Dancin’ Days – a saga continua (capítulo 30 aos 90)

A clássica novela se inicia com uma anti-heroína (Julia Matos/Sônia Braga) que estava presa e buscava em seus sonhos de liberdade reencontrar a filha que não chegou a “criar” e estava a 11 anos sem ver. Marisa (Glória Pires) é a típica (?) adolescente da zona sul carioca que foi acolhida pela tia biológica (mãe) Yolanda Pratini (Joana Fomm) e seu esposo (José Lewgoy) no momento mais difícil da vida da sua genitora que ficamos sabendo no decorrer do caminho pensou em colocá-la para adoção num orfanato. E que mesmo antes de ser presa nunca foi uma mãe presente. Temos um drama real aqui e nada incomum. Júlia almeja se encontrar com Marisa e falar “mamãe chegou”, como se fosse tudo tão simples. Obviamente é impedida pela irmã (que faz até o momento o papel materno da sobrinha). A torcida pelo re-encontro é grande? É. Júlia tem um certo magnetismo que atrai (em raríssimos casos, repele), a quase todos os outros personagens da novela que tem contato com ela. Teimosa que nem uma besta, só escuta a si própria. O egoísmo exala. Bom, pessoas de personalidade forte tem o poder de fazer com que outras pessoas de personalidades não tão decididas orbitem a sua volta. De uma forma muito justa e digna vai buscando resgatar sua vida, com trabalhos que surgem aqui e ali. É uma personalidade sofrida. Que se auto estigmatiza porque sabe que a sociedade vai fazer o mesmo com ela se descobrirem seu passado (na prisão). Pra tentar se aproximar da filha, com a ajuda de Verinha (Lídia Brondi) cria uma mentira, um nome fictício e consegue virar uma “amiga mais velha” da colegial (Marisa). Vale mencionar que Verinha é uma personagem esperta e logo sacou que o interesse de Júlia por saber sobre a vida de Marisa estava bem além do normal. Mas Vera é “do bem”. Júlia logo seria apresentado a face tenebrosa de Áurea (Yara Amaral).

17. A inauguração da tão esperada boate acontece. E é um acontecimento mesmo. Os personagens (quase todos) vão desfilar por lá. Há presença de famosos como Nana Caymmi dando canja. Eu curto pra ver o visual, é muito legal essa parte, o que era moda na época. Cabelos, roupas, a forma de dançar, as músicas. A trilha que sendo bem generoso nas palavras não passava de medíocre, agora ganha corpo com várias músicas de disco da época. Músicas que a gente conhece e tocam até hoje nas rádios. É um retrato da elite da época também. “17” é a boate dos ricos e descolados setentistas da sociedade carioca.

