Seu ânus palpita
ao me ver
Um desejo
incontrolável
de com minha pica
fuder...
Imagina sua boca
a me chupar,
minha porra descendo
por sua garganta
a te adoçar...
Suas pernas estremecem
de emoção
Ao ver meu corpitio
passeando,
transpirando tesão...
Que lástima!!!
Queria poder te contentar
mas não há nada
em ti
a me interessar...
Paulo Al-Funs
Autor: Paulo Al-Funs
Ânus Fodidos
Seu ânus apresentava
uma alegria faceira
ao caminhar
uma luz que surgia
de um fundo impenetrável
como um doce sonhar
um frenesi que surtia
efeitos para além
do que se poderia
expressar...
Ahhhhh!!!!!!
Tantas delícias
o encontraram
ao sentar
tantas metidas
que não havia mãos
e dedos à contar
Era algo esfuziante
luminoso e inesquecível
ao gozar...
Paulo Al-Funs
🌝 uma homenagem a todas as pessoas que carregam o recalque nos corações 😘
Tiradentes
Tiradentes
não morreu,
foi assassinado
Tudo por conta
de um dente estragado
O vilão entrou
em seu consultório
sem ele perceber
Atônito não teve tempo
nem de responder
Era um extremista
da seita dos fanáticos
e golpistas
Achou que a culpa
da dor do seu dentão
era obra do dentista-cirurgião
E como Tiradentes
era a favor da Liberdade
o maculou
pra continuar sonhando
com a ditadura
Atrás das Grades
Paulo Al-Funs
Dias Melhores

Pompéia / Canal 02
Ontem
Tinha um céu estrelado
à nos presentear
Hoje
Tem um sol brilhante
à nos iluminar
Hoje, como ontem
e sempre
Acordamos com a esperança
de que nossos dias,
estão sempre a melhorar...
Paulo Al-Funs
Dzy Croquettes, 2009
Documentário. Eu já havia escutado esse nome Dzi Croquettes, sabia que tinha haver com dança, mas só. Que bom. Bom porque fui apresentado à eles, há poucos dias, a esse grupo fascinante que conquistou o Brasil e o mundo (ao menos a França) com sua forma revolucionária, diferente e inovadora de espetáculo. A arte brasileira (puramente)… também tinha conhecimento que houve um Lennie Dale, mas, nunca tinha imaginado o tão grande ele foi, através desse documentário, tão bem realizado, somos apresentados a essa trupe de artistas originais, diferentes, muito talentosos, disciplinados e que conseguiram não apenas marcar a época da sua existência (anos 70) mas tudo (direta e indiretamente) que veio depois, inclusive eu, e provavelmente quem possa estar lendo esse texto. Como as gírias que até hoje nós escutamos, e tão ligadas ao mundo gay (não vou colocar aqui todas as outras denominações porque pra mim tá tudo incluído), o comportamento, através da expressão livre e ousada da sua sexualidade, e principalmente, porque pessoas que viviam e vivenciaram a época e foram influenciadas por eles depois realizaram em especial trabalhos na arte que acabaram influenciando gerações de expectadores (isso nós descobrimos através dos depoimentos tocantes, sinceros, de várias personalidades ligadas a TV, ao teatro, que fizeram a cabeça de muita gente dos anos 80 pra cá… Eu particularmente cito o Ney Matogrosso, cujo primeiro disco dos “Secos & Molhados” foi importantíssimo pra mim quando o descobri nos idos de 1996… Não há muita imagem da época dos shows em si, mas a sensibilidade com que o filme foi conduzido, realizado da a impressão de se quase poder sentir e estar ali… Mérito dos realizadores (Raphael Alvarez e Tatiana Issa). Que ótimo que existam documentários, e que ótimo que eles estejam sendo realizados de forma excepcional apresentando figuras e artistas que foram e são tão importantes pra nossa história, lembrando uma frase que ouvi um dia “todos nós somos ‘produtos’ daquilo de que gostamos ou vivenciamos” posso dizer, que os “Croquettes” estão bem vivos, em todos nós, porque todos temos alguma coisa, das pessoas que viveram e foram influenciadas por eles… Imperdível… Muito bom.
Paulo Al-Funs, autor
Excluídos, 2023

poster de “Excluídos“
A premissa é bem interessante. E poderia funcionar bem melhor se em vez de buscar fazer suspense fake, fosse realizado como um drama. Porque aqui temos um drama.
O filme: Jovem mulher preta após conversa com irmã onde relata seus perrengues, desaparece.

