estranha Forma de Vida

É um curta. 31 minutos. Passa bem rápido. Pedro Almodóvar, cineasta espanhol nascido num dia de fez um filme estiloso exercitando características caras ao seu 🌞 natal. ‘filho’ de Vênus e portando carregando no DNA características da sua genealogia não abre mão da beleza (quem escreveu aquele ditado “que beleza não se põe na mesa” não conheceu nenhum nativo do signo ou conheceu e com certeza devia ter raiva, porque pra ♎ beleza é e sempre vai ser fundamental, em tudo, seja nas pessoas, objetos, animais, casas, trabalho, visual). O curta do Almodóvar estiliza no figurino (a história se passa no velho oeste), e se realiza na escolha dos atores. Ethan Hawke, gato na juventude mostra nos poucos mais de 50 outonos que está ótimo ostentando todos os pés de galinhas e algumas rugas que qualquer ser humano que não morreu tem direito (mesmo um astro de Hollywood), os jovens José Condessa e Jason Fernández unem beleza com virilidade, Manu Ríos parece um rosto instagramavel. O tão comentado Pedro Pascal parece encantar muitos olhares aqui e ali.

O filme: Homem chega a uma cidade onde houve um crime (feminicidio) que a lei na figura do sherif Hawke pretende elucidar já sabendo quem é (na verdade principal suspeito). Depois de 02 décadas, Pascal, o cavaleiro que chega vai ao encontro do seu antigo parceiro pra um reencontro surpresa, motivado por questões pessoais familiares e disposto a talvez uma conversa sobre um passado que ficou pra trás.

Eu não sei como é a experiência de uma pessoa ao assistir um filme. A minha é a de um ♊ que tal como Mercúrio seu deus-pai regente vai linkando (ligando) tudo. As memórias surgem naturalmente (nunca em sentido nostálgico, mas numa constante atualização de dados), então é muito natural pra mim estar assistindo alguma cena, e acessar na mente algo que se relaciona com ela. Eu me lembrei de “Ben-Hur” clássico total dos anos 50 da idade de ouro hollywoodiana. Em “Ben-Huro personagem Messala personificado por um viril, bonito e sexual Stephen Boyd volta a sua cidade de origem disposto a relembrar e se ligar novamente ao seu amigo/parceiro de muitas aventuras (atualmente chama brotheragem), o Ben, vivido pelo supra sumo da masculinidade hétero top cinematográfica da época Charlton Heston. Já escrevi a anos atrás em outro post de outro filme como os autores sempre foram livres pra escreverem o que quisessem nos seus livros. Levar esses livros e atualizá-los para o cinema é que era o problema, porque a sociedade assistia muito mais filmes do que lia, e sempre houve o falso moralismo hipócrita que predomina nas relações sociais. Colocar cenas gays em filmes era um exercício mental que roteiristas e diretores tinham que rebolar o cérebro pra resolver. Não só cenas de personagens gays da literatura. Margaret Mitchell autora da obra-prima …E o Vento Levou (1936) narra abertamente no seu livro que sua personagem Scarlett O’Hara só sentiu prazer pela primeira vez ao transar (isso no 3° marido e após 03 filhos), quando foi violentada pelo parceiro embriagado. No filme de 1939, o produtor Selznick traduziu a cena com a atriz Vivien Leigh (intérprete da personagem) acordando alegremente e cantarolando. Como …E o Vento Levou (o livro) era best seller desde seu lançamento (o mundo inteiro o estava lendo) não precisou de muita explicação pras pessoas saberem que a alegria de Vivien (Scarlett) era por ter gozado pela 1° vez. Em “Em Cada Coração um Pecado” de 1942, os parceirinhos Robert Cummings e Ronald Reagan dão um abraço apertado no quarto e na cama depois de um longo tempo sem se verem, tendo a personagem da Ann Sheridan noiva do personagem de Reagan atrás da porta apertando o coração, consciente de que na Terra há coisas que você passa por cima, não se apega e segue a vida. Em “Rebecca, a Mulher Inesquecível” de 1940, o genial Hitchcock mostra a obsessão amorosa da governanta interpretada pela Judith Anderson por sua amante e empregadora numa cena curiosa: cheirando a roupas íntimas da sua parceira. Hitchcock era demais. Gênio é gênio. Se o cidadão/ã médio que ia ao cinema não se ligasse no status da relação das duas, é porque o tipo era realmente lento no seu pensar. Estou citando aqui exemplos aleatórios que vão surgindo enquanto escrevo. Mas qualquer leitor ou cinéfilo deve ter os seus na mente. Lamentavelmente muitas histórias boas baseadas em livros de sucesso que tinham personagens tidos como promíscuos, libertinos, gays, lésbicas, amorais ou imorais naufragaram na tela quando foram transformados em filmes. Porquê? Por conta de roteiros cujos produtores resolveram cortar demais o produto original pra poderem agradar um público mais conservador e dos livros que se baseavam suas histórias saíram filmes que não tinham nada a ver com a obra original resultando num arremedo fraco e fracassado. Faltou visão a esses senhores. Visão porque qualquer pessoa sabe que mesmo o mais terrível conservador (seja de que época for) gosta de uma boa sacanagem, de histórias que revelam não só o melhor mas também o pior do ser humano, e o tema sexo está presente na vida das pessoas desde que o “mundo é mundo” né. Seja consentido, abusivo, gay, lésbico, hétero, solto, reprimido ou libertino (surubado) a história da humanidade é contada através do sexo. Gore Vidal (um dos roteiristas) e William Wyler (o diretor) tiveram que rebolar pra vender pra sociedade dos anos 50 a história de despeito amor rejeitado e sua ira vingativa de Messala por Ben-Hur na negativa deste em não querer reviver “aqueles tempos mais prazerosos”. E venderam bem. O filme é campeão de Oscars e uma das melhores produções de cinema épico que Hollywood já produziu. Wyler mostra no seu clássico a relação de Heston/Boyd em pouquíssimas cenas no início, mas, que os dois atores exploraram muito bem.