A novela dá um salto. Em algum momento vamos ser surpreendidos por Marisa e Beto (Lauro Corona), prestes a se casar. Não se explica. Somos simplesmente apresentados aos fatos. Verinha apostou na liberdade por igual entre as parcerias, e se enganou. Perdeu Beto. Acreditando que poderia continuar saindo com outro rapaz (um gato da academia de Ubirajara/Ary Fontoura), descobriu a preço de um coração quebrado (o próprio), que o machismo existe e é pra todos. Beto não aceita na boa ver sua princesa se divertindo sem ele e com outro na boate 17 e causa rebuliço. Vera é consolada por Carminha (Pepita Rodríguez) que dá um show explicando como o machismo é parte dominante na vida de todos nós (capítulo 40). Beto procura consolo em Marisa que tinha um crush nele. E quando damos por nós, os sonhos de Yolanda em ver a filha casada estão encaminhados. Júlia revoltada vai querer fazer com que Marisa desista e aí acontece o que prometia ser “a cena” da novela: a revelação de que é sua mãe. Mas a Júlia, a Júlia é muito equivocada no que acredita em como deve ser a sua comunicação em relação as outras pessoas. Ainda mas de um assunto tão delicado e revelador como: Eu sou sua mãe, porra! Marisa se casa e vai morar com Beto na casa dos pais dele. Mesmo tendo o jovem casal um apartamento todo decorado a espera deles. É curiosa a relação. São dois adolescentes (ela 16 e ele 19) aos quais não deveria ter sido permitido essa loucura de assumir um compromisso tão sério sendo tão jovens. Não são jovens só em idades. Mental e emocionalmente também. Rachei o bico quando os pais de ambos juntos perguntam onde eles querem passar a lua de mel, e a resposta é: Disneylândia. Não há paixão, apenas parece ser a relação de dois adolescentes que se dão muito bem, são amigos e curtem se pegar. Aqui e depois disso a uma mudança pouco sutil na personalidade do Beto: ele fica meio bitolado. Quase caí pro ridículo a tentativa de forçá-lo parecer um parvo. Algo que ele desempenha até bem, mas foge do conceito original da interpretação que estávamos sendo apresentados pelo ator. A personagem de Marisa se oculta um pouco na trama. E Verinha sem conseguir esquecer Beto paira sobre o casal, como uma perna de tripé que ainda não se estabeleceu. O casamento de Marisa abre as portas que leva sua mãe de volta a cadeia. (Ahhhh Áurea, como chama aquele lugar que está repleto de pessoas cheias de boas intenções e que você “ser do bem” devia estar?…). E aqui acontece outro fato curioso. Júlia, a protagonista sai novamente de cena. Pra mim é muito atípico isso. Uma anti (?) heroína que nessa primeira fase se mostrou sempre de forma que foge ao óbvio (ter participação em tudo e em todos os capítulos). A personagem Júlia fica realmente oculta em quanto a novela e seus demais personagens vão se desenrolando com suas histórias. Há outras mudanças. De forma oblíqua (não fica realmente constatado), Carminha parece estar conhecendo mais intimamente Franklin o personagem do Cláudio Corrêa e Castro, que ao mesmo tempo vê seu casamento já falido com Celina (Beatriz Segall), se desmantelar. Por isso Carminha se despede de seu partner Jofre (Milton Moraes) amigavelmente (é uma dupla muito gente fina). Por mais Carminhas e Jofres no mundo. Terminar uma relação de forma sensível mas não-emocionada (descontrolada emocionalmente), não sei se revela maturidade, mas com certeza amor-próprio, sim. Cacá, a mala que Antônio Fagundes nos apresenta tão bem se auto-descobre no divã. É um personagem curioso. Acredito que uma raridade na vida tão atuante do seu intérprete. Se tivesse oportunidade gostaria de saber dele como foi fazer esse cara complicado tão perdido em si mesmo e como ele o observa (se observa) através do tempo. É incrível a sabedoria que algumas pessoas carregam. Aqui me refiro ao autor Gilberto Braga. Cacá seria pela sua marcante característica de indecisão alguém que nasceu com o signo de ♎ forte no mapa. E aqui entra mais sabedoria (?) do autor (não acredito em coincidências). Cacá pela idade do seu personagem está vivendo o que em Astrologia chamamos de “o retorno de Saturno” um período crucial na vida de todas as pessoas que nos encontra pouco antes de entrarmos nos 30 (anos). E ele com sua crise típica dessa fase da vida vivência isso na novela. E a cereja do bolo pra melhorar é que o personagem ganha a vida pela elítica carreira de diplomata, profissão essa relacionada (astrologicamente) ao signo de ♎ (libra), que tem a habilidade de usar a comunicação pra se relacionar formando alianças (sem de fato se comprometer seja com A, B ou C). Firme e forte segue sua obstinação por Júlia, a mulher que nem o nome sabe, que em tudo a desconhece, e que conheceu durante uma tragédia (atropelou um doguinho e ainda por cima ia fugir sem prestar socorro, no que foi impedido pela nossa anti-heroína). Cacá se apaixonou no que parecia ser só tesão despertado por um beijo (lembrando que Júlia estava na seca a 11 anos. Ao menos na seca de homem). Incapaz de lhe esquecer encontra amparo na figura da sua amiga e confidente, a sempre lúcida Inês (Sura Berditchevsky), que tal como a prima Verinha, está sempre a testar os limites do machismo via relação com seu futuro ex (Eduardo Tornaghi). Cacá e Inês não são um casal apaixonante e nem apaixonados, mas, resolvem se assumir como parceiros para o projeto de um futuro relacionamento estável. Pra felicidade dos papais e mamães de ambos. Celina e Áurea querem ver seus rebentos encaminhados. E isso passa por uma aliança nos dedos. Pra piorar a tragédia bate a porta da casa de Inês. E de Cacá também. O que acaba unindo o que poderia ter outro destino. Num acidente de carro guiado por Franklin morrem Celina e Aníbal (Ivan Cândido, marido de Áurea). Ambos morreram porque não era lei no Brasil da época usar cinto de segurança nos carros. Ainda bem que as coisas nesse sentido evoluíram. A cena é didática. Tudo aquilo que não se deve fazer pra evitar uma tragédia. Celina nunca bebeu (além de champanhe), e se embriaga com whisky. Franklin nervoso e alterado no volante (pessoas com a cabeça quente não deveriam dirigir) dando carona a Áurea e Aníbal. Quando Franklin perde o controle do carro, Áurea sem cinto chega a ser jogada pra fora do carro. A cena do velório e posterior enterro é uma das mais verdadeiras que eu já vi. Foram pelo menos uns dois capítulos. E conseguiram captar toda a depressão que envolve esse tipo de situação. Eu não frequento nem velório e cemitérios. Conto nos dedos das mãos às vezes que fui, então me vejo observando atônito aquele desfilar bem real de um lugar (cemitério) que me causa tanta estranheza. É uma cena longa, longaaaaa. Você acompanha por minutos todo o cortejo. Lauro Corona e Cláudio Corrêa e Castro são a imagem da tristeza irreversível. Outra curiosidade é que a amante (uma das) do Aníbal foi no velório. Ninguém a conhecia. Mas sem dizer palavra, ficou lá, firme e forte em sua dor. Louvável. Quantos e quantas não aparecem pra se despedir numa hora dessas. Vivenciam sua dor, a dor da perda a distância. A partida do personagem também tira de cena o autor de duas pérolas que me divertiram muito. Pego em flagrante por sua mulher Áurea na saída do cinema (aqueles de rua), com uma outra amante e após ser colocado no freezer em casa pela esposa traída (no cinema ela fez cena), solta 02 frases que pra mim já entraram pros anais da cara de pau do sistema novelístico. “Eu tenho cara de marido que traí?” pergunta, a outra é “eu te perdôo pelo escândalo”. Rachei o bico. Celina antes de partir (coitada, viveu a vida toda sóbria, foi morrer embriagada), também deixa lições pra futura nora Inês “nunca pare de estudar”, “não abra mão da sua vida pelo seu marido”, “não fique como eu cuidando da família e depois que os filhos crescem, assistindo sozinha televisão na sala”. Celina antes de morrer fez amizade com Neide que era sua antiga funcionária, e que promete se vingar por Celina do mal que acredita que Franklin fez a amiga morta. Neide é um caso a parte. Ela é vilã. É interpretada por Regina Viana (atriz que eu não conhecia) com honras. É uma personagem onde a maldade é expressada especialmente no rosto e na sua postura. Difícil isso. Não é o que ela diz. Ou faz. Imagina uma atriz que usa os recursos que seu rosto dispõe pra mostrar o interior vilão da sua personagem. A forma dela olhar, as expressões. É incrível. Tem atores/atrizes que vestem o personagem como se ele tivesse sido feito de forma exata pra eles. Não podia deixar de esquecer. Alberico (Mário Lago) consegue mas uma vez se mostrar um empreendedor que tem por natureza fracassar nos seus empreendimentos. Dessa vez a vítima é sua escola de cooperagem, onde da aula Everaldo (Renato Pedrosa), uma figura que me diverte. Faz uma dupla com sua empregadora (Yolanda) gostosa de se ver. Ela por sua vez se separa do marido Horácio. Fiquei triste. Ele é muito gente fina. Não o amava mais. E o pior, revela pra ele que queria ter se separado a muito mais tempo, e só não o fez porque queria casar a filha antes. Foi dura com ele. E Júlia retorna da penitenciária com sede de vingança. E Ubirajara vai ser o seu instrumento para realizar suas vontades. Nosso voyeur se apaixonou profundamente e profundamente vai cego atrás da sua paixão, movida a ódio no momento. E é aqui que vemos que Júlia e Yolanda são faces da mesma moeda. Yolanda pede o divórcio depois que alcançou seu objetivo (casar a filha), e deixa ferido Horácio. O dinheiro é usado na manutenção do status quo via união Beto e Marisa. Júlia aceita a proposta de casamento (na real um contrato nu e cru) de Ubirajara pra conseguir atingir um novo status social via $ e conseguir competir com Yolanda. Ambas usam seus parceiros afetivos (ou que deveriam ser). Yolanda agora se relaciona com Hélio (Reginaldo Faria), o descolado e parece não ter idéia exata do preço a pagar pra bancar essa opção. Júlia agora acompanhada de duas fiéis amigas, Solange (Jaqueline Laurence) e a querida Mada (Neusa Borges) vai matando Cacá na unha, após chegar como estrela da sua viagem a Europa (o mundo capota né). E pela primeira vez nós a vemos como protagonista da novela das 8h. Sua entrada na agora recém inaugurada (ex 17), Dancin’ Days é um assombro. Sônia Braga abala geral. Já não falo da personagem, falo da atriz, porque quem da vida a Júlia e protagoniza aquelas cenas de dança na boate é a atriz Sônia Braga. Para e parou tudo. Seja solo, ou dançando com Paulette (Dzi Croquettes) ela destrói tudo.

Júlia (Sônia Braga) num visual ultra top com suas amigas Solange (Jacqueline Laurence e Neusa Borges) e Mada!

Paulo Al-Funs, autor

Um mapa astral

Foi lançado ano passado um livro (que não li) e que tratava de algumas profissões e formas de conhecimento como algo não tão sério.

Eu vou falar no tocante a minha área (astrologia).

Inúmeras pessoas até hoje confundem astrologia com horóscopologia. E não, não são a mesma coisa. A astrologia é um dos conhecimentos mais antigos que já foi entregue a humanidade. Esteve e foi estudada nas mais variadas civilizações. A poucos séculos atrás era ciência obrigatória em antigas escolas de conhecimento humano. Não se formava médicos por exemplo que não tinham conhecimento sobre a influência dos astros no corpo físico. Como muitos ensinamentos da sua espécie, houve uma época obscura em que também ficou mais inacessível para a grande maioria da população. E como também vários ensinamentos dessa mesma espécie voltou com força em cena no século XX.

No passado a astrologia só servia a elite. Era a ciência que orientava reis e poderosos a governar. Mas as pessoas em geral (o povo) que não tinha $$$ pra ter seu astrólogo particular (como um nobre) também a utilizava. Havia uma linha da astrologia popular chamada Astrologia Horária (que funciona também!), e que eu pessoalmente comparo com o nosso SUS. Tipo o endinheirado se consultava com o astrólogo e fazia um mapa astral por completo. A pessoa menos acalentada pelas finanças procurava um astrólogo quando alguma coisa a perturbava ou tinha necessidade de uma resposta imediata, fazia sua pergunta e o astrólogo baseado no horário daquele momento (por isso astrologia horária) a esclarecia sobre o que desejava saber. Eu faço analogia com o nosso sistema único de saúde por conta disso. O endinheirado paga um exame completo quando está passando por um problema na sua saúde. O menos afortunado procura o sus e o médico aparentemente lhe da um diagnóstico sem muitas perguntas. O fato de ter sido utilizada por reis, imperadores e familias de alto status permite a qualquer astrólogo profissional estudar a vida de muitas personalidades históricas sem cair na imagem imposta por historiadores e por versões oficiais desses personagens. Estudando o mapa de D. Pedro I por exemplo, se percebe que ele tinha uma ligação de respeito com o pai, uma ligação fria e de respeito. Não amorosa. Não à toa o pai parece ter lhe dito que se o Brasil tivesse que se separar de Portugal, que fosse através dele, o filho, que ao menos haveria de respeitá-lo. D. Leopoldina sua primeira esposa tinha 🌞♒ (em aquário), 🌚♏ (em escorpião) e o ascendente no signo de ♑ (capricórnio). Ela e o marido compartilhavam o mesmo signo lunar ♏. O que significa? Num casamento é uma das melhores coisas que há! Quando uma parceria divide o mesmo signo lunar existe uma cumplicidade que não há em nenhuma outra relação. São pessoas que se compreendem e são ligadas pelo seu lado emocional. São próximas, existe uma afinidade natural e que não se desliga mesmo que um dia venham a se separar. Sabe aquele ex que ainda frequenta sua casa? E mesmo a distância divide com você os seus momentos? É essa combinação. Se for uma relação de amizade então, é daquelas amizades que nunca terminam, você briga, discute e no dia seguinte quando se encontram continuam conversando como se não tivesse acontecido nada. É grude. Pessoas que nascem com essa lua escorpiana são pessoas muitos sensíveis, se magoam com facilidade (e isso não quer dizer que elas vão demonstrar que foram afetadas), tem recordações muito vivas do passado (as boas e especialmente as não tão boas), e uma tendência a terem relações complicadas com suas genitoras (suas mães). A mãe da primeira imperatriz morreu cedo e não sei quem a criou (mas é com a pessoa que fez o papel materno que vai se desenrolar o drama), agora no caso de D. Pedro a própria história diz e nós sabemos que a relação com a mãe foi treta do princípio ao fim. A combinação astrológica da Leopoldina jamais caberia no modelito que historiadores a vestiam até poucos anos atrás. A coitada chifruda. Nunca. Alguém já viu aquário fazendo a vítima? Alguém já viu o ambicioso capricórnio atuando de forma irrelevante? Alguém consegue imaginar escorpião tomando chifre atrás de chifre em estado de pura resignação? Não importa em que época você nasceu, as características, qualidades e defeitos que recaem sobre um astro/signo são as mesmas. E quem as tem tenderá a vivenciá-las e atuar da mesma maneira. O ascendente em ♑ não só dá uma personalidade política a primeira imperatriz como diz que essas características já vieram prontas nela, de berço. E D. Pedro foi o que se esperava de um homem (qualquer um) que nascesse com o 🌞 e o ascendente no signo de ♎ (libra). Um galanteador, um conquistador, uma personalidade voltada para os romances e prazeres da vida (a natureza librana), uma pessoa que fez da associações (alianças) e da comunicação as suas armas pra atingir os seus objetivos. Uma pessoa cujo charme librano foi usado em larga escala pra conseguir aquilo que queria. Se ♈ vence no mundo pela sua coragem, pela sua audácia e através da sua força, um 🌞 em ♎ vai buscar conquistar seus objetivos através da máscara (personalidade ou signo ascendente) da sedução. Indico as cineastas, atores/atrizes e escritores de personalidades históricas quando forem fazer um trabalho baseado ou sobre a vida dessas pessoas se informarem com um profissional de astrologia, podem ter certeza que seu trabalho vai sair bem mais enriquecido. Com relação a membros nobres de casas reinantes se tem o mapa astral com dados da maioria dessas personalidades do passado.

O que é um mapa astral? Mapa astral é a foto do céu no exato momento que nasceu algo. Esse algo pode ser seu cavalo, seu cachorro, seu casamento, o quer que seja que tenha vindo ao mundo. Inclusive eu e você, pessoa física e humana.

Para que serve um mapa astral, o que você faz com ele e onde se enfia o astrólogo no meio disso tudo?

Quando nós nascemos o 🌞 (sol), a 🌚 (lua) e os demais astros do nosso sistema estão transitando por algum signo. Todos, sem exceção. Esses astros além de estarem transitando estão fazendo aspectos entre si. Você pode chamar esses aspectos de conversa. Imagine um grupo de pessoas trocando idéias. Às vezes o céu está mais positivo (conversas mais leves, mais amenas e agradáveis). Às vezes o céu está mais carregado, com conversas e troca de idéias mais duras e enviesadas. Às vezes a conversa de um com outro está mais assertiva, motivadora mas esse mesmo astro pode estar agindo com um outro do mesmo grupo de forma mais audaciosa, mais belicosa. Esse coguelume de energia juntas naquele momento do céu que você nasceu é você. Todas essas energias estão dentro de você e você tendo consciência ou não vai ter a tendência de vivenciá-las aqui na Terra. Um mapa (o desenho do céu naquele momento), é dividido em 12 casas -nem mais e nem menos. Nessas 12 casas simbolizadas por cada um dos signos do zodíaco e que se inicia sempre pelo seu signo Ascendente é que estarão divididos os astros do céu, além do 🌞 e da 🌚. Exemplo: se no momento que você nasceu o 🌞 estava trocando uma idéia com a 🌚 e essa resenha tinha características positivas, a casas onde esse 🌞 e essa 🌚 estavam serão afetados benéficamente. Todas as 12 casas tem um significado próprio. E a forma benéfica nesse exemplo se fará sentir no ambiente da casa, isto é, naquilo que ela diz respeito. Exemplo a casa 05 do mapa fala de como o nativo encara seus momentos de lazer, do que a personalidade que ele tem gosta de fazer que lhe dá prazer, que lhe agrada a vida, que o deixa feliz. Você nasceu com o planeta XYZ (o planeta rei da ilusão) ai? Então a sua tendência a realizar o que te deixa feliz é curtir um cinema nas suas folgas (cinema é ilusão), assistir um desfile de moda ou algo semelhante (moda também é ilusão), tomar umas biritas ou estapear a pantera (todas as substâncias costumam ser fontes de ilusão), ou simplesmente correr atrás de alguma paixonite e beijar muito (a casa 05 rege todos os romances das nossas vidas) e se XYZ o planeta da ilusão tiver ai tu tá fodido 😀, sempre se apaixonando pela princesa que vira uma rã (se a conversa entre os astros estiver boa) ou se apaixonando pela rã (“eu gosto dela!”), que vira um dragão quando a conversa do astro está ruim). As resenhas entre os astros (aspectos na nossa linguagem astrológica) influem diretamente sobre o sentido das casas onde eles estão. Seguindo no exemplo da casas e tomando XYZ pra exemplo. Casa 04 mostra sua família, suas origens, da onde você veio, a pegada dos seus ancestrais na Terra. Quem nasce com esse astro nessa casa tem a tendência de ter uma família mais espiritualizada. Não estou dizendo religiosa (que é outra coisa), estou falando dessas famílias cujo pai ou mãe ou seus ancestrais lidavam de forma muito natural com questões de cunho espiritual (“era só um fantasma que passou”) ou místico ou aquelas famílias ligadas em temas sobre vidas passadas. Como XYZ deixa as pessoas com a visão meio turva, elas em geral não percebem muito bem a sua origem. “Lembro do papai sempre tomando sua cervejinha”, “Seu pai bebia sempre?” “Não, mas sempre gostava de tomar umas, todo dia.” Era alcoólatra. Onde você têm XYZ você nunca enxerga os assuntos daquela casa como eles realmente são. Não preciso dizer o estrago que ele é capaz de fazer se estiver acampado na casa 07 do mapa (casa que mostra como serão nossos sócios de vida, e isto inclui o “sócio amoroso”, isto é sua parceira/parceiro de união estável. Por isso que acaba um relacionamento, começa outro e a tendência é dos parceiros mudarem apenas de rostos e nomes. As qualidades e características que eles vão exibir serão as dos signos/planetas que comandam aquele setor. Pamela Courson tinha XYZ nessa casa. O parceiro/príncipe encantado era lindo mesmo. Era artista, porque XYZ da dons artísticos. Mas quem tem XYZ nessa casa vai atrair um sonhador, um ilusionista que precisa ou busca um mundo encantado e encantador. Não existe esse mundo? Então, o parceiro/a vai procurar criar o seu próprio mundo. Seu parceiro (pelo qual ficou conhecida como sua parceira cósmica, coisas do misticismo de XYZ), Jim Morrison, vocalista da banda The Doors, se refugiou no seu mundo próprio regado a tequila e otras cositas más.

Enfim, mas pra que serve o tal mapa?

Voce saí de viagem pra um lugar que você nunca foi, o que você precisa? Uma bússola, um guia, um norte, atualmente o GPS está resolvendo muita coisa. Um mapa astral, como o nome diz é um mapa que alguém lá encima muito gente fina e com muita generosidade colocou pra que você aqui na sua jornada terrestre, na sua nova caminhada que se iniciou quando você nasceu, tivesse um referência do caminho pra onde seguir.

Um astrólogo é simplesmente a pessoa que estuda, e estuda, e estuda a conversa desses astros, e através da sua experiência pessoal e da experiência que a leitura de mapas que leu ou interpretou você convida pra te dar uma orientação sobre você mesmo. E muito importante que se diga, um mapa astral jamais é fatalista. Porque além da influência dos astros está aquilo que nos foi dado de mais importante: o nosso livre arbítrio pra seguirmos consciente o caminho que desejamos seguir.

A leitura de um mapa astral através de seu intérprete, o astrólogo, indica caminhos, indica tendências. E jamais faz afirmações fatalistas.

Mapa (AA) astral (desenho do céu na hora do nascimento de d. Pedro I) nascido em Lisboa, Portugal, no dia 12/10/1798, às 6h30. 🌞 19°12♎ 🌚25°48 ♏ e o ASC 23°03 ♎

Mapa (A) astral (desenho do céu no momento de nascimento de d. Leopoldina), nascida em 22/01/1797, em Viena, Áustria, às 7h30, com o 🌞 02°49♒, 🌚 29°57♏ e o ASC 27°31♑

Ambos tinham o 🌞 sobre o ângulo do Ascendente, posição muito forte em qualquer mapa. Pessoas de presença. Forte personalidade e consciência do que querem e buscam na vida. O humor de d. Pedro l variava de acordo com suas finanças que influenciava diretamente na sua estabilidade emocional. Já d. Leopoldina gostava de ganhar o seu $ por conta própria. E o fator financeiro era motivo de briga pra ela. A presença da 🌚 no ponto mais alto do mapa indica muita popularidade (ótima posição pra quem quer se dedicar a vida pública).

XYZ (nome fictício porque a gente fala do milagre, mas não do santo!).

Paulo Al-Funs – versista por vocação, astrólogo por formação e atendente na luta do ganha pão.

Dancin’ Days

Sempre tive maior vontade de conhecer DancinDaysDas novelas antigas com certeza é a que mais me chamava atenção. Sempre vi uma mística muito grande nela, tipo aquele tipo de obra de arte que capta um momento, um tempo e por isso mesmo se torna absolutamente impossível e desnecessário uma regravação porque a magia de uma época não tem como retornar. A uns anos atrás assisti “Pai Herói” no Viva (a única que assisti no canal). Assisti com prazer porque também tinha maior vontade de conhecer um clássico da icônica Janete Clair. Gostei e embora não tivesse absolutamente ninguém com quem comentar, foi bom também nesse sentido, já que não recebi nenhum spoiler – e por isso tive um choque horroroso quando no último capítulo vi o André Cajarana personagem do Tony Ramos, ficar com a chatérrima Carina (personagem da Elizabeth Savala) em detrimento da espetacular Ana Preta imortalizada pela Glória Menezes. Demorei pra chegar no clássico do Gilberto Braga, mas tudo tem seu tempo. E cheguei na hora certa, já que no que pude pesquisar as primeiras reprises do app novelístico estavam causando perturbações nos expectadores por conta da transposição do material antigo para as telas que usamos agora. E nada melhor que começar sendo apresentado a uma novela tão especial.

Leio que as novelas estão em crise. Sim, não teria como não estar. Tudo mudou e ninguém é mais fiel de um único canal ou de uma única mídia. Eu assisto novela pelo que me recordo desde a infância da minha infância. Sou capaz de lembrar todas as que eu assisti e gostei, que não gostei tanto e aquelas que simplesmente depois dos primeiros capítulos já vi que não era pra mim. Das 03 novelas inéditas que a Globo exibia, ao menos uma assistia. Isso foi até princípios dos 90, porque já na adolescência você começa a ter vida própria e daí num dá mais pra ficar com a cara na tela o tempo todo. E acompanhar novela exige tempo. Tempo e concentração (dedicação). E tempo é muito valioso, e quanto mais velho você vai ficando mais seletivo ainda você vai ficando com relação a que gastar. Livro toma tempo, filmes, séries, música. Se não haver discriminação na escolha fica impossível. Tal como a Glória, não posso opinar sobre o que é exibido atualmente. O que posso falar eu já disse: sou contra refilmagens de obras-primas cinematográficas e contra regravação de novela clássica. Eu só assisti “Pantanal” versão anos 2000 porque na época não senti interesse nenhum em acompanhar o enorme sucesso que foi a “Pantanal” da rede Manchete. Essa não assisti, mas acompanhei “Dona Beija. E gostei. Nunca assisti a nenhuma das mexicanas do $$. E a única que assisti na emissora de poder gospel, eu tenho como uma das melhores que eu já vi. Foi um prazer acompanhar “Escrava Mãe“, pra mim uma das melhores novelas já exibidas na TV. Se o mundo caminha pra frente, não é revival que vai trazer de volta grandes ibopes. Outra questão que eu enquanto telespectador posso comentar é: toda fórmula por melhor que seja, acaba. Pergunta pra qualquer roqueiro, e vai ver se ele não te confirma. A fórmula do Pink Floyd secou (cansou) no fim dos 70′, a do Led Zeppelin idem na mesma época. A da Blitz, a do Engenheiros, até a da “Legião” já estava esgarçada, antes mesmo do Renato partir. O cinema na sua essência de eterna mutabilidade só sobreviveu até aqui porque de geração em geração foi se reinventando. Implacavelmente seus foderosos produtores não se intimidaram em colocar pra fora o astro ou a estrela que eles sabiam que o público já estava cansado. Porque cargas d’água a emissora mais foderosa do país acha que seu padrão de qualidade iria continuar a fascinar seu público eternamente? Saturação. A fórmula “padrão Globo de qualidade” foi usada a tanta exaustão que a magia se dissipou e parece que as cabeças pensantes que a regem não perceberam isso. Não é meramente (ou gravemente) um problema de texto. É caso urgente de se reinventar.

DancinDays – os primeiros 30 capítulos

Primeiramente: A “mocinha” é uma ex-presidiária que ficou 11 anos na cadeia por uma morte na qual estava envolvida. Surreal. Olha a ousadia. Sinceramente, não me recordo de nada assim!!! Sônia Braga, atriz de clássicos cinematográficos que eu curto (ela e seus filmes), e também da clássica “Gabriela” está de baranga. E aí que vemos a atriz. A personagem funciona. Sônia escondeu dentro de si toda sensualidade e beleza que a gente tá acostumado a associar a sua pessoa. A sua Júlia é pesada, carrancuda, dura (e é a heroína). Taciturna, quase ou nunca sorri. É o retrato de alguém que viveu no inferno e sabe que mesmo em Liberdade sua vida jamais será a mesma. O que eu achei estranho é que o inferno (cadeia) que ela cumpriu seus dias (está em condicional) tem cara de spa prisional. Se as cadeias eram assim em 1978, só pode-se dizer que mudaram muito, e pra pior, nas décadas posteriores. Ela (a Júlia) não ajuda muito que a gente curta ela. Não, por conta do seu passado, mas pela ausência de uma leveza que seria irreal se tivesse na sua personalidade. Júlia está se envolvendo com Cacá (Antônio Fagundes). É inacreditável. O herói (?) da novela é um dos maiores malas que eu já vi!!!!! Da sono escutar ele falar. Fagundes realmente é muito bom, pra fazer com tanta segurança um tipo tão insonso. Mas os dois tem química. Júlia mora no apartamento de Mário Lago com sua família. É impossível não gostar do ator já na época veterano. Eu fico impressionado e confirmo pra mim mesmo que quando um ator faz um personagem que tem haver com sua natureza, ele simplesmente arrasa. Mário Lago era sagitariano, e o Alberico, o seu personagem é ♐ puro. Como todo signo do Fogo, um sonhador, cheio de planos, com uma realidade paralela muito própria. O maluco reina absoluto nas suas cenas e viagens. Sua esposa Lourdes Mayer (não conhecia a atriz) parece que saiu de uma das suas composições mais famosas. “Amélia“. Mário Lago é o autor de um dos maiores clássicos da música brasileira. “Amélia não tinha nenhuma vaidade, Amélia que era mulher de verdade”. É dessa senhora uma das frases mais brutais sobre sua relação matrimonial “um casamento só dura como o meu quando a mulher acredita em tudo que ele fala”. Me pergunto se foi proposital por parte do autor da novela, Gilberto Braga. Essa é a parte não tão positiva. Como se passaram tantos anos e muitos não estão aqui, tem perguntas que talvez nunca poderão ser respondidas. É na casa do seu Alberico que está uma das maiores jóias da novela (sem contar as outras que circulam por lá). Eu tô muito surpreendido pela personagem “Carminha” interpretada com maestria pela atriz Pepita Rodríguez. É de longe uma das personagens mais carismáticas da TV. Que casamento feliz. A atriz (que eu só conhecia de nome), empresta um carisma que é todo seu, a uma personagem que não tem como você não amar. A casa é frequentada por Milton Moraes, ator carismático e cinematográfico (é o Cachorrão do clássico da foda “Bonitinha, mas Ordinária” baseado na obra do despudorado Nelson Rodrigues) que partiu cedo. Na casa trabalha Marlene, personagem da atriz Chica Xavier, sempre com muita presença, e refletindo uma cena muito comum nessa época trabalhadoras do lar pretas que moram na casa dos empregadores. Também se ouve outra afirmação muito duvidosa a respeito dela, dita pela esposa do Alberico “é quase da família”. Outros frequentadores do lugar são a irmã do Jofre (Milton Moraes), feita por uma atriz simpatia e bem vivaz (Gracinda Freire, que eu também não conhecia ou simplesmente não me lembro), Yara Amaral (atriz morta numa tragédia coletiva), a esposa casada e traída por um homem quase sempre ríspido no seu expressar (Ivan Cândido), e surpresa minha, sua filha feita pela atriz Sura Berditchevsky. Aqui é necessário comentar. É uma das personagens mais interessantes, inteligentes da novela. É uma mina do século XXI numa novela dos anos 70, tem ótimas frases e argumentos. Ela não é simplesmente a feminista (aquela chata cagando regras), é uma mina que sabe o que quer, o que não quer, é independente, verdadeira, com uma moral própria, e muito equilibrada (e não tô falando de ser zen). A Inês é um ser humano de primeira. Pra mim, vem sendo uma surpresa total. A atriz fisicamente também é muito diferente, ela não chega a ser realmente bonita, mas tem um tipo de beleza que foge do padrão. Também tem uma sensualidade muito própria que a personagem obviamente não explora, e que pertence a atriz. Decidida, não quer um marido pra se escorar (tá enrolada com Eduardo Tornaghi, ator realmente bonito e que trabalha bem). O personagem do Tornaghi é filho da Cleyde Blota. Que atriz bonita, e de presença. Ao lado das personagens da Gracinda Freire e Jacqueline Laurence, elas vivem o drama de mulheres que não sendo tão jovens, desejam um homem pra chamar de seu. Completamente atual. Porque muitas mulheres mesmo estando bem financeiramente e realizadas profissionalmente ainda sim (e é bem justo) querem alguém pra se esquentar na cama numa noite de inverno. Ou dormirem apenas de camisola ao lado de uma coruja excitada. Há fogo nelas, algo que se fala muito hoje em dia, já que não é porque as pessoas vão envelhecendo que ficam desprovidas de tesão. Personagens atuais e o cenário também. Outro ponto pro autor. Os queridos pra qualquer noveleiro dos anos 80, 90 e 2000 não podiam faltar. Cláudio Corrêa e Carro e Ary Fontoura. Duas lendas carismáticas da TV. O personagem do Ary pelo que vou percebendo se vivesse nos dias atuais seria um fiel do OnlyFans. É pai de pet. Como qualquer personagem do Ary, uma figura. O personagem do Cláudio C. C. é tradicional, endinheirado, casado com a querida Beatriz Segall (que dispensa comentários). Como a maioria aqui dos já citados, sempre arrasou no que fez. Vivem o drama dos casais casados a muito tempo onde o amor deixou de se expressar e sobra-se os ranços. A temática do casamento é muito forte na novela toda. Era a época em que foi aprovado o divórcio no Brasil (?), mas mesmo assim quem ousasse se separar (a mulher, no caso), era a errada. Finalizando há a dupla Joana Fomm e José Lewgoy (com um sempre jovem e descolado Reginaldo Faria que tá com cara de que faz tripé nesse casal). Qual noveleiro não curte? Até o momento não consegui ver a Yolanda Pratini como vilã. Por uma única razão. Diz o sábio ditado que “mãe é quem cria” (e eu acredito e dou valor a ditados populares), e ela tá cuidando da cria dela. É exuberante. Impossível não ter prazer em ver Joana Fom em cena, ao lado do carismático José Lewgoy então, é game over. Ainda não tá claro, mas acho que ela pega o Hélio (Reginaldo Faria). Eu deixei a ala jovem pro final. Lídia Brondi, Lauro Corona e Glória Pires. Eu cresci vendo todos esses atores em cena na TV. Todos esses atores citados. Mas muitos ali já eram cobras criadas quando fizeram a novela. Glória Pires, Lauro Corona e Lídia Brondi, não. Eu fui um dos inúmeros fãs da Lídia Brondi que ficou órfão da sua atuação quando ela deixou de representar. Lídia e o ator Paulo Castelli (o gato dos gatos dos gatos), foram duas das personalidades mais interessantes que as novelas dos anos 80 nos presentearam. Ambos abandonaram o barco deixando milhares de fãs desabrigados de sua atuação. Eu, apenas um deles. Ela está muito jovem, verde e não mostra ainda (mesmo que o princípio esteja ali, visível) a atriz de primeira que se transformaria. Diferente de Glória Pires. Marisa, sua personagem inicia com 15 anos, a Glória tinha menos, mas é inacreditável como ela enche a cena. É uma adolescente, e exibe uma segurança que poucas atrizes com sua idade fariam. Você não vê uma jovem intimidada por atuar com as feras que ela contracena. Com 14, 15 anos ela está no caminho pra se tornar a estrela que ela se transformou. É um caso raro. Em qualquer lugar do mundo. Lauro Corona, era deslumbrante, uma vida curta mas uma carreira com atuações em obras marcantes.

Há abertura do Hans Donner é uma das mais clássicas. Muita energia, a música das Frenéticas vibra alto, mais sinceramente, até o momento no tocante ao restante da trilha, está bem medíocre. Com excessão claro da atualíssima “Amanhã” do Guilherme Arantes.

Outro lance que eu que tenho cabelos crescidos não posso deixar de notar e comentar é: como os homens tinham cabelos!!! Que diferença! Foi os anos 80 que fudeu com as madeixas masculinas e padronizou (os cortes) até hoje???

Finalizando, curtindo demais. O Brasil é um país de noveleiro. Sejam antigas ou novas, a gente sempre encontra uma pra acompanhar!!!!

Paulo Al-Funs

Pica fluída

Seu ânus palpita
ao me ver
Um desejo
incontrolável
de com minha pica
fuder...

Imagina sua boca
a me chupar,
minha porra descendo
por sua garganta
a te adoçar...

Suas pernas estremecem
de emoção
Ao ver meu corpitio
passeando,
transpirando tesão...

Que lástima!!!

Queria poder te contentar
mas não há nada
em ti
a me interessar...


Paulo Al-Funs

Ânus Fodidos

Seu ânus apresentava
uma alegria faceira
ao caminhar
uma luz que surgia
de um fundo impenetrável
como um doce sonhar
um frenesi que surtia
efeitos para além
do que se poderia
expressar...
Ahhhhh!!!!!!
Tantas delícias
o encontraram
ao sentar
tantas metidas
que não havia mãos
e dedos à contar
Era algo esfuziante
luminoso e inesquecível
ao gozar...

Paulo Al-Funs

🌝 uma homenagem a todas as pessoas que carregam o recalque nos corações 😘

Tiradentes

Tiradentes
não morreu,
foi assassinado
Tudo por conta
de um dente estragado

O vilão entrou
em seu consultório
sem ele perceber
Atônito não teve tempo
nem de responder

Era um extremista
da seita dos fanáticos
e golpistas
Achou que a culpa
da dor do seu dentão
era obra do dentista-cirurgião

E como Tiradentes
era a favor da Liberdade
o maculou
pra continuar sonhando
com a ditadura
Atrás das Grades

Paulo Al-Funs

Dzi Croquettes, 2009

Documentário. Eu já havia escutado esse nome Dzi Croquettes, sabia que tinha haver com dança, mas só. Que bom. Bom porque fui apresentado à eles, há poucos dias, a esse grupo fascinante que conquistou o Brasil e o mundo (ao menos a França) com sua forma revolucionária, diferente e inovadora de espetáculo. A arte brasileira (puramente)… também tinha conhecimento que houve um Lennie Dale, mas, nunca tinha imaginado o tão grande ele foi, através desse documentário, tão bem realizado, somos apresentados a essa trupe de artistas originais, diferentes, muito talentosos, disciplinados e que conseguiram não apenas marcar a época da sua existência (anos 70) mas tudo (direta e indiretamente) que veio depois, inclusive eu, e provavelmente quem possa estar lendo esse texto. Como as gírias que até hoje nós escutamos, e tão ligadas ao mundo gay (não vou colocar aqui todas as outras denominações porque pra mim tá tudo incluído), o comportamento, através da expressão livre e ousada da sua sexualidade, e principalmente, porque pessoas que viviam e vivenciaram a época e foram influenciadas por eles depois realizaram em especial trabalhos na arte que acabaram influenciando gerações de expectadores (isso nós descobrimos através dos depoimentos tocantes, sinceros, de várias personalidades ligadas a TV, ao teatro, que fizeram a cabeça de muita gente dos anos 80 pra cá… Eu particularmente cito o Ney Matogrosso, cujo primeiro disco dos Secos & Molhadosfoi importantíssimo pra mim quando o descobri nos idos de 1996… Não há muita imagem da época dos shows em si, mas a sensibilidade com que o filme foi conduzido, realizado da a impressão de se quase poder sentir e estar ali… Mérito dos realizadores (Raphael Alvarez e Tatiana Issa). Que ótimo que existam documentários, e que ótimo que eles estejam sendo realizados de forma excepcional apresentando figuras e artistas que foram e são tão importantes pra nossa história, lembrando uma frase que ouvi um dia “todos nós somos ‘produtos’ daquilo de que gostamos ou vivenciamos” posso dizer, que os Croquettesestão bem vivos, em todos nós, porque todos temos alguma coisa, das pessoas que viveram e foram influenciadas por eles… Imperdível… Muito bom.

Paulo Al-Funs, autor

Excluídos, 2023

poster de “Excluídos

A premissa é bem interessante. E poderia funcionar bem melhor se em vez de buscar fazer suspense fake, fosse realizado como um drama. Porque aqui temos um drama.

O filme: Jovem mulher preta após conversa com irmã onde relata seus perrengues, desaparece.

Ashley Madekwe (Neve)

Corta. Anos depois a encontramos vivendo em cidade no interior da Inglaterra. Agora ela é uma mulher endinheirada. A mudança se insinua como radical. Não a conhecemos de fato no início. Neve (é seu nome atual) está casada com um homem branco e é mãe de dois filhos mestiços. Ou pretos de pele clara como ela própria. Neve é uma pessoa conhecida e reconhecida na sua comunidade. Vice-diretora de uma escola de elite, filantropa dedicada a causa dos mais aflitos e desvalidos. Boa esposa e mãe, uma lady black. Negando suas raízes, sua raça e ancestralidade, se espanta quando uma amiga lhe diz “você é quase uma de nós”. E é aí que a realidade surge na vida de todo aquele/a pessoa preta que atinge um status social diferente e superior do seu status original. E isto é válido para as Neves da vida, como para todos/as aqueles pretos/as conscientes de suas origens e que sabem e tem orgulho de quem são. Em algum momento a pessoa é lembrada de que não nasceu naquele meio. Não é uma exclusividade referente a só as pessoas pretas, e existe desde que surgiram as separações sociais no mundo. Mas as pessoas pretas são obviamente as que mais vão sentir. F. Scott Fitzgerald tratou disso muito bem no seu esplendoroso O Grande Gatsby(o personagem branco que chega lá nos cumes da riqueza, mas não é e nunca será como os que nasceram nela). Aqui nesse filme (que está longe de ser uma obra significativa) a narrativa se torna muito importante porque é atualíssima. E espinhosa. Neve é uma mulher preta e não é porque sua pele é quase branca que ela vai conseguir passar batido das situações que se apresentam. Não importa as perucas de cabelo liso, a sua educação adquirida, a elegância britânica do seu comunicar. A pele é um limite social real, difícil de transpassar por mais condecorações que tenha no seu meio profissional e dinheiro na sua conta bancária. Neve não apenas renega sua raça, mais que isso, ela age como se realmente acreditasse que é uma mulher de pele branca, o que causa um constrangimento que fica palpável no ar porque os outros personagens não conseguem se posicionar de forma clara diante dela e ficam pisando em ovos quando surgem assuntos com pautas sociais/raciais atuais que estamos todos (ou deveriam) estar discutindo (ou ao menos se conscientizando) e colocando na mesa. Seus par de filhos adolescentes tem consciência e se definem como pessoas pretas. E pessoas pretas em busca de descobrir sua negritude como quando sua filha resolve assumir os cachos ou trançar os cabelos. Neve acredita que dinheiro resolve tudo, e não é por aí né…

o cineasta e roteirista Nathaniel Martello-White

Corta. Tudo na primeira parte tem um ar fake, o que a princípio pode incomodar, mas depois você percebe que intencionalmente ou não, tem tudo a ver com a pretensa realidade que ali é apresentada. Esta realidade é fake, por mais que todo o seu entorno seja real, ela é fake porque é baseada, observada e vivenciada por uma personagem que construiu sua história em bases irreais ocultada pelo manto da falsidade.

A 2° parte muda o filme. E é aí que você sente que tem um diretor. A 2° parte é rica, dinâmica, tem uma outra vibe. Há 02 personagens novos em cena. Dois irmãos (irmã/irmão) pretos retintos saídos diretamente de uma Inglaterra que não nos é apresentada. Poderiam ter saído diretamente de um algum gueto novaiorquino, pela semelhança do agir, se portar, se comunicar. São viscerais. Seguem a linha nós existimos, não estamos aqui pra pagar simpatia, e vamos ocupar o nosso lugar. O contraste é violento. O que se segue vai depender de cada um, se é bom ou ruim. E do olhar que cada pessoa tem a respeito da vida e das circunstâncias que ela nos molda a medida que a vivenciamos. Temos aqui um caso de vingança. E onde há vingança há sempre o conflito do que é justo ou não. Não é por menos (a sabedoria do universo é infinita) que em Astrologia a balança (símbolo da Justiça) está entre o crítico signo de (♍) Virgem e o temível signo de (♏) Escorpião. Um aponta, a balança simbolizada por (♎) Libra apazigua, decide, sela a paz ou entrega nas mãos do vingador (o que cobra). Em termos astrológicos a vingança não está relacionada a este signo (♏) especificamente, e sim ao elemento ao qual ele pertence – Água. Todos os três signos de Água são vingativos. O que muda é a forma que atuam.

Há uma armadilha no caminho. De um lado uma protagonista preta (de pele clara) que rechaça sua origem racial. Do outro pretos retintos reafirmando através do estereótipo da agressividade e violência aquilo que toda pessoa branca espera ver. E nesse quesito o filme e nós (pessoas pretas) saímos perdendo.

Jorden Myrie e Bukky Bakray

Maria Almeida

Samuel Paul Small

⭐⭐ (regular)

Paulo Al-Funs

Mais um dia…

Mais um dia
se iniciando,
mais uma oportunidade
de melhorar, se aprimorar,
nos encontrando...

Mais um dia
de chuva,
molhando
limpando e,
nos purificando...

Algumas pessoas,
sentem frio
em meio ao calor
almas carente de amor...
Algumas pessoas
sentem calor,
em meio ao frio...
carência do corpo
chamando pra fazer amor...

Paulo Al-Funs