Ashley Madekwe (Neve)
Corta. Anos depois a encontramos vivendo em cidade no interior da Inglaterra. Agora ela é uma mulher endinheirada. A mudança se insinua como radical. Não a conhecemos de fato no início. Neve (é seu nome atual) está casada com um homem branco e é mãe de dois filhos mestiços. Ou pretos de pele clara como ela própria. Neve é uma pessoa conhecida e reconhecida na sua comunidade. Vice-diretora de uma escola de elite, filantropa dedicada a causa dos mais aflitos e desvalidos. Boa esposa e mãe, uma lady black. Negando suas raízes, sua raça e ancestralidade, se espanta quando uma amiga lhe diz “você é quase uma de nós”. E é aí que a realidade surge na vida de todo aquele/a pessoa preta que atinge um status social diferente e superior do seu status original. E isto é válido para as Neves da vida, como para todos/as aqueles pretos/as conscientes de suas origens e que sabem e tem orgulho de quem são. Em algum momento a pessoa é lembrada de que não nasceu naquele meio. Não é uma exclusividade referente a só as pessoas pretas, e existe desde que surgiram as separações sociais no mundo. Mas as pessoas pretas são obviamente as que mais vão sentir. F. Scott Fitzgerald tratou disso muito bem no seu esplendoroso “O Grande Gatsby” (o personagem branco que chega lá nos cumes da riqueza, mas não é e nunca será como os que nasceram nela). Aqui nesse filme (que está longe de ser uma obra significativa) a narrativa se torna muito importante porque é atualíssima. E espinhosa. Neve é uma mulher preta e não é porque sua pele é quase branca que ela vai conseguir passar batido das situações que se apresentam. Não importa as perucas de cabelo liso, a sua educação adquirida, a elegância britânica do seu comunicar. A pele é um limite social real, difícil de transpassar por mais condecorações que tenha no seu meio profissional e dinheiro na sua conta bancária. Neve não apenas renega sua raça, mais que isso, ela age como se realmente acreditasse que é uma mulher de pele branca, o que causa um constrangimento que fica palpável no ar porque os outros personagens não conseguem se posicionar de forma clara diante dela e ficam pisando em ovos quando surgem assuntos com pautas sociais/raciais atuais que estamos todos (ou deveriam) estar discutindo (ou ao menos se conscientizando) e colocando na mesa. Seus par de filhos adolescentes tem consciência e se definem como pessoas pretas. E pessoas pretas em busca de descobrir sua negritude como quando sua filha resolve assumir os cachos ou trançar os cabelos. Neve acredita que dinheiro resolve tudo, e não é por aí né…

o cineasta e roteirista Nathaniel Martello-White
Corta. Tudo na primeira parte tem um ar fake, o que a princípio pode incomodar, mas depois você percebe que intencionalmente ou não, tem tudo a ver com a pretensa realidade que ali é apresentada. Esta realidade é fake, por mais que todo o seu entorno seja real, ela é fake porque é baseada, observada e vivenciada por uma personagem que construiu sua história em bases irreais ocultada pelo manto da falsidade.
A 2° parte muda o filme. E é aí que você sente que tem um diretor. A 2° parte é rica, dinâmica, tem uma outra vibe. Há 02 personagens novos em cena. Dois irmãos (irmã/irmão) pretos retintos saídos diretamente de uma Inglaterra que não nos é apresentada. Poderiam ter saído diretamente de um algum gueto novaiorquino, pela semelhança do agir, se portar, se comunicar. São viscerais. Seguem a linha nós existimos, não estamos aqui pra pagar simpatia, e vamos ocupar o nosso lugar. O contraste é violento. O que se segue vai depender de cada um, se é bom ou ruim. E do olhar que cada pessoa tem a respeito da vida e das circunstâncias que ela nos molda a medida que a vivenciamos. Temos aqui um caso de vingança. E onde há vingança há sempre o conflito do que é justo ou não. Não é por menos (a sabedoria do universo é infinita) que em Astrologia a balança (símbolo da Justiça) está entre o crítico signo de (♍) Virgem e o temível signo de (♏) Escorpião. Um aponta, a balança simbolizada por (♎) Libra apazigua, decide, sela a paz ou entrega nas mãos do vingador (o que cobra). Em termos astrológicos a vingança não está relacionada a este signo (♏) especificamente, e sim ao elemento ao qual ele pertence – Água. Todos os três signos de Água são vingativos. O que muda é a forma que atuam.
Há uma armadilha no caminho. De um lado uma protagonista preta (de pele clara) que rechaça sua origem racial. Do outro pretos retintos reafirmando através do estereótipo da agressividade e violência aquilo que toda pessoa branca espera ver. E nesse quesito o filme e nós (pessoas pretas) saímos perdendo.

Jorden Myrie e Bukky Bakray

Maria Almeida

Samuel Paul Small
⭐⭐ (regular)
Paulo Al-Funs
Mais um dia…
Mais um dia
se iniciando,
mais uma oportunidade
de melhorar, se aprimorar,
nos encontrando...
Mais um dia
de chuva,
molhando
limpando e,
nos purificando...
Algumas pessoas,
sentem frio
em meio ao calor
almas carente de amor...
Algumas pessoas
sentem calor,
em meio ao frio...
carência do corpo
chamando pra fazer amor...
Paulo Al-Funs
Poesia sem futuro
Escrevi uns versos
safados para você,
escrevo e você,
não lê...
Escrevo frases
e rimas,
que tu não
entende,
e mesmo assim
me surpreende,
ao querer,
me-ter
Ah! Escrevo
um anzol florido,
atravesso seu ânus
colorido,
antes de te
lamber,
começando do umbigo...
Paulo Al-Funs
O Sol
O Sol continua
a brilhar,
mesmo que venha
perrengues,
nunca deixa de se levantar,
para o nosso dia
iluminar...
O Grande Doador
de luz,
não faz distinção,
agrega e abraça
a todos,
com seu calor,
bom humor,
e doses gerais,
de amor...
Paulo Al-Funs
tbt poético
Naquele Fim de Semana, 2022

poster de “Naquele Fim de Semana“
Um bom thriller, uma boa surpresa… Como sempre nos filmes mais recentes exibidos na Netflix, o elenco é semi ou totalmente desconhecido pela minha pessoa. E como sempre, parece haver uma aposta no talento e não necessariamente no talento acompanhado de carisma que faz um ator/atriz se tornar uma estrela. Esse me surpreendeu, perto de outros recentes que assisti é uma boa pedida pra quem curte suspense acompanhado de boas reviravoltas.
O filme: Jovem (Leighton Meester) vai para a Croácia se encontrar com velha amiga (Christina Wolfe) para reviver por conta da insistência desta uma solteirice que ficou para trás, deixando em Londres o esposo e a filha de colo. Não há nenhum mergulho aqui no sentido “estou deixando a família pra relaxar num momento só meu”. Não é por aí que corre a trama. A jovem é de responsa e só foi realmente curtir um fim de semana com a melhor amiga solteira e aventureira por natureza. Aqui a um, ou melhor dois senões. 1° ela é muita fria (chata) no sentido demonstração afetiva/euforia em relação a amiga e ao passeio que está realizando. Dá a impressão que está pagando pedágio. 2° essa mesma secura se apresenta quando o esposo surge de repente, quando a história toma o rumo que é seu – o do suspense. Resumindo: a protagonista é fria e mala. A amiga doidinha quer ação. Entenda-se por isso “eu quero trepar e quero que você (a amiga visitante) trepe também”, afinal é um ode a antiga solteirice e foda-se se ela é casada “ele não precisa saber”. Até aí tudo bem, a maior parte da população universal já adquiriu o seu passaporte de mata atlântica. Após uma noite baladesca regada a você sabe o quê (lícitas e ilícitas) com dois bofes bem dispostos também a entrar em ação a moça some sem deixar vestígios e aí começa o drama. Amparada por um tipo interessante (Ziad Baki) começa a busca pela doidinha que quiçá possa ser encontrada viva e sã num roteiro (Sarah Anderson) que mistura tudo muito bem – descaso e descrédito quando vai registrar o desaparecimento, prostituição masculina (os bofes), cornice trocada, quebra de confiança, voyeurismo e um roteiro que explora bem o que pode ser classificado até como clichê mas que a cineasta feminina (Kim Farrant) leva bem e de boa (uma ou outra cena deixa a desejar, mas nada que atrapalhe o resultado final). Resumindo, vale conhecer e se entreter. Frase do filme: “Alalbek Daleek“ – “seu coração é seu guia” ditado sírio. Concordo plenamente”.

Christina Wolfe e Leighton Meester (melhores amigas)
⭐⭐⭐ (bom)
Paulo Al-Funs