Depois de toda essa exortação cinéfila/literária vamos lá… O curta é bom, provável que seria um longa interessante também (nunca assisti um faroeste ruim que me lembre, por mais fraca que seja a história), mas o veterano Almodóvar se decidiu por um pequeno filme na duração e grande na ousadia e assim foi. E é digno de reconhecimento que um cineasta nascido em 1949 esteja ainda realizando de forma eficiente o seu ofício. Quem ganha somos nós.

Pedro Pascal chegando…

Hawke e Pascal o reencontro pós 02 décadas…

Pascal como Silva.

Jake e Silva na juventude…

Os dois Pedros… Almodóvar e Pascal.

Almodóvar entre seu elenco masculino… cowboys estilosos…

Messala (Stephen Boyd) e Ben-Hur (Charlton Heston) comemorando o reencontro anos depois, no clássico de 1959.

Ethan Hawke, americano, 06/11/1970🌞♏ 🌚

Pedro Pascal, chileno, 02/04/1975 🌞♈🌚 ♑

Pedro Almodóvar, espanhol, 25/09/1949 🌞♎

Paulo Al-Funs, autor.

♀️O filme Rebecca, a Mulher Inesquecível lançado em 1940 foi baseado no livro homônimo da autora Daphne Du Maurier que por sua vez foi baseado no livro da autora brasileira Carolina Nabuco. Aqui no Brasil o romance foi transformado em novela “A Sucessora” nos anos 70. Sou curioso pra saber se a Globo e o autor e a direção da novela tiveram coragem de bancar a personagem lésbica da trama, na novela interpretada pela gigante Nathalia Timberg.

Não aguentou esperar, e foi na calçada gozar…

O bofe chegou 
sem avisar,
Desceu da moto
E foi ao lado
do seu prazer
deitar
Ele estava num estado
louco de tesão,
Foi logo acariciando
a parceira,
com emoção
Não conseguiu aguentar
E ali mesmo
na calçada,
na luz da manhã
Começaram a trepar...

Só não sabiam
que havia pessoas
a gravar,
e logo seu vídeo
Iria viralizar...

Paulo Al-Funs

❣️ uma singela homenagem aos personagens de Santos e suas peculiaridades…

10.000 Km

cartaz de 10.000 Km

Assim que começa 10.000 Km e surge na tela a personagem de Alex por cima de Sergi eu me lembrei de “Na Cama” um dos muitos filmes que eu assisti no “Cine Arte” no início dos anos 2000 aqui em Santos. Tivesse minha mente a ousadia de ir mais adiante e chamasse meu coração pra participar da recordação eu me lembraria também de como “Na Cama” começou com um casal trepando e não muito depois caiu num profundo tédio, porque a menos que seja um porno, não tem filme que resista a uma completa falta de história cujas cenas mais interessantes aconteceram logo no início. Alex cavalga sobre o pau de Sergi até gozar para iniciarem uma conversa sobre a possibilidade de no ato terem conseguido fazer um filho. Os devaneios duram pouco. Alex recebe uma mensagem a comunicando que ganhou uma bolsa pra realizar seu sonho – estudar fotografia no exterior, no caso, nos EUA. No caso tendo de decidir sem ter muito tempo pra pensar se deixa o parceiro, o sonho de ter filho e a vida comum que leva em Barcelona para trás. Pausa. O que você faria? Alex quer ir, mas joga a responsa pelos seus sonhos no colo de Sergi, que simplesmente não tem outra alternativa a não ser incentivar a parceira que ele realmente ama, o que significa ficar sem a sua presença física por 01 ano (além de adiar também por esse tempo o desejo de ser pai). O que segue é o drama do tédio. Só dois personagens em cena que vão passar todo o filme mergulhados em sua solidão particular procurando através dos meios possíveis (internet e telefone) se comunicar e manter acesa a chama da paixão. Pausa. Tu aguentaria? Há limite (de tempo) para o amor? O quanto você é capaz de esperar pela realização do sonho do outro? Tem casais que moram em casas separadas, mas, se vêem todos os dias. Tem casais que um dos parceiros está sempre viajando, mas, em algum momento ele/a volta pra casa, tem casais que pedem um tempo um para o outro pra ver a quantas está a relação e se seus sentimentos ainda se mantém fiéis de um para o outro. Há diversos tipos de casais, cada qual com sua combinação particular. Essas perguntas vão surgindo depois, só depois. Eu tenho por modus operandi escrever sobre um filme (e eu escrevo sobre todos os quais assisto) só depois de 01 ou 02 dias. Se eu fosse escrever sobre 10.000 Km assim que terminei minha sessão particular, ia só ter palavras duras. Agradeço muito por ser assim. Porque o sentido só foi vindo depois. Natalia Tena é uma atriz masculinizada. Não digo sapata, mas, masculinizada como muitas mulheres atualmente. Enquanto assistia pensava se não podia ter sido feito por outra atriz mais bonita e com algum carisma, e depois me apercebi do nome, que também é ou soa masculino “Alex”, pra finalmente perceber depois de assistido que o cineasta simplesmente inverteu os papéis. É ou era sempre o homem que busca a realização dos seus sonhos e quem até então ficava em stand by era a mulher (é necessário dizer que se trata de um casal cis?). E isso é mostrado no filme desde o início, basta lembrar que eu já mencionei lá encima, que no sexo ela está por cima. Sergi é um amor. Interpretado pelo ator David Verdaguer ele é gostoso, sexy, carismático e não se fica indiferente ao seu drama. Trabalha bem. Seria um sonho de parceiro, assim como tem muitas mulheres que seriam um sonho de parceira, mas que no decorrer de uma história romântica são atropelada/os pela realidade da vida. Nesse sentido, vale assistir o filme.

Alex e Sergi

10.000 Km (2014)

Natalia Tena, inglesa, 01/11/1984 🌞♏ 🌚♒

David Verdaguer, espanhol, 28/09/1983 🌞♎ 🌚♊ ASC♐

Paulo Al-Funs, autor, cinéfilo e otras cositas mas